Paulo Guedes tem toda razão

"Se Guedes, Jair Messias e caterva quisessem que o Brasil virasse uma Argentina, teriam feito exatamente o contrário do que fazem. E, quem sabe, o total de nossas vítimas seria muitíssimo menor", escreve o jornalista Eric Nepomuceno

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Paulo Guedes, o antigo funcionário de Augusto Pinochet na mais sangrenta ditadura da história chilena, e que para gáudio supremo do empresariado, dos meios hegemônicos de comunicação e dessa invisível, perversa e destruidora entidade chamada mercado financeiro Jair Messias escolheu para ser o ministro de Economia disse uma (uma!) verdade.

Ao receber do presidente demente um gesto de apoio, indicando que ele vai permanecer onde está (até quando, ninguém, nem o próprio psicopata que ocupa a presidência, sabe), Guedes resolveu falar.

Diante dos jornalistas estacionados na porta do Palácio da Alvorada, ele resolveu agradar o chefe. E como acontece cada vez que abre a boca, disparou sandices, idiotices e prepotência.

Fazendo de conta que acredita mesmo no apoio de Jair Messias (ou quem sabe, acreditando: afinal, inteligência e perspicácia jamais foram características dele), Guedes repetiu que “nós não queremos que o Brasil vire uma Argentina ou uma Venezuela”.

A menção à Venezuela é mera macaquice para agradar Jair Messias. 

Já com relação à Argentina, ao dizer que esse “nós”, em referência a ele, o presidente e a corja que integra o governo, Paulo Guedes falou a verdade, a mais pura verdade.

Senão, vejamos: na Argentina, as medidas adotadas pelo governo federal (que lá é chamado de governo nacional) foram negociadas com todos, absolutamente todos, os governadores. 

Isso inclui, é claro, quem é de posição radicalmente oposta à do presidente Alberto Fernández.  

Há também diálogo permanente e harmônico entre o ministério da Saúde e todas, absolutamente todas, as secretarias estaduais. 

As medidas de combate à pandemia se estendem por todo o país, inclusive em cidades com populações ínfimas. Algumas são especialmente duras, como a suspensão de venda de passagens aéreas e o fechamento de fronteiras, adotado assim que se soube das dimensões da crise. 

Há um trabalho absolutamente integrado entre a rede de saúde pública e a particular. E no campo social, foram adotadas iniciativas destinadas a suavizar a crise econômica, com foco específico nas zonas de mais baixa renda e das pequenas e médias empresas.

Vale recordar uma e mil vezes a frase do presidente argentino: uma economia que cai se levanta, mas uma vida perdida jamais será recuperada.

Vamos, porém, aos números. Até a tarde da mesma segunda-feira em que Paulo Guedes disse que “nós” não queremos virar uma Argentina, no país de Alberto Fernández o número de vítimas fatais chegou a 192. 

Aqui, passou de quatro mil e quinhentas.

Mesmo levando em conta as respectivas populações, a disparidade é colossal. Multiplicando por cinco seu número de mortos, a Argentina teria menos de mil. É que os argentinos são cinco vezes menos que os brasileiros.

Conclusão: se Guedes, Jair Messias e caterva quisessem que o Brasil virasse uma Argentina, teriam feito exatamente o contrário do que fazem. E, quem sabe, o total de nossas vítimas seria muitíssimo menor.

Paulo Guedes é um medíocre radical. Não se conhece nenhum trabalho acadêmico de relevância feito por ele. Trata-se de um bem sucedido especulador do mercado financeiro determinado a destroçar o que resta de Estado neste país. 

É outro disparador de absurdos sem limite. Comete e jorra asneiras como a de que nossa situação econômica está “no caminho da prosperidade”.

A única coisa que prospera no Brasil de Jair Messias é a estupidez. Para Guedes, tudo bem: afinal, ele é um claríssimo exemplar de estúpido.

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