Paz no Brasil a partir do núcleo dos homens e das mulheres de boa vontade

Pregar golpes militares, ser preconceituoso, racista, africanofóbico, fascista, nazista e homofóbico também é corrupção. Quem assim pensa e prega é corrupto da democracia, da sociabilidade e dos direitos humanos

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Minha querida amiga e ex-aluna Alessandra Santos

Além do debate de que tenho a honra de participar no meu blog, no site Brasil 247, na coluna "Opinião Pública" do jornal Diário da Manhã de Goiás e de inúmeros blogs e sites que reproduzem alguns de meus textos, que seus editores julgam interessantes, envolvo-me em discussões intensas de vários grupos de tendência social e pastoral, com a mesma índole.

Muitas reações de pessoas queridas se dividem entre as manifestações do dia 16 e do dia 20, diametralmente opostas uma da outra.

Não duvido de que algumas pessoas de boa vontade e interessadas no bem do Brasil se somem à marcha imprudente e voltada para o mal que acontecerá neste próximo domingo, dia 16.

As bordas das manifestações conduzidas no dia de descanso e lazer parecem ser em apoio à insatisfação popular, dos trabalhadores e nacionais com os desvios de rota imprimidos pelo governo Dilma.

Outra aparência da agenda dos que caminharão pelas ruas do Brasil é o grito de insatisfação contra a corrupção.

Diria que os pontos que ornamentam as franjas das manifestações são aparentemente corretos e por eles eu também iria às ruas, como sempre fiz desde a minha juventude quando os patriotas eram chamados a defender nosso País.

Gritar contra a corrupção, típicas do sistema capitalista, é ato contínuo dos cidadãos e das cidadãs realmente comprometidos e comprometidas com o bem comum, que gera a paz.

É lugar comum afirmar que a corrupção é endêmica e integra a cultura do jeitinho e do levar vantagens desde a invasão desta terra pelos europeus em 1500, provindos da colonização assassina e bárbara daquele mundo dito cristão.

É Repetitivo também afirmar que a corrupção se acentuou no Brasil nos anos de chumbo da ditadura e na era FHC, que introduziu corruptos e malversadores do Estado em todos os setores públicos.

Nos governos Lula e Dilma há corruptos também e contra eles o povo deve levantar protestos e reagir a favor de justiça e punição.

As pessoas de bem não cumpliciam com os corruptos, ladrões dos bens do povo e da sociedade. Tal acontece quando os dirigentes entregam os bens públicos, quando os vendem ganhando elevadas somas de propinas, que depositam em contas secretas dos paraísos fiscais, como muito aconteceu durante a ditadura e o governo de FHC. Há os que fazem dos cargos públicos meios para privatizar o Estado e o público.

Nesse sentido a corrupção atinge partidos e eleitos para postos legislativos e executivos que produzem leis e aprovam iniquidades contra o povo, como são os casos da diminuição da idade penal, com o objetivo de eliminar crianças e jovens negros e pobres e quando corrompem o parlamento para votar excrescências como o a terceirização, que atropela os direitos sagrados dos trabalhadores.

Usar cargos para sugerir golpes de Estado visando a tomada do poder para gerir negócios da classe dominante e dos seus apaniguados é corrupção disfarçada de disputa política.

Usar a justiça para fazer injustiça e escamotear a verdade na prática feia de selecionar uns para perseguir, caluniar e injuriar contra a ocultação de outros a quem policiais e juízes protegem, embora a lista enorme de crimes conhecidos publicamente há anos, é corrupção, também.

Pregar golpes militares, ser preconceituoso, racista, africanofóbico, fascista, nazista e homofóbico também é corrupção. Quem assim pensa e prega é corrupto da democracia, da sociabilidade e dos direitos humanos.

Esse é o núcleo não declarado, cinicamente invisível das manifestações do dia 16. Sua essência é a do mal por seu caráter golpista, por isso, digna de repúdio pelas pessoas de bem. Tanto é assim que há grupos que não aceitam o governo Dilma, e explicam suas razões, que jamais participariam desse evento diabólico.

Há três variáveis que nucleiam o projeto dos manifestantes de domingo: 1. A mais acentuada é a do grupo golpista a serviço das grandes corporações americanas, notadamente da área do petróleo, a quem querem entregar a Petrobras como o projeto do entreguista José Serra, que desviaria bilhões de reais dos investimentos sociais. Inscrevem-se aí as máfias das drogas, do sistema financeiro volátil e rentista (altamente concentrador de renda e de riquezas, do tipo dos sonegadores de impostos). Desta variável participam os golpistas de cunho fascista, que pregam e fazem as violências como as das bombas jogadas contra o Instituto Lula e em sedes do PT. Esses são declaradamente contra a democracia e a promoção dos setores pobres à categoria de participantes dignos dos bens econômicos e sociais. Sua marca é a ideologia de direita, antinacional e antidemocrática. Gritar contra corrupção não revela sua preocupação mais profunda e principal, isso é apenas pretexto de quem realmente quer o poder como máquina de manutenção de privilégios em um País para poucos. 2. Este segmento é o dos analfabetos políticos. São totalmente ausentes de participação organizada profissional-sindical, de partidos, comunitárias e pensam que o Estado é composto de pessoas que devem servi-lo como escravas. Ignoram, graças ao seu analfabetismo, uma perna importante do Estado que é a sociedade civil, o povo do qual ele faz parte, como ensinaram Norberto Bobbio e outros clássicos. Principalmente quando se pensa no povo como sujeito decisivamente participante do Estado e das mudanças exigidas pela sociedade organizada. Ah, mas o analfabeto político a tudo ignora. Acredita piamente na mídia familiar e golpista. Por ser racionalmente desestruturado se emociona e se encoleriza com as imagens de presos sem condenação e sem provas que a TV canalha mostra. Revistas comerciais prenhe de mentiras arrebatam a crença do analfabeto político, que acredita piamente em tudo lendo as matérias ou se limitando a manchetes sensacionalistas e mentirosas. Os boatos dos amigos e colegas são suficientes para inebriar os coitados dos analfabetos, que não usam da suspeita metodológica como fator essencial do conhecimento da verdade. Não sabem e têm raiva de quem sabe que há centenas de sites e blogs sérios que analisam com responsabilidade e que transpiram seriedade ao informar e ao formar a opinião pública. Os analfabetos irão às ruas no dia 16 e gritarão coisas que os mafiosos de direita lhes induzirem a vociferar, mesmo sem saber do que se trata. 3. A serviço dos mafiosos políticos de direita se envolverão os alienados mais lumpemproletários. Estes são aqueles que, em suas casas, bicicletas, carros e fofocas gritarão "fora Dilma" e que chamam "os políticos" de ladrões, reafirmando que nenhum político presta. Estes são irracionais sem a menor condição mental para pensar o que é crise, o que é desvio neoliberal, o que é correlação de forças, o que é imperialismo e o que é a direita, essa coisa que toma conta do Congresso Nacional e do judiciário. A marca dessa variável que participará do caldo golpista serve como cabo do golpe. Essas pessoas acreditam em qualquer coisa. A direita conta muito com elas. Dá-lhes alguns trocados quando precisa de sua falta de luz para justificar que até os pobres reclamam do governo.

Enfim, essas três variáveis comporão o núcleo dos manifestantes de domingo. Compactadas numa massa serão o que o jornalista Paulo Nogueira acertadamente definiu como coisa de lunáticos. A turba será comandada por "... gente como Lobão, Kim Kataguiri, Reinaldo Azevedo, Batman do Leblon, Bolsonaro e, à distância, Olavo de Carvalho." (Leia mais aqui). Aécio Neves, aquele do Aeroporto do Tio, do helicóptero com meia tonelada de craque, do que quase rebentou com socos uma ex-namorada, empurrando-a por uma escada abaixo, disse que ainda amadurece a ideia de ir ou não (nele nada amadurece) às manifestações que ajudou a convocar. O "seu" Ronaldo Caiado, o senador escravocrata e ruralista, que Demóstenes definiu como bandido que mata e manda matar, compareceu a todas. Certamente será um dos protestantes sem propostas sérias, com discursos raivosos e viscerais.

Esses liderarão as manifestações da má vontade e da má-fé no domingo.

Mas os lunáticos não farão história. Os do mal só ajudam o bem a fazer história na construção da paz.

Os do bem, que marcharão no dia 20 em defesa da democracia, da soberania nacional com críticas profundas ao governo Dilma, exigindo a retomada dos avanços com empregos, reformas e com justiça social.

Essas pessoas do bem não são aventureiras nem desrespeitosas com o resultado das eleições, mas nos conclamam a responsabilidade na nota que representantes de centrais sindicais e de sindicatos de São Paulo emitiram, assim:

"O Brasil já deu mostras de que é um país capaz de promover equidade, bem-estar social e qualidade de vida para todos. Por isto, precisamos retomar rapidamente o investimento e a atividade produtiva para aumentar as oportunidades, o emprego, melhorar a distribuição da renda e as políticas sociais.

Tais desafios exigem das forças vivas da sociedade brasileira um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico. Mais do que isto, é necessário desmontar o cenário político em que prevalecem os intentos desestabilizadores, que têm sido utilizados como o condão para a aplicação de uma política econômica recessiva e orientada ao retrocesso político-institucional.

Assim sendo, reafirmamos que qualquer projeto de desenvolvimento nacional deve ser cimentado pelo fortalecimento das instituições e da democracia, sem descuidar do combate à corrupção, e tem que guiar-se pela superação das graves desigualdades econômicas, sociais e regionais, promovendo:

Combate à inflação;

Juros baixos;

Aumento do investimento público e privado em infraestrutura econômica e social;

Defesa do emprego e do poder de compra dos trabalhadores;

Política cambial que incentive a atividade produtiva, especialmente a industrial;

Investimentos na qualidade da educação;

Ciência, tecnologia e inovação para agregar valor à produção de bens e serviços;

Fortalecimento das micros, pequenas e médias empresas;

Consolidação do mercado interno de consumo de massa;

Fortalecimento e estímulo da participação competitiva do Brasil;

Modernização das instituições, das leis e do Estado.

O momento exige diálogo, compromisso com o País, com a democracia e com a necessária afirmação de um projeto de desenvolvimento nacional ancorado na produção, em uma indústria forte, um setor de serviços dinâmico, um comércio vigoroso, uma agricultura pujante e em um Estado indutor e coordenador das estratégias de crescimento econômico e de desenvolvimento social.

Por isto, os Sindicatos abaixo assinados declaram-se dispostos, e conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada, a restabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional" (Leia mais aqui).

Este é o núcleo dos homens e das mulheres de boa vontade que impedirão o golpe, mas que pressionarão compromissadamente pela mudança de rumos do governo no sentido de preservar direitos e de avançar nas mudanças que o Brasil precisa e merece.

• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: editor deste blog, idealizador e presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário.

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