Pensando bem, melhor não

Melhor colocar canalhas no governo. Da pior espécie. Pelo menos assim, estaremos bem representados

Para imprensa estrangeira, Bolsonaro é materialização da raiva coletiva
Para imprensa estrangeira, Bolsonaro é materialização da raiva coletiva (Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto)

O país até que era feliz. 

Vá lá, havia alguns problemas, mas as coisas estavam evoluindo. 

O desemprego, antes avassalador, dava claros sinais de arrefecimento. Estava nas cordas, sustentado por um índice baixíssimo de não-ocupação, de quase pleno emprego.

A desigualdade social ainda era uma mazela, mas que estava a ser enfrentada. Havia diminuído muito, com o aquecimento da economia e o aumento médio da massa salarial e do poder de compra da população.

Negros e índios, historicamente subjugados pela elite embranquecida, começaram a frequentar universidades, ter formação superior, transformando-se em médicos, advogados, engenheiros e em quaisquer ofícios imagináveis.

Todas as minorias seculares, antes ignoradas, passaram a ter mais direitos, respeito, reconhecimento, voz e influência na sociedade.

As empresas produziam e o comércio vendia como nunca. A roda econômica, tão enferrujada, começava a azeitar-se e a rodar com certa facilidade.

A empregada doméstica comprava roupa chique. Seu filho frequentava o mesmo curso do filho da patroa. Seu marido conseguia comprar carro do ano. Nas férias, viajavam de avião. Às vezes até para o exterior, vejam só. 

Teve uma presidenta que forçou a diminuição dos juros financeiros do mercado com a diminuição dos juros cobrados pelos bancos públicos. Mas aí já era demais. Um acinte. Uma provocação. Imagina….mexer com os bancos???

Além disso, essa gente começou a tornar o trânsito intrafegável, abarrotando de carros e motos as nossas ruas antes tranquilas e bucólicas; sentava na cadeira do avião ao nosso lado, costumazes viajantes da classe média que somos; almoçava nos mesmos restaurantes, pedia os mesmos pratos, usava as mesmas roupas que nós. Essa gente havia perdido o limite. Não sabia mais seu lugar na sociedade.

As universidades transformaram-se em balbúrdia. As expressões artísticas tornaram-se pornográficas, ferindo a moral e os bons costumes que defendemos.

Não, não e não. Melhor desfazer isso. Melhor tirar o governo que estava lá e colocar quem realmente nos representa: homens, brancos, velhos, ricos e envoltos em um Armani, de preferência. Do tipo que paga caras prostitutas durante a semana em Brasília e passa o fim de semana em casa, com a esposa, filhos e o Golden Retriever, bradando em nome dos valores da família em vídeos-selfies à beira da piscina, rodeado por bandejas de canapés de salmão e dúzias de garrafas de champagne charddonay. 

E se isso significar que esses pobres voltem aos seus lugares, que aumente o desemprego deles, que eles percam suas aposentadorias e garantias sociais e até que a indústria nacional sucumba, bem.....que seja.

Melhor colocar canalhas no governo. Da pior espécie. Pelo menos assim, estaremos bem representados.

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