Pequenos detalhes sobre o debate

Apesar do atual favoritismo de Marina, a eleição continua aberta. A única certeza, depois de mais um debate, é que Dilma perdendo não se juntará ao novo e rentável ofício de palestrante

Novamente foi nítido o desconforto de Dilma, mas, dessa vez, ela verbalizou sobre seu nervosismo. Ao assumir sua fragilidade na oratória – que, realmente, traz desvantagens para o cargo -, a presidente, de certa forma, desarmou e alertou os telespectadores quanto a uma possível competição entre discursos.

É como se dissesse que o melhor orador ali pode não ser o melhor candidato. Para quem é cobrada por não reconhecer seus erros – Marina insistentemente bateu nessa tecla -, sua autocrítica quebrou um pouco a couraça de mulher-absoluta.

Marina esteve calma. Dentre os candidatos, é quem melhor concatena pensamentos e frases, afinal, é a única palestrante profissional. Critica a atual economia do país no melhor estilo Empiricus Consultoria, batendo na Petrobras e enaltecendo o tripé econômico. Diz que os juros estão altos – quesito que ficará a cargo de seu provedor Itaú e do Banco Central independente. Para provar que não abandonou suas raízes discorre sobre outras fontes de energia mais limpas.

A firmeza e convencimento passados pela voz e gestual devidamente corretos começam a se desconectar quando começamos a reparar, de fato, o que está sendo dito. Quando perguntada pelo jornalista Fernando Rodrigues sobre a cláusula de confidencialidade para não declarar seus clientes que já lhe renderam, em três anos, 1,6 milhão de reais em palestras, Marina chega a sugerir a separação de sua vida particular da vida pública. Quanta transparência! Em outra passagem, diz que o saneamento melhora as condições de vida das pessoas. Realmente, revelador.

Parece querer sempre passar uma aura de simplicidade ao seu redor, mas sua aparente humildade se desmancha em seu olhar, linguagem e trajes que realçam um aburguesamento exagerado. É tão elevada que está acima da dicotomia esquerda/direita. E fala que há uma "visão atrasada" sobre drogas e aborto e por isso vai propor um debate. Pura inovação!

Aécio está em dúvida, não sabe se volta para Minas ou baixo Leblon. Eduardo Jorge marca um golaço ao enfatizar a importância da representação política, "resgatar o prestígio do Parlamento". Mas foram os nanicos Levy Fidelix e Pastor Everaldo quem melhor desnudaram Marina. Levy é direto: Itaú e Natura são grandes sonegadores. E Everaldo, almejando os votos cristãos, diz que "Marina está costeando o alambrado" ao não se posicionar claramente sobre o aborto.

Apesar do atual favoritismo de Marina, a eleição continua aberta. A única certeza, depois de mais um debate, é que Dilma perdendo não se juntará ao novo e rentável ofício de palestrante.

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