Perguntar não ofende... Ou Ofende?

"Às vezes mesmo me pergunto: o que a Globo imaginava quando, a partir de 2014, por um de seus mais diletos porta-vozes, Merval Pereira, decidiu pregar, propagar e incentivar o ódio de classe ao PT?", questiona o autor

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O filósofo judeu alemão Walter Benjamin, quase que numa premonição, nos legou, numa de suas “teses sobre a história”, o epitáfio do momento que hoje vivemos quando afirmou que “[nem] os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer”.

Foi dele que me vali quando me pus a refletir sobre a armadilha que a Rede Globo e seus congêneres da imprensa oligárquica-corporativa-familiar preparam para si mesmos. Trata-se, em meu entender, do paradoxo do efeito borboleta que afirma que “ninguém é capaz de prever as consequências de todos os seus atos”.

Vejamos, pois!

De uns tempos pra cá, precisamente, a partir de fins de 2018; mas, com registros ainda de antes do golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, vêm se tornando cada vez mais comuns ataques a veículos e jornalistas da chamada mídia corporativa. Aquela mesma que o genial Paulo Henrique Amorim cognominou de PIG, Partido da Imprensa Golpista.

Dentre os ditos representantes da chamada grande mídia, a Rede Globo, seus/as jornalistas e funcionários/as têm sido o alvo mais constante de tais ataques. Agora incentivados diretamente pelo presidente da República Jair Bolsonaro, seus filhos, auxiliares e asseclas mais diretos.

Devo confessar que, embora me preocupe com os/as funcionários/as da empresa, pois, são apenas trabalhadores/as exercendo seu trabalho, não lamento. Às vezes mesmo me pergunto: o que a Globo imaginava quando, a partir de 2014, por um de seus mais diletos porta-vozes, Merval Pereira, decidiu pregar, propagar e incentivar o ódio de classe ao PT?

Será que imaginou que repetiria 1964, quando acumpliciou-se às forças armadas brasileiras para dar um golpe de Estado, depor o presidente constitucional do Brasil e implantar uma degenerada ditadura, deixando para daqui a meio século suas evasivas escusas, como diria um de seus heróis golpistas?

Supôs a Globo, desconsiderando as novas formas de comunicação pessoal e direta representadas pelas redes sociais, que iria tanger às ruas um novo “admirável gado novo” (e o trocadilho é intencional), movido a ódio, desinformação e ignorância, que ela mesma incentivou, depois o reconduziria para os currais de sua tela, como fizera de outras vezes?

Pois é, não lamento; ainda que não possa dizer que comemore!

Aprendi com a “ciência de meu povo nordestino, desde que era menino”, nas palavras do músico e poeta campinense Alê Maia, que “quem planta vento colhe tempestade”! E a Globo, quando plantou o ódio, do qual resultou a ascensão desse neofascisitoidismo gospel que assola o país, esperava colher o que?

Agora que o leite está derramado e se espalha pelas ruas, praças e casas do país em manifestações igualmente repugnantes de ódio, de ignorância e de desfaçatez, algumas delas partindo do próprio presidente da República, a Globo irá esperar mais 50 anos pra pedir desculpas aos mortos?

E aqueles/as que estão do outro lado da trincheira, depois do leite derramado, contados os mortos e os feridos, repetiremos um antigo compositor baiano e guardaremos, “nas recordações, [o] retrato do mal em si” e, de novo, acharemos “melhor deixar pra trás”, pelo menos até um próximo golpe?

Pois é, “nem os mortos estarão a salvo se o inimigo vencer”, mas o “inimigo está vencendo!”

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