Periferia valoriza a eficiência do mercado, mas acredita no papel do Estado

O caldo cultural que a pesquisa qualitativa divulgada pela Fundação Perseu Abramo apresentou nos permitiu observar que a ascensão de um liberalismo popular em tais setores não eliminou opiniões de cunho socializante

periferia
periferia (Foto: Matheus Tancredo Toledo)

A mais recente pesquisa divulgada pela Fundação Perseu Abramo, Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo, confirma teses e opiniões que já eram debatidas dentro do Partido dos Trabalhadores e que apontavam para a necessidade de renovação de partes do projeto que defendemos.

A pesquisa demonstra que a população periférica da cidade de São Paulo tem opiniões próprias, complexas e que não seguem esquemas ideológicos polarizados e encartilhados, seja da esquerda ou da direita. Isso significa que os projetos defendidos por ambos os espectros não são comprados na totalidade por essa população, que mescla em suas opiniões valores de ambos os lados, fato este já conhecido nos estudos de opinião pública.

O caldo cultural que a pesquisa qualitativa apresentou nos permitiu observar, por exemplo, que a ascensão de um liberalismo popular em tais setores não eliminou opiniões de cunho socializante. O mesmo morador da periferia que deseja empreender e valoriza a eficiência do mercado é o que acredita no papel central do Estado na redução da desigualdade social, tema este sempre tratado pelos liberais como de responsabilidade pessoal. Não obstante, a defesa dos valores ligados ao território, à comunidade e à solidariedade possuem mais afinidade com o socialismo do que com o liberalismo, sendo este pautado pelo egoísmo, individualismo e competição.

É importante recordar que essa mesma camada social negou por quatro eleições presidenciais seguidas o projeto liberal e privatizante que a direita defende, elegendo e reelegendo o ex-presidente Lula e a ex-presidenta Dilma, uma clara demonstração de adesão ao projeto petista. É necessário recordar, inclusive, que o projeto liberal só está sendo aplicado nos dias atuais por não ter dependido do crivo das urnas, e sim da traição de um vice-presidente ao programa que o elegeu. Essa mesma população também não aceita negociar direitos como saúde e educação, que são vendidos no atacado pelo projeto defendido pelos liberais.

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