Bolsonaro provocou perplexidade e vergonha na ONU

Colunista Marcelo Uchoa avalia que, em discurso na ONU, Jair Bolsonaro se apresentou "desinformado, embrutecido, entorpecido intelectualmente sobre questões banais de compreensão filosófica, história política, globalização e pluralismo". Também foi "cínico, deliberadamente mentindo sobre danos reais que sua atuação desastrosa vem notoriamente causando ao Brasil", diz

(Nova York - EUA, 24/09/2018) Presidente da República, Jair Bolsonaro, discursa durante a abertura do Debate Geral da 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). \rFoto: Alan Santos/PR
(Nova York - EUA, 24/09/2018) Presidente da República, Jair Bolsonaro, discursa durante a abertura do Debate Geral da 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). \rFoto: Alan Santos/PR
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O discurso de abertura da sessão anual da Assembleia Geral da ONU pelo presidente do Brasil, na última terça (24/09), causou vergonha e perplexidade generalizadas aos integrantes da IV edição do Curso de Políticas Públicas em Direitos Humanos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, sala integrada por alunos oriundos de 35 países, sobretudo da América Latina, inclusive de países governados pela direita política, como Argentina, Chile, Paraguai e Colômbia. Perplexidade pelo tom descompromissado com que o dirigente brasileiro comentou sobre temas importantes à humanidade, por exemplo, meio ambiente, tolerância democrática e independência política, e vergonha pela percepção do nível de aliados políticos a que seus representantes estão conciliados internacionalmente. 

Mais do que mostrar-se cínico, deliberadamente mentindo sobre danos reais que sua atuação desastrosa vem notoriamente causando ao Brasil, o presidente apresentou-se desinformado, embrutecido, entorpecido intelectualmente sobre questões banais de compreensão filosófica, história política, globalização e pluralismo. Até mesmo sua falta de etiqueta, o caricatural apelo conservador e o desconforto em ocupar espaço de destaque na plenária, causaram espanto. 

Como brasileiro integrante do curso em Washington, me senti pessoalmente confortado constatando que o constrangimento pelo governante não era apenas meu, que pessoas que imaginei lhe apoiassem temiam pelo próprio futuro ao especular sobre eventual chegada do mesmo comportamento político em seus países. Saí com a certeza de que o presidente brasileiro viverá num casulo internacional maciço e intransponível e, como alguém que vive num espaço sufocante assim, perecerá no exaurimento do próprio ar.

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