Perplexidades

O mais escandaloso é, neste momento, a ausência de uma estratégia do lado progressista. Meio perdidos, e o PT fechado em torno ao problema de Lula, não do Brasil. Tudo está na mão da direita, que vai tentar controlar Bolsonaro, ou derrubá-lo

Em continuação ao texto que preparei, sobre as contradições do governo que vem aí, escrevi a um amigo que se questiona:

Não creio que o "coiso" foi criado por uma espécie de comitê central dos setores dirigentes. A história é mais irracional do que pensaria uma teoria conspirativa. A ascensão e vitória bolsonaresca foram escritas a muitas mãos, por uma extrema direita, Olavo, Bannon, etc. e não deveria interessar a uma direita mais inteligente e calculadora. E esta corre atrás, tentando recuperar terreno. Duas possibilidades: tentar manipular o futuro governo, ou preparar sua queda. Para ambas as possibilidades tem a informação do COAF sobre o assessor de Flávio Bolsonaro na manga. Miriam Leitão é o braço agressivo. Mas esses setores dirigentes são também heterogêneos. Por isso temos uma história em aberto. Pensando no texto de Borges, "los caminos que se bifurcam..." Não se sabe para onde, se é que haja uma bifurcação.

O mais escandaloso é, neste momento, a ausência de uma estratégia do lado progressista. Meio perdidos, e o PT fechado em torno ao problema de Lula, não do Brasil. Tudo está na mão da direita, que vai tentar controlar Bolsonaro, ou derrubá-lo. Mas são hipóteses que levanto, pois não frequento a antesala dos poderosos. Estamos realmente por fora. Em 1961, Brizola tomou a iniciativa e tentou derrotar o golpe "legal" em gestação. Jango e Tancredo levaram a um meio termo e à solução parlamentarista. Mas agora não há nem um possível Brizola, ninguém do lado de cá tem a palavra. Fica tudo nas mãos "deles", na melhor das hipóteses os Rodrigo Maia ou os Renan.

Corre uma moção contra Renan... neste momento, gostemos ou não, ele é preferível a Moro ou a Paulo Guedes. Não assino essa moção. Temos de contentar-nos com um mal menor! Sinto-me uma carta fora do baralho no futuro imediato. Por culpa de uma esquerda sem rumo.

É ficar na sociedade civil. Guerra de posições... E um longo percurso pela frente, como aqui em 64 ou no Chile em 73.

Um amigo perplexo.

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Quixote, calcado num desenho de Picasso, com um Quixote modificado, sua cabeça desoladamente olhando o solo, caminha sem rumo certo, inclinado diante de um futuro sem contornos. Caminos que se bifurcan hacia donde?

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