Piquenique no front

É possível que se precise mais do que otimismo para pensar que sociedade é essa que a modernidade tardia produziu na periferia do capitalismo e a partir daí ensaiar uma realidade que seja cronicamente viável

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21 de junho. Primeiro domingo quente, azul e ensolarado do inverno de 2020. Copacabana, zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. A praia está cheia, areia coberta de toalhas e cadeiras. No mar, mergulhos acrobáticos, nadadores de longa distância, barcos, muitos barcos, do iate ao catamarã, passando por voadeiras e jet-skis. Pelos bares, chopinho, conversa fora, churrasquinho e confraternização. O clima é de normalidade do Leme ao posto 6, com destaque para a Urca, o bairro bucólico da murada que separa a rua do Atlântico, serve de mesinha e cadeira para a degustação dos fantásticos pasteis acompanhados da cerveja geladésima do Bar Urca, e para namorar bastante. Assim foi na toada Bossa Nova do “dia de luz, festa de sol, e o barquinho a deslizar no macio azul do mar”.

No município de Duque de Caxias, a 15 km da capital, a feira de tradições nordestinas da Baixada Fluminense, segunda maior do país, patrimônio público cultural, e conhecida como o shopping a céu aberto da região, os frequentadores que chegam a 20 mil flutuantes circulam pelos mais de 2 quilômetros da rua que abriga mil barracas que vendem de bicho vivo ao sarapatel e à macaxeira frita com carne-de- sol, tudo animado pelo som de grupos de forró.

A julgar pelo que a vista alcança e as informações que chegam, está decretado o fim da pandemia do corona vírus 19 no Estado do Rio de Janeiro. Ainda assim, Copacabana é o bairro com o maior número de óbitos e Caxias é segundo município com a mais alta taxa de mortos, o que contribui para a contabilidade nacional de 50 mil brasileiros que perderam a vida entre 1 milhões 090 mil infectados até o momento do final dessa frase.

Muito se especula sobre o mundo que emergirá do fim da pandemia provocada por esse vírus que faz de cada um de nós o hospedeiro e o responsável pela contaminação e não menos improvável morte do outro. Diante dos acontecimentos, é possível que se precise mais do que otimismo para pensar que sociedade é essa que a modernidade tardia produziu na periferia do capitalismo e a partir daí ensaiar uma realidade que seja cronicamente viável.

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