Placar na ilha da fantasia

"Placar na Comissão não deve esconder a realidade política dos últimos dias: desmoralizado como uma proposta golpista, o projeto de impeachment sem prova contra Dilma Rousseff enfrenta uma resistência cada vez maior no país, como se vê nas manifestações de rua, na derrocada dos principais líderes do PSDB e do PMDB nas pesquisas de opinião. O confronto entre José Eduardo Cardozo e Jovair Arantes, horas antes da votação, deixou claro quem argumenta com base na razão e na lucidez, elementos indispensáveis para derrotar o golpe neste domingo", argumenta o colunista Paulo Moreira Leite; leia a íntegra

"Placar na Comissão não deve esconder a realidade política dos últimos dias: desmoralizado como uma proposta golpista, o projeto de impeachment sem prova contra Dilma Rousseff enfrenta uma resistência cada vez maior no país, como se vê nas manifestações de rua, na derrocada dos principais líderes do PSDB e do PMDB nas pesquisas de opinião. O confronto entre José Eduardo Cardozo e Jovair Arantes, horas antes da votação, deixou claro quem argumenta com base na razão e na lucidez, elementos indispensáveis para derrotar o golpe neste domingo", argumenta o colunista Paulo Moreira Leite; leia a íntegra
"Placar na Comissão não deve esconder a realidade política dos últimos dias: desmoralizado como uma proposta golpista, o projeto de impeachment sem prova contra Dilma Rousseff enfrenta uma resistência cada vez maior no país, como se vê nas manifestações de rua, na derrocada dos principais líderes do PSDB e do PMDB nas pesquisas de opinião. O confronto entre José Eduardo Cardozo e Jovair Arantes, horas antes da votação, deixou claro quem argumenta com base na razão e na lucidez, elementos indispensáveis para derrotar o golpe neste domingo", argumenta o colunista Paulo Moreira Leite; leia a íntegra (Foto: Paulo Moreira Leite)

O placar da Comissão Especial do Impeachment, 38 votos contra 27, é um placar típico de ilha da fantasia e não reflete a luta política real em curso no país. O enfraquecimento do golpe parlamentar articulado pela oposição, apoiada pelo Judiciário e pela mídia grande, é um fenômeno visível nas ruas, nas pesquisas de opinião, nas articulações políticas e até por uma anedota significativa.  

O discurso de Michel Temer revelou um conspirador de ópera-bufa e constitui um vexame político com poucos antecedentes comparáveis. O  caso mais semelhante ocorreu em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso sentou-se na cadeira de prefeito de São Paulo 48 horas antes de perder a eleição na maior cidade brasileira.  O episódio foi explicado como um descuido da equipe de marketing. Ontem e hoje, o que ficou claro foi a falta de consideração de ambos pela vontade do eleitor e pela soberania popular.

A diferença, como observou o jornalista José Luiz Longo, é que Fernando Henrique buscava o cargo através do eleitorado. Temer quer o presidir o país graças a uma conspiração, depois de chegar ao Jaburu como aliado da presidente que agora tenta arrancar do cargo através de um golpe sem base constitucional.

Ao contrário do que os número da Comissão poderiam sugerir, assiste-se no país a um crescimento da resistência democrática ao golpe parlamentar. Essa situação se expressa nas pesquisas de opinião, que registram uma derrocada na imagem dos principais líderes do PSDB de Serra, Aécio, Alckmin – e também do PMDB, a começar por Eduardo Cunha e Temer.   

Os protestos de massa contra o golpe mantém sua força e seu curso, como se viu se viu na manifestação da noite de ontem, com Lula e Chico Buarque, no Rio de Janeiro, numa demonstração de que não se vai assistir de braços cruzados a um assalto vergonhoso a democracia.  

Retrato inesquecível do atual momento político, a defesa de José Eduardo Cardozo demonstrou o caráter irresponsável do projeto que pretende afastar uma presidente da Republica, eleita por mais de 54 milhões de votos, sem apontar para um crime de responsabilidade. Um dos mais competentes discursos pronunciados no Congresso brasileiro em décadas, a intervenção coloca o debate no terreno real, da razão e da lucidez – instrumentos decisivos para derrotar o projeto de golpe parlamentar neste domingo.

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