Polarizar com Lula para vencer Bolsonaro e os golpistas

O ex-presidente Lula tem a capacidade de levar as eleições para outro patamar, mobilizando os setores de luta contra o conjunto do regime golpista

(Foto: Ricardo Stuckert)
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por Juca Simonard

A possibilidade do ex-presidente Lula ser candidato nas eleições de 2022 é real. Ao contrário do que acredita uma parcela da esquerda, entretanto, a retomada de seus direitos políticos representa uma crise no bloco golpista, uma vez que ocorreu devido à gigantesca desmoralização da Lava Jato, o maior escândalo político e jurídico da história do país.

Não foi, como querem acreditar alguns, um aceno da burguesia em direção a Lula. Quem acredita nessa possibilidade, esforça-se para ver uma fantasia. Da mesma forma, os diversos acenos de Lula ao “mercado” parecem ser infrutíferos. A situação atual não permite mais uma política de conciliação entre a burguesia e representantes da classe trabalhadora.

O golpe de Estado no Brasil mostrou a política de terra arrasada que a direita quer para o Brasil. Isso é impossível de ser realizado por pessoas e organizações ligadas à classe operária, como Lula e o PT, porque representaria uma desmoralização completa. Chamou atenção, por exemplo, que, após a entrevista do ex-presidente ao mercenário e pai do bolsonarismo Reinaldo Azevedo, a Band logo colocou o ex-porta voz de Collor, Cláudio Humberto, para esbravejar ataques direitistas contra o petista.

Da mesma forma, assim que Lula obteve de volta seus direitos políticos, os grandes telejornais da burguesia invocaram seus vassalos para atacar o ex-presidente. Ciro Gomes e Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro de Jair Bolsonaro) foram chamados para atacar o ex-presidente e, assim, se projetarem como possível terceira via para a direita tradicional em 2022.

A imprensa golpista dá voz ao criminoso Sergio Moro, que prendeu Lula, para tentar salvaguardar a Lava Jato. Da mesma forma, Ciro Gomes e o ex-presidente FHC aparecem ridiculamente para pedir que Lula não seja candidato à presidência. O petista, que segundo a maioria das pesquisas lidera a disputa presidencial contra Bolsonaro no primeiro e no segundo turno, deveria abrir mão da candidatura para favorecer algum político criminoso, genocida e desmoralizado do PSDB-DEM ou Ciro Gomes.

Da mesma forma, como mostram os grandes jornais da burguesia, por mais que possa usar Lula, inicialmente, para atacar Bolsonaro e tentar desidratá-lo eleitoralmente (e assim pavimentar o caminho para um candidato de direita alternativo), a direita tem na manga a carta de mais uma condenação fajuta contra Lula - desta vez em Brasília, onde o juizo não está tão imerso em escândalos criminais.

A esquerda precisa entender esta situação para saber como atuar. A crise do regime político, acentuada pelo golpe, colocou o cenário da polarização. A burguesia não aceitará Lula, expressão eleitoral da classe trabalhadora, de volta à presidência. Não estamos mais em 2002, quando houve um acordo entre o PT e a burguesia para apagar o incêndio causado pela política neoliberal de FHC. Estamos em 2021, a caminho de um 2022 ainda mais caótico. Numa situação de golpe de Estado e de extrema instabilidade política, na qual se define o novo regime que deve surgir após a ruptura com o que foi formulado pela Constituição de 1988.

A esquerda precisa compreender que a atual candidatura de Lula se assemelha muito mais ao cenário de 1989. Um cenário de polarização no qual Lula, além de ser o candidato principal contra a direita neoliberal, é também um nome que eleva as eleições a outro patamar, permitindo uma mobilização dos setores de luta contra o conjunto do regime golpista. É preciso apostar na polarização para vencer.

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