Polícia do Exército protege Bolsonaro de protesto de pais, alunos e professores

O jornalista Ricardo Kotscho escreve sobre os protestos de pais, alunos e professores do Rio, especialmente do Colégio Pedro II contra Bolsonaro na manhã desta segunda-feira: "Os protestos contra Bolsonaro, ao entrar no seu quinto mês de governo, estão saindo das redes sociais para as ruas e, quando isso começa, ninguém sabe como vai acabar"

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Polícia do Exército protege Bolsonaro de protesto de pais, alunos e professores


Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia - De um lado, pais, alunos e professores de colégios federais no Rio, com faixas e cartazes.

Do outro lado da calçada, tropas do Polícia do Exército com metralhadoras.

No meio, ficou o presidente Jair Bolsonaro cercado de generais, incluindo o vice Mourão.

Esta cena bélica, em frente ao Colégio Militar do Rio, que comemora 130 anos, poderá se tornar corriqueira depois que o governo decidiu abrir guerra contra as universidades e instituto federais, com o corte de 30% das verbas para este ano.

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Os protestos contra Bolsonaro, ao entrar no seu quinto mês de governo, estão saindo das redes sociais para as ruas e, quando isso começa, ninguém sabe como vai acabar.

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Não por coincidência, o último presidente da República a participar de uma cerimonia no Colégio Militar foi o general João Figueiredo, já nos estertores da ditadura militar.

De Figueiredo da Bolsonaro, o país viveu mais de 30 anos em paz, com presidentes civis se revezando no governo e os militares nos quartéis.

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Com a vitória do capitão reformado pelo Exército aos 33 anos, os militares voltaram ao poder central, espalhando-se pelo Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios.

O protesto contra Bolsonaro no Rio abriu uma semana que promete novas e fortes emoções.

A crise política permanente agora se tornou também militar, com o confronto aberto entre o presidente, seus filhos e olavetes contra o general Santos Cruz, secretário geral da Presidência e chefe da Secom.

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Santo Cruz defende algum tipo de  regulação da terra de ninguém das redes sociais, em que é violentamente atacado há varias semanas pelo auto-proclamado guru Olavo de Carvalho e seus fanáticos seguidores.

Bolsonaro agora virou defensor da imprensa livre em todas as plataformas e chamou Santos Cruz para uma conversa no domingo à noite no Palácio da Alvorada.

Foi uma conversa dura entre capitão e general em que nenhum dos dois recuou das suas posições, segundo o portal de O Globo.

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A relação de Bolsonaro com os generais que o cercam já não é a mesma do início do governo.

Não só os militares da reserva, mas também os da ativa, estão preocupados com os reflexos que os desatinos de Bolsonaro podem ter sobre a imagem das Forças Armadas.

Pode-se imaginar o que poderia acontecer nas ruas da Tijuca, onde fica o Colégio Militar, se houvesse algum confronto da Polícia do Exército com os manifestantes.

Há quanto tempo não víamos soldados da PE preparados para a guerra em manifestações estudantis para proteger o presidente da República?

Algo se move nos subterrâneos da insatisfação de grande parte da população com o governo, como mostraram todas as últimas pesquisas.

Pensando bem, até que a reação das ruas estava demorando diante dos sucessivos ataques do atual governo aos pilares da democracia.

Vida que segue.

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