Por excesso de incompetência, Bolsonaro se tornou intragável até para o sistema

O editor e colunista do 247 Gustavo Conde observa uma mudança na relação entre grande imprensa e Bolsonaro. Para Conde, o script do cheque depositado na conta da esposa, muda a abordagem e o apetite da mídia populista. Ele diz: "o caso é que o governo de turno é um naco suculento de escândalos e o alinhamento deles com o sistema é cheio de furos (...)  o governo Bolsonaro já entrou na ciranda dos governos intragáveis para o sistema, justamente por ser incompetente em dar um 'verniz' nesse teatro demagógico"

Por excesso de incompetência, Bolsonaro se tornou intragável até para o sistema
Por excesso de incompetência, Bolsonaro se tornou intragável até para o sistema (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )

Por Gustavo Conde, para o Jornalistas pela Democracia – O script do jornalismo padrão acabou por se precarizar e por invadir o terreno desconhecido das repetições infinitas.

Eles curtem mesmo é derrubar governo. Parece que isso virou um fetiche. Dane-se o país. O negócio é fustigar o poder, seja ele qual for - o que seria até uma premissa legítima. 

Minto. Seja ele qual for, não, porque se fosse o PSDB, tudo estaria em lua de mel profunda.

O caso é que o governo de turno é um naco suculento de escândalos e o alinhamento deles com o sistema é cheio de furos.

Moro fugindo de jornalista é uma cena sensacional, atrativa, sedutora, narrativamente rica para os scripts precarizados da mídia hegemônica.

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Em outras palavras, o governo Bolsonaro já entrou na ciranda dos governos intragáveis para o sistema, justamente por ser incompetente em dar um "verniz" nesse teatro demagógico (que o PSDB soube dar tão bem).

A narrativa das transações pequenas, cheques, depósitos e saques é muito "novelesca" e atende aos interesses da mídia populista.

Ademais, a imprensa sabe que manter a audiência no cabresto do ódio - seja ele direcionado para onde for - é o que lhe resta em termos de adesão e efeito credibilidade (mínima, forjada que seja).

A imprensa sabe também que a implosão de Bolsonaro, Moro e Paulo Guedes não significa 'derrota do sistema'. A queda desses boçais não vai mudar em nada a felicidade deles em ter "tirado o PT".

Ou seja: cai Bolsonaro, sobe outro preposto do mercado no lugar (inclusive, um que desempenhe melhor o papel). Eleição mesmo, só em 2022.

Daí, que é bom já ir se preparando: vamos assistir o tombo cinematográfico desse grupo deslumbrado com o poder, com destaque para Sergio Moro.

A imprensa vai ter prazer em jogar esse cidadão no lixo, ainda mais agora que ele virou um político. Dá Ibope enterrar ex-juiz vaidoso.

Lula sabe de tudo isso. Ele aguarda o momento em que vai ser apontado pelo próprio sistema com a única salvação do país, por aclamação-sinuca-de-bico: todos irão correr para embaixo da saia dele (até porque, ele luta como uma mulher).

A história não é um bichinho bem comportado. Ela é o resultado dos movimentos legítimos de discurso, ela responde a quem lhe interpela, ela pulsa no ritmo daqueles que a respeitam e que a entendem.

Foi providencial a ascensão desse grupo político monstruoso. Só assim, eles poderiam ser destruídos.

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