Por que é díficil mexer com o mito Eduardo Campos

Eis que o fato narrado acerca da operação revela algo muito grave: "o objetivo da ação policial é desarticular um grupo especializado em lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010 – todo ele ligado ao ex-governador"

Eduardo Campos e Marina Silva visitam a ExpoCrato, feira agropecuária realizada na cidade do Crato, CE.
Eduardo Campos e Marina Silva visitam a ExpoCrato, feira agropecuária realizada na cidade do Crato, CE. (Foto: Walter Santos)

Quem reside em Recife, Pernambuco como um todo, sabe da enorme dificuldade que é colocar em pauta nas rodas sociais ou na midia qualquer assunto que diga respeito ao passado do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 2014, sobretudo, se a(s) temática (s) for(em) de valor indigesto, portanto, a afetar a imagem mítica do ex-socialista, lider do PSB Nacional.

Agora mesmo, com a ação da Polícia Federal para prender empresários conhecidos em todo Pernambuco como aliados e "operadores" do ex-governador, em face de investigações apontando-os como interlocutores de esquema fraudulento – tratar deste assunto em Recife é um "nó górdio", um problemão do tamanho do mundo.

ANTES DE MAIS NADA, O FATO

De acordo com todos os veículos de comunicação do País, a operação desta terça-feira envolve diretamente os empresários Apolo Santana Vieira e João Lyra de Mello Filho, apontados como donos do avião Cessna Citation PR – AFA usado por Eduardo Cunha e Marina Silva em campanha, bem como Eduardo Bezerra Leite e Arthur Lapa Rosal, que também teriam financiado parte da compra da aeronave.

Mas, eis que o fato narrado acerca da operação revela algo muito grave: "o objetivo da ação policial é desarticular um grupo especializado em lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010 – todo ele ligado ao ex-governador".

A operação foi iniciada após agentes federais encontrarem movimentações financeiras suspeitas nas empresas envolvidas na compra do avião. Tem até a ver com a operação Lava Jato.

MAIS FATOS GRAVES

A Policia Federal informou ainda que, "muitas das empresas envolvidas eram de fachada, operadas por laranjas, e que realizavam transações financeiras entre si, além de operarem conjuntamente com outras empresas fantasmas, incluindo algumas investigadas pela Operação Lava Jato".

Há suspeita, ainda, de que "as contas das empresas sob suspeita eram utilizadas para o pagamento de propinas a políticos e a formação de caixa dois por empreiteiras".

DESDOBRAMENTOS E FUTURO

Certamente que, no decorrer dos próximos tempos, aliados mais próximos do ex-governador traduzirão as investigações como perseguição política, embora a esta altura do campeonato seja pouco improvável que a estrutura de poder vigente iria permitir a manutenção do processo sem que houvesse procedência nas suspeitas, contra um aliado da grande conspiração para tirar Dilma e o PT do Poder.

Este conjunto de fatos se traduz numa espécie de descortinamento ruim diante da imagem de mito do Lider Eduardo Campos.

Sem sua presença para se defender, tudo fica muito difícil de ser abordado, entretanto com o desdobramento de todo o processo não é exagero admitir que o caso respingará em pessoas no presente, pois disto não há mais dúvidas.

PARA A HISTÓRIA

Em 2014, a apresentação do Projeto do "Arco Metropolitano", na Grande Recife – de Goiana até Suape, através de consórcio entre construtoras nacionais, acabou que gerando curto-circuito entre o ex-governador e a presidenta Dilma.

É que o projeto orçado em R$ 1,3 bilhão teve exame produzido por setores de engenharia do Governo Federal reduzindo o valor para um pouco mais de R$ 1 bilhão.

Coincidência ou não, o fato é que a partir deste contexto, o lider do PSB começou seu afastamento do governo petista.

SÍNTESE

Enfim, seja o que for ou como for, nada mais do que a verdade se faz indispensável conhecê-la.

Quanto ao juízo de valor, isto fica a cada um dos seres humanos deste País cheio de controvérsias.

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