Porém esperamos (ainda esperamos)

Jair Bolsonaro vive dentro de uma garrafa, numa zona de trevas. Ao dizer que o Brasil é um país de “maricas”, ele nem sequer identifica a existência da mulher como ser-político

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Aquele lá que nos governa nunca disse coisa com coisa. É óbvio? É. Mas tem de ser dito. Estamos cansados de assistir e ouvir brutalidades. Além de um histrião com vasto repertório em truculências, o inquilino do Alvorada encontrou tempo para chamar o brasileiro de “maricas”. O discurso mistura homofobia e pouca-vergonha.

Um dia, se indagado por que Bolsonaro foi eleito presidente da República, eu direi que a trajetória é longa, mais do que de costume, mas vou reescrever a história. É só me darem lápis suficiente para isso. 

Pelo olhar perturbado do presidente (olhar do macho, valentão), “maricas” é um homem que não se enquadra nos padrões da masculinidade. Pouco basta para perceber que o “maricas” – para o presidente – é aquele que tem características femininas. Não há realmente pior forma de ver o mundo. 

O diabo é que Jair Bolsonaro vive dentro de uma garrafa, numa zona de trevas. Ao dizer que o Brasil é um país de “maricas”, ele nem sequer identifica a existência da mulher como ser-político (ver aqui). É que, para o bolsonarismo, as mulheres são quase invisíveis. 

No geral, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Bolsonaro, Damares Alves, representa um governo misógino. No fundo, o Ministério da Mulher é ornamental, pois é impossível “separar bolsonarismo do antifeminismo” (aqui).

Ora, os Direitos Humanos são vistos pela ultradireita de forma cada mais sectária e conservadora e Bolsonaro tem um discurso de culto à hipermasculinidade. Apesar da ênfase na família por meio do lema “Deus, pátria e família”, o governo usa o vocábulo como se fosse autoevidente, sem esforço de demarcação de seus limites, e o termo é tratado com foco na “família” heterossexual. 

Inequívoco que o arranjo do atual governo nasce com todos os ingredientes para esvaziar políticas públicas e virar algo contra indivíduos fragilizados, um claro prejuízo a grupos minorizados, como é o caso de povos indígenas e população LGBTQ+.

É triste, mas o Brasil, de vexame em vexame, tem passado por um processo de naturalização da barbárie. Agindo assim, o governo brasileiro rejeita a ser espaço de “todos” (todos mesmo). 

Todavia, esperamos (ainda esperamos!) um contraponto popular mais enérgico contra os arroubos autoritários do presidente. 

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