Portabilidade nas eleições de Campinas para São Paulo

Em Campinas Rafa Zimbaldi e Dário Saadi representam a continuidade da gestão do atual prefeito Jonas Donizette

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Tenho o direito – e o dever – de votar no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Campinas. As duas candidaturas remanescentes receberam juntas menos de 50% dos votos válidos. Ou seja, somos chamados a escolher entre aqueles que foram preteridos pelas urnas! Existem propostas não oficiais de, nesses casos, agregar o terceiro mais votado para a segunda chamada, o que supriria tal dissonância, mas é ilusão qualquer mudança nesse sentido.

Em Campinas Rafa Zimbaldi e Dário Saadi representam a continuidade da gestão do atual prefeito Jonas Donizette, concluinte de seu segundo mandato. No debate na Band desta semana ficou claro que a disputa entre eles é ser ou não o homem do Jonas, ter mais ou menos envolvimento com corrupção e o nível de aceitação ou refutação das denúncias de má gestão contra si. Ou seja, acusaram-se reciprocamente em ser o campeão em tais quesitos sem, no entanto, desmentir que tais deméritos caem sobre si próprios. Literalmente a escolha será entre os piores. 

Por menos de 7 mil votos Pedro Tourinho do PT, coligado com o PSOL, não foi um dos finalistas. Os críticos apontam a independência da candidatura de Alessandra Ribeiro do PCdoB que conquistou pouco mais de 12 mil votos como uma das razões de tal batida na trave. No entanto, o partido de Alessandra precisava manter seu espaço, especialmente devido à extinção das coligações para as candidaturas a vereador. O PCdoB reelegeu seu vereador Gustavo Petta para a Câmara Municipal. Os votos dados a todos os candidatos e à legenda do PCdoB são equivalentes aos dados à Alessandra (apenas mil a menos). É uma aritmética a posteriori difícil de ser feita. 

Nota-se a importância da coligação PT-PSOL para prefeito que teve cerca de 56% a mais de votos dos que os dados aos candidatos a vereador desses dois partidos. A distribuição entre ambos na eleição para vereador foi de 54,4% para o PT e 45,6% para o PSOL, diferença que faz com que o PT tenha três vereadores na próxima legislatura e o PSOL, dois, incluindo a puxadora de votos Mariana Conti, reeleita. A ascensão de um novo perfil da esquerda está muito bem exemplificada pela eleição em Campinas. 

Nesse contexto, quero reivindicar a possibilidade de portabilidade do voto. Quero usá-lo não em Campinas, por total falta de opção, mas em outro colégio eleitoral. Para não ter de mudar de TRE, opto por São Paulo, pois ali a coligação esperada no primeiro turno está acontecendo com a devida ênfase e extensão no segundo. A população da capital não mais quer a parte do todo. Ela quer 100%, ainda que em duas parcelas: 50 já foi e 50 virá no dia 29.

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