Pré-candidatura tampão mantém Lula vivo na disputa

O golpe e a perseguição política já se cristalizaram na comunidade internacional e na maior parte da população brasileira. O que falta agora é consolidar na percepção das massas o entendimento de que elas foram as maiores vítimas dessa conspiração político-judicial

O golpe e a perseguição política já se cristalizaram na comunidade internacional e na maior parte da população brasileira. O que falta agora é consolidar na percepção das massas o entendimento de que elas foram as maiores vítimas dessa conspiração político-judicial
O golpe e a perseguição política já se cristalizaram na comunidade internacional e na maior parte da população brasileira. O que falta agora é consolidar na percepção das massas o entendimento de que elas foram as maiores vítimas dessa conspiração político-judicial (Foto: Celso Raeder)
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No atual estágio do calendário eleitoral, todos os postulantes à presidência da República estão na condição de pré-candidatos. Entendido isso, o que impede o Partido dos Trabalhadores de ocupar os espaços na mídia com a representação simbólica do presidente Lula nos debates, sabatinas e entrevistas? Se os golpistas querem enfraquecer a luta da frente progressista pela liberdade e direito de disputar as eleições daquele que é disparado o favorito no certame, então porque não transformar a adversidade numa oportunidade de espalhar o pensamento e a imagem de Lula no campo do inimigo? A senadora Gleisi Hoffmann, por exemplo, poderia assumir essa responsabilidade com grande competência.

Que tremenda saia justa para a mídia golpista tê-la como "pré-candidata tampão", pontuando repetidas vezes que está ali como a voz do presidente Lula, enquanto persistir o arbítrio e a violência que destruiu o estado democrático de direito. Em todas as oportunidades, Gleisi posaria com uma camisa estampada com a imagem "Lula Livre, Lula Presidente!", explicando para o povo brasileiro que o PT não está na disputa pelo poder, mas sim pela restauração da democracia, pela devolução dos milhões de empregos perdidos, pela volta dos programas sociais que tiraram o povo da miséria, e que tudo isso depende tão somente da liberdade de Luís Inácio Lula da Silva. E ficará nessa posição até o último dia para o registro definitivo das candidaturas, quando o PT homologará o nome de Lula, esteja ele na posição que estiver.

Não há impedimento legal algum que possa evitar a participação de um pré-candidato tampão nos programas de TV. Estou sugerindo o nome da senadora por ser ela a presidente do PT, cuja lealdade a Lula não deixa qualquer sombra de dúvidas sobre o papel que ela desempenhará neste momento. Gleisi terá a oportunidade de desmascarar o golpe no nascedouro da conspiração. Por que Paulo Preto tem mais de R$ 100 milhões na Suíça e o Gilmar Mendes o tirou da cadeia? Por que a Lava Jato ainda não entrou na esfera do Judiciário? Por que Barroso acusou Gilmar de estar sempre atrás de algum interesse que não seja a Justiça? E por que este retrucou mandando que Barroso fechasse seu escritório de advocacia? É esse o Poder Judiciário que mantém Lula preso?

Uma pré-candidatura tampão também encerra as especulações sobre qualquer possibilidade de Plano B ou aliança com candidatos de outros partidos. É Lula ou Lula e ponto final. É preciso usar a mídia golpista a serviço da resistência, e libertar o povo das amarras da manipulação. Uma linguagem recheada por exemplos e comparações para facilitar a compreensão popular, a cobrança sistemática da omissão de entidades representativas da sociedade, como a OAB, a CNBB e a ABI, que assistem impassíveis a escalada fascista tomando corpo e forma no Brasil, desonrando o nome de figuras ilustres como Sobral Pinto, Dom Hélder Câmara e Barbosa Lima Sobrinho.

A liberdade de Lula ocorrerá pelo barulho das ruas. O golpe e a perseguição política já se cristalizaram na comunidade internacional e na maior parte da população brasileira. O que falta agora é consolidar na percepção das massas o entendimento de que elas foram as maiores vítimas dessa conspiração político-judicial. Lula está preso e o trabalhador sem seus direitos. Lula está preso e a aposentadoria ficou para depois da morte. Lula está preso e as riquezas do pré-sal foram transferidas para os Estados Unidos. Lula está preso e 25 milhões de brasileiros perderam o emprego. Tudo corre em paralelo. É preciso, portanto, acender esse estopim de cidadania. Gleisi, pré-candidata tampão, pode riscar esse fósforo.

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