Prepotente e orgulhoso, como a Globo

William Waack denota, em "Não sou racista, minha obra prova", na Folha de São Paulo, ser orgulhoso, prepotente e vaidoso. Não fala do fundo da alma para explicar o que fez de odioso e errado e, com isso, redimir-se, pedindo desculpas. Foge, utilizando desculpas esfarrapadas, como vítima de uma conjuração silenciosamente arquiteta pelos adversários

william Waack
william Waack (Foto: César Fonseca)

William Waack denota, em "Não sou racista, minha obra prova", na Folha de São Paulo, ser orgulhoso, prepotente e vaidoso.

Não fala do fundo da alma para explicar o que fez de odioso e errado e, com isso, redimir-se, pedindo desculpas.

Foge, utilizando desculpas esfarrapadas, como vítima de uma conjuração silenciosamente arquiteta pelos adversários.

Ataca indiretamente a Globo.

Cospe no prato em que comeu, dizendo ser ela prisioneira das redes sociais, capando sua ousadia, para voos mais altos.

Não fez nada disso, enquanto lá esteve, conduzindo programa de entrevistas, reduzindo-se ao figurino do patrão

Não tem humildade alguma, como destaca Paulo Moreira Leite.

Para se defender, recorre à opinião alheia(Glória Maria, repórter, e Carmem Lúcia, ministra, presidente do STF), quanto ao comentário fatídico, "seu merda..., isso é coisa de preto.", caracterizando-o como piada de português.

Teria sido mera piada?

PRODUTO DE CIRCUNSTÂNCIAS

Não se pode separar William Waack do seu ex-habitat profissional, Rede Globo, para analisar seu deslize fatal, relativamente, ao racismo que praticou.

Ele objetivou fazer piada, naquele momento de tensão, de gravação de entrevista/comentário político com o jornalista/lobista, Paulo Sotero, sobre resultado da eleição americana, contrário, aliás, aos interesses da Globo, aliada de Hillary Clinton e do staff imperial por trás dela, na disputa eleitoral?

Ou produziu desabafo irado, nada engraçado, como, de fato, ocorreu: "Seu merda..."?

Seu estado de espírito, claramente, era outro.

Mais lógico supor que carregava em si, consciente ou inconscientemente, descontentamento, quanto ao fato objeto da notícia, a derrota do Partido Democrata, defendido, amplamente, pela mídia conservadora americana, à qual se alinha ideologicamente a Globo.

Intelectualmente, desonesto, não faz, no seu artigo, julgamento rigoroso de si.

Embalado pelo grande prestígio que alcançou como profissional de comunicação, a conferir-lhe áurea de autossuficiente, mostra-se incapaz de ser humilde, atributo e conquista humana suprema.

Orgulhoso, procura construir narrativa sobre sua própria trajetória profissional, fugindo do essencial, tomado, como se mostra, de sensação de ubiquidade.

Tenta separar-se, enquanto personalidade, amplamente, projetada pelo poder midiático oligopolizado conservador, desse mesmo poder, com o qual, no entanto, se identifica(va), ideologicamente, conscientemente.

LIXO TÓXICO

O problema é que o oligopólio midiático brasileiro se tornou lixo tóxico, que lança toxinas capazes de produzir doenças degenerativa mentais em forma de ideologia arrogante, alienadora.

O objetivo, invariavelmente, é tentar inverter valores morais, sociais, econômicos etc, para se estabelecer como verdade, verdade oligopolizada, pretensamente, absoluta.

O ser humano, dominado por essa intoxicação, vira xerox do oligopólio midiático, conservador, preconceituoso: não pensa por si mesmo, criticamente.

Analogamente, lixo tóxico midiático é como lixo super-tóxico que se deposita no intestino grosso em decorrência de ingestão de alimentos inadequados e mal mastigados, a produzir fermentação, toxinas e, consequente, febre intestinal.

Eleva temperatura do corpo, cujas consequências, segundo médicos naturopatas, são destruição do fígado e da vesícula biliar, concorrendo para produção de doenças degenerativas(cânceres, Alzheimer, Parkson etc).

Waack, tal como a Globo, produto de conjuntura, no meio da qual se realiza, profissionalmente, acabou virando, também, lixo tóxico global oligopolizado.

No Globonews Painel, que comandava, intoxicava o telespectador, à moda Globo.

Três eram seus convidados para debater situação nacional e internacional.

Três opiniões, sempre, absolutamente, convergentes.

Nenhum contraditório.

Não cumpria o mandamento número um do jornalismo: ouvir os dois lados da notícia.

Jamais tomava a realidade como ela é, dual, interativa, dialética, contraditória, a evoluir mediante contradição, negação.

NARCISTA EMPEDERNIDO

Waack emergia, em meio às "certezas" exaladas pelos pontos de vistas absolutistas convergentes dos seus convidados, convicto de suas observações intercaladas de comentários, recheados de elogios a si mesmo, como comentarista internacional.

Puro narciso.

Como cultivar humildade, no ambiente da prepotência vaidosa?

Demonizava o que, pejorativamente, denomina populistas e patrimonialistas, desdenhando, especialmente, os sul-americanos.

Trotski, exilado no México, disse que o fenômeno populista latino-americano decorria da fragilidade dos partidos políticos.

O povo, explorado, sofrido, diante dessa fragilidade político partidária em democracias conduzidas por impérios coloniais, identificava, para além dos partidos, o líder que fala sua língua: Getúlio, Peron, Cárdenas, Chavez, Lula etc.

Em 1955, em Bandung, Indonésia, Perón defendeu "Tercera Posicion", nem capitalismo nem comunismo, mas um sulamericanismo integracionista, como diz primeiro capítulo da Constituição brasileira.

Pecado mortal, no quintal dos Estados Unidos.

Intelectualmente, William Waack, é, como muitos, fruto da USP, construída, segundo Jessé Sousa, em "A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato", para destruir Getúlio e o populismo.

Waack e seus correlatos combatem o populismo e o patrimonialismo, para demonizar a vontade popular.

São arredios a encarar as raízes do problema nacional, a escravidão, como formação do real concreto em movimento de negação dialética, como destaca Jessé.

Preferem se ater ao brasileiro cordial, distante da luta de classe, na linha conservadora determinada pela visão estabelecida, em "Raízes do Brasil", por Sérgio Buarque de Holanda, ao qual se alinha tanta gente, entre outros, o sociólogo presidente FHC, servil ao Consenso de Washington.

RACISMO CONGÊNITO

A Rede Globo, na qual frutificou o brilhante conservador William, jornalista e cientista político uspiano, suprassumo da equipe global, é, embora diga o contrário, profundamente, racista.

Onde está a novela, cujo protagonista principal tenha sido, ou seja, um negro?

A Globo não é coisa de preto, nunca foi e está condenada a nunca ser.

Nos programas informativos, conta-se nos dedos, os profissionais negros, em posição de destaque, ao contrário do que se vê na TV americana, país onde tem tanto negro como no Brasil.

Alguém viu correspondente internacional negro na Globo?

Alguém viu, com regularidade, convidado negro ser entrevistado por Waack?

Qual a expressão cultural máxima brasileira, nacionalmente assimilada, comandada, em sua maioria, por negros e pobres?

Claro, o samba e o choro.

Cadê programa, na grade global semanal, a dedicar-se sobre o tema, como algo essencial, para fortalecer as raízes culturais do povo brasileiro?

A Globo não deixa a luta de classes, motor da história, fluir com naturalidade.

Pelo contrário.

FRUTO DE GOLPE MILITAR

As organizações Globo nasceram com o golpe militar de 1964, financiado pelos americanos.

Roberto Marinho, cafuzo da gema, que passava talco para ficar esbranquiçado, posicionou-se contra Castelo Branco, disposto, politicamente, a marcar eleições presidencial e parlamentares, em 1965.

Apelou ao Departamento de Estado americano, em comunicação conhecida, contra determinação castelista, democrática.

Aliou-se a Tio Sam, como aliam-se a ele, hoje, contra a democracia, o judiciário e a PGR, na promoção da Operação Lavajato, com objetivos escusos, para detonar economia e a Constituição democrática de 1988.

Roberto Marinho queria a continuidade do golpe.

Afinal, a democracia impediria a construção, com apoio dos americanos e militares golpistas, da oligopolização midiática imperiosa.

A Globo é, aparentemente, brasileira; essencialmente, é americana.

É só falar em democratização dos meios de comunicação, no Brasil, que, imediatamente, os globistas, como Waack, etc e tal, reagem: isso é populismo, patrimonialismo etc.

Waack esteve, profissionalmente, seguindo linha oligopólica midiática golpista, para detonar presidenta eleita com 54 milhões de votos.

AGENTE DA CIA?

Competente, extrovertido, brilhante, super-informado, conservador, reacionário, acusado por Wikileaks agente da CIA, era o melhor quadro da Globo.

Aparentemente, antirracista, no comando do seu programa antijornalístico, embalava, sem o devido contraditório, falsas verdades neoliberais, cujas consequências ampliavam visões racistas, no plano político, econômico e social.

A direção da Globo, certamente, lamentou demitir o profissional exemplar, refém da sua alienadora linha editorial.

Quando Waack diz que sua obra desmente sua condição de racista, equivoca-se: o conteúdo do seu profissionalismo extraído nas determinações do oligopólio midiático, diz outra coisa, justamente, o que tenta negar.

Não percebe seu inconsciente comprometido com o conteúdo racista exercido pela Globo, onde se contaminou.

Demitido por racismo, fora da Globo, inteligente como é, fará reflexões.

Porém, seu artigo demonstra estar, ainda, cheio de ódio, orgulho machucado, ressentimento, convencido da incerteza do seu erro.

Sair da Globo pode lhe fazer bem, permitindo-o iniciar processo de desintoxicação ideológica.

Boa sorte, colega.

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