Processo no Senado é pra lavar o golpe mais branquinho

A hipótese de Dilma ser afastada agora e voltar depois com os votos de senadores responsáveis com o destino da Nação é uma fantasia. Por isso, o governo erra ao tratar o Senado como se fosse um espaço muito diferente da Câmara, com políticos muito mais responsáveis e que vão analisar o processo de forma diferente

A presidente Dilma Rousseff, acompanhada do presidente do Senado, Renan Calheiros
A presidente Dilma Rousseff, acompanhada do presidente do Senado, Renan Calheiros (Foto: Renato Rovai)
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Por um bom tempo o sabão em pó Omo utilizou como seu mote de marketing a frase, Omo lava mais branco. Recordo-me em especial de um desses comerciais onde a mãe pegava duas camisas de futebol do filho, completamente imundas, e lavava uma com Omo e outra com um sabão em pó diferente. E, claro, a primeira ficava alva como a neve. E a segunda, um desastre.

O governo e os militantes anti-impeachment não devem ter qualquer ilusão com o Senado, porque cada dia fica mais claro que não há praticamente chance alguma de Dilma não ser derrotada por lá.

No meio de maio ela será afastada, como já está claro. E aí abrem-se duas hipóteses que independem de crime de responsabilidade, porque isso não está sendo considerado pelos julgadores.

A primeira é a de Temer conseguir montar uma operação política que dê alguma segurança de que ela vai conseguir tocar o barco. E aí, Dilma será condenada por mais de 2/3 dos senadores.

A segunda, é a de Temer cair em desgraça em curto espaço de tempo e, neste caso, a hipótese de Dilma voltar só acontecerá se passar por um acordo em que ela aceite convocar novas eleições para presidente da República.

A hipótese de Dilma ser afastada agora e voltar depois com os votos de senadores responsáveis com o destino da Nação é uma fantasia.

Por isso, o governo erra ao tratar o Senado como se fosse um espaço muito diferente da Câmara, com políticos muito mais responsáveis e que vão analisar o processo de forma diferente.

Ao fazer isso, só garante a esta Casa uma autoridade maior para condenar Dilma. E dá a condição que os golpistas precisam, a de fazer com o impeachment sai do Senado mais branquinho, porque a imagem da Câmara votando-o no domingo deixou péssima impressão na sociedade.

Ou seja, se o governo não quiser continuar errando e fazendo papel de bobo nessa história tem que enfrentar de vez o bicho. Denunciar o golpe sem meias palavras e sem medo de Renan Calheiros e de alguns juízes do Supremo.

Por que se não fizer isso de forma clara agora, não adiantará tentar fazê-lo depois que todas as etapas tiverem sido cumpridas.

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