Propina da sacristia e do quinto dos infernos

Léo Pinheiro, da OAS, afirma em delação premiada que Aécio Neves cobrava das empreiteiras envolvidas uma taxa de 3% sobre as obras do Centro Administrativo de Belo Horizonte. Vamos aguardar com que agilidade o STF tratará desta grave denúncia contra um dos maiores responsáveis pela instabilidade do país e pela campanha do impeachment contra a presidenta Dilma

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza sabatina interativa de indicados para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). À bancada, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza sabatina interativa de indicados para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). À bancada, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (Foto: Chico Vigilante)

A cada dia o povo brasileiro amplia sua certeza de que o golpe foi montado para mudar os rumos políticos e sociais do Brasil e salvar da cadeia a quadrilha que armou o impeachment e tomou de assalto o poder.

Uns atrás dos outros os indícios se acumulam  e a cada dia brotam desenfreadamente, como um rio subterrâneo que saiu da rota e explodiu e não há mais como seguir seu curso original.

Como se já não bastassem todas as nossas certezas sobre o mau caráter de homens como Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e muitos outros, novas denúncias se empilham em seus currículos.

Na mais recente delas, Léo Pinheiro, da OAS, afirma em delação premiada que Aécio Neves cobrava das empreiteiras envolvidas uma taxa de 3% sobre as obras do Centro Administrativo de Belo Horizonte, o que leva a crer que Aécio teria recebido propinas num montante de R$390 milhões.

Léo Pinheiro afirmou que as propinas eram pagas por meio de Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Codemig,  responsável pela licitação da obra, orçada em R$1,3 bilhão.

O cálculo feito por Pinheiro é detalhado: como a OAS recebeu R$ 102,1 milhões do total da obra, os 3% da suposta  propina seriam equivalentes a pouco mais de R$ 3 milhões. Se todas as empreiteiras que participaram das obras do Centro Administrativo tiverem pago a mesma porcentagem em propina – o que é bastante provável -  Aécio terá embolsado cerca de R$ 390 milhões.

Oswaldo Borges, responsável pela licitação  e pelo recebimento das propinas era, coincidentemente, tesoureiro informal das campanhas do senador, dono do avião usado em seus deslocamentos, e praticamente da família: é casado com uma prima do padrasto de Aécio.

Vamos aguardar com que agilidade o STF tratará desta grave denúncia contra um dos maiores responsáveis pela instabilidade do país e pela campanha do impeachment contra a presidenta Dilma.

Sobre outro golpista, o traidor mor Michel Temer mais uma denúncia se soma esta semana a todas as outras já existentes.

Em proposta de delação premiada com a Operação Lava Jato, em Curitiba, o empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da construtora Engevix, afirma que Temer recebeu propina de R$ 1 milhão para que a Engevix ficasse com o contrato para as obras da usina de Angra 3.

A revelação, publicada pela Revista Época, detalha que o contrato, no valor de R$ 162 milhões, fora vencido pela Argeplan, cujo sócio é o ex-coronel da Polícia Militar, João Baptista Lima Filho, "homem de total confiança de Michel Temer", e responsável pela subcontratação da Engevix.

O pagamento teria sido executado por uma prestadora da Engevix a uma outra empresa do coronel Lima.

O empresário Antunes Sobrinho diz também em proposta de delação que chegou a se encontrar com o coronel Lima e com o próprio Temer no escritório do interino, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo.

O cerco está se fechando. Por mais que exista uma trama dos golpistas dirigida contra o PT e seus líderes, os empresários presos não podem confessar que pagaram propinas sem dizer a quem pagaram.

A delação de Marcelo Odebrecht, única saída que lhe restou após a absurda pena de  quase 30 anos de prisão imposta a ele por Sérgio Moro, promete abalar as estruturas dos três poderes no Brasil.

Esta será a prova de fogo da Operação Lava Jato. Estará mesmo disposta a mostrar toda a amplitude das informações que Marcelo Odebrecht promete revelar?

Ou vai protelar, protelar até que o processo do impeachment de Dilma no Senado chegue ao fim e o hoje cambaleante Temer seja consumado e se sinta suficientemente forte para ordenar que “a sangria seja estancada” como pregava Romero Jucá, Sérgio Machado e sua turma.

Tudo indica que a Lava Jato quer estancar a sangria da exposição dos golpistas denunciados por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc. Mas continuar a prender e condenar petistas.

Se existe corrupção temos que saber quem pagou e quem recebeu e principalmente temos que propor uma reforma política que altere a necessidade de financiamentos privados de campanhas eleitorais e que coíba a prática de caixa dois e aliado a ela o roubo indiscriminado para engordar contas pessoais.

Pela primeira vez, segundo a Revista Época, “os investigadores da Lava Jato se perguntam se as instituições serão capazes de absorver o gigantesco impacto que causará o que já foi entregue pela Odebrecht e o que ainda está sendo negociado.

Haveria também uma preocupação crescente de que, quanto mais robusta e ampla se torna a delação, mais inviável ela pode vir a ser na hora da homologação pelo STF, uma vez que  não poupa nenhum Poder da República ou partido político”.

Agora sabemos que Lula tinha razão quando disse em telefonema a Dilma que o STF estava acovardado.

Se a lista da Odebrecht e todos os fatos a ela relacionados não forem analisados pela Lava Jato fica claro que a operação é um dos braços do golpe e tem um objetivo definido: destruir o PT e a presidenta Dilma.

Se fosse séria e pra valer a Operação Lava Jato teria que punir a todos igualmente e passar o Brasil a limpo.

O povo brasileiro não é imbecil. Não vai mais acreditar nesta conversa fiada de que  existe um balaio de dinheiro vindo da sacristia e outro vindo do quinto dos infernos pertencente ao capeta.

CHICO VIGILANTE

Dep. Distrital pelo PT/DF

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