Pusilânime, Lira não quer desagradar nem ao STF nem a Bolsonaro

"Vai de mal a pior seu ainda curto mandato. O mínimo que deveria fazer era divulgar uma nota em defesa do Estado de Direito, da democracia, mas não o fez. Preferiu ganhar tempo até encontrar alguma solução intermediária", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, sobre a posição de Lira no caso Daniel Silveira

(Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
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Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia

Acovardado, indeciso entre qual saída seria menos danosa para ele – desagradar a Bolsonaro ou ao STF – o presidente da Câmara, Arthur Lira não se pronunciou a respeito do ataque infame do deputado Daniel Silveira aos ministros do Supremo durante todo o dia.

Quem cala ou consente ou quer esconder o que pensa.

Lira calou-se porque tem medo de desagradar a Bolsonaro, condenando seu aliado, porque sabe que o presidente é vingativo e sua vingança pode ser terrível, mas também teme que o desfecho do caso influa no humor dos ministros do STF que vão julgar, em breve, suas ilicitudes pretéritas.

Vai de mal a pior seu ainda curto mandato. O mínimo que deveria fazer era divulgar uma nota em defesa do Estado de Direito, da democracia, mas não o fez. Preferiu ganhar tempo até encontrar alguma solução intermediária entre tirá-lo ou mantê-lo na prisão, como se entre democracia e ditadura houvesse uma terceira opção.

Lira também demonstrou sua pusilanimidade ao esperar a decisão do STF. Esperava dissidências. Mas ela foi unânime. Onze a zero pela prisão do deputado em flagrante.

Lira adiou o problema para amanhã de manhã. Marcou a sessão para as dez. Haverá uma enxurrada de discursos pedindo cassação de Silveira, afastamento imediato; bolsonaristas vão questionar a prisão (“pode abrir precedente perigoso”).

A sessão irá além das 2 e meia da tarde, horário marcado para a audiência de custódia de Silveira.

Lira vai torcer para a prisão ser relaxada, em troca de medidas cautelares, tais como prisão domiciliar, tornozeleira eletrônica, vedação de acesso a meios telemáticos, para que ele, Lira não tenha que comandar uma votação decisiva e que terá de ser nominal, ali, no microfone. Todo mundo dando a cara a tapa.

O argumento do “precedente” é uma grande falácia. É evidente que, se alguém, no futuro, se expressar como Silveira, também deverá ser punido. O que não é “precedente”, é um novo ataque à democracia. Se alguém pensa em fazer algo semelhante tem o que temer.

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