Qual foi, afinal, o grande legado das religiões?

A culpa, o medo, a ignorância, a moral ou tudo isso junto com um pouquinho de tirania, paternalismo e promessas de paraíso e exclusividade?

A culpa, o medo, a ignorância, a moral ou tudo isso junto com um pouquinho de tirania, paternalismo e promessas de paraíso e exclusividade?

Jesus não parece com Malafaia, Mohammed não deve curtir o Estado Islâmico, hoje Golias tem cara de garoto propaganda das forças armadas de Israel, qualquer moleque palestino com sua pedra se parece com David, o papa é legal até, acho que ele já deve ter lido Eduardo Galeano.

Os livros sagrados falam de fé, esperança, redenção, paraíso, fraternidade, alegria, mas quando você liga a TV eles pedem seu dinheiro, como se deus fosse um pegue e pague, outros te vestem de tradição, com discursos de nós e os outros, como se antes do paraíso, fosse rolar o Corinthians e Palmeiras do mundo espiritual, mas por trás de toda arquitetura o que existe?

Culpa.

Como se a culpa fosse uma especie de terreno, onde o medo, a ignorância e a dor pudessem ser semeadas, para que os sacerdotes se embriaguem de hipocrisia e vantagens sobre os crentes/fieis.

Enquanto a Europa morria de peste, crianças lutavam nas cruzadas, mulheres eram mortas em fogueiras, o cristianismo repousava em seus aposentos papais.

Assim foi com o Islã, continua a ser vide Estado Islâmico.

O conflito israel e palestina é operado por grupos árabes e judeus que sequer moram naquela região, todo o resto é histeria propagada pelas religiões dos dois lados.

A religião só nos legou culpa, um deus criador magoado com suas criaturas, como uma criança brincando com sua fazenda de formigas.

E isso não parece nada com seus livros sagrados, com seus mitos fundadores, com a boa-nova, alias se fosse uma piada já seria bem velha.

Jesus não parece com a bancada evangélica, acredito que não teria as mesmas prioridades que esta malta. Não consigo imaginar Jesus parando os apedrejadores para perguntar como a mulher havia adulterado, ele apenas se posicionou contra, a moral da época dizia que mulheres adulteras deviam ser apedrejadas até a morte, ele a defendeu.

Os sóbrios e tementes pastores e carolas da bancada evangélica, se posicionam contrários a legalização da maconha, esquecem que o primeiro milagre de Jesus foi garantir o vinho pro casório de um parente, transformando a ultra-conservadora água no mais delicioso vinho, gostava de ir beber com os últimos, os marginalizados, as prostitutas, os leprosos, tudo que a sociedade de sua época desprezava.

Em sua oração mais conhecida, em certa parte ele diz: assim na terra como no céu. Antes dessa parte ele fala sobre o paraíso. Não consigo idealizar um paraíso onde Malafaia seja um dos habitantes, aquela voz de bode avexado, aquela afetação de ator canastrão.

Jesus falava sobre amor ao próximo, Cunha não deve ter entendido essa parte, bem-aventurados os humildes falou o filho de Maria, mas o pastor da TV promete vida de luxo e alguns truques de hipnotismo que aprendeu no curso de teologia feito em 6 meses.

É fácil para o padre conservador ser contra o aborto, a sua igreja diz aos fieis crescei e multiplicai-vos, mas os padres guardam celibato para não gerarem herdeiros. Os mesmos pastores que querem aprofundar a criminalização do aborto recebem em suas igrejas condenados ou suspeitos de violência contra a mulher, não me espantaria se você que está lendo já tenha lido algo assim.

Agora vem a tona uma serie de escândalos de um deputado dessa bancada, no passado outros também estiveram envolvidos em uma serie de outros escândalos, mas todos os anos eles crescem, impondo na surdina uma agenda que não condiz ao Brasil do século 21, que nos coloca na contra-corrente das grandes questões sobre a inclusão de setores minorizados a sociedade de direitos e as liberdades individuais.

Jesus possuía um par de sandálias e uma túnica, quando um jovem rico perguntou a ele, o que deveria fazer para obter a salvação, ele não recomendou uma conta secreta na Suíça.

A sua histeria castrante é tão monstruosa que pretende invadir nossa sexualidade, hábitos, preferencias politicas, filosóficas e religiosa.

As religiões falavam sobre amor ao próximo em seus livros, mas os seus representantes políticos preferem o olho por olho e dente por dente, com a mesma gana com que esquecem daqueles outros mandamentos sobre não roubar e mentir.

Jesus não se parece com Feliciano, Bispo aquilo, Patriarca fulano, padre beltrano ou apostolo pseudoquê, essa turma toda parece mesmo é com a turma que queria jogar pedra na mulher.

E não importam as palavras que eles digam, a hipnose ou o xadrez emocional, tudo que eles são é exatamente isso: culpa, medo e dor.

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