Qual o Brasil que o brasileiro quer?

Se Aécio for eleito, o que parece difícil, vamos reviver o governo FHC, inclusive com a privatização da Petrobrás. E não é isso o que os brasileiros querem

A inconfidência de um dos principais líderes oposicionistas no Congresso Nacional, sobre a atuação da oposição neste ano eleitoral, desnudou a guerrilha verbal desencadeada contra a presidenta Dilma Rousseff e amplificada pela Grande Mídia, revelando os seus verdadeiros objetivos: desconstruir a imagem positiva do governo com notícias negativas divulgadas todo santo dia. O senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, deixou escapar, em momento de relaxamento: "Precisamos desconstruir a imagem do governo, alimentando o noticiário negativo com ação afirmativa". E acrescentou: "A instalação da CPI da Petrobrás vai ajudar nessa desconstrução".

A declaração, em pequena entrevista ao Blog do Noblat, deixou evidente, mais uma vez, que a oposição não está interessada em investigar absolutamente nada, mas apenas em produzir notícias que, divulgadas sistemática e escandalosamente pela chamada Grande Imprensa possam influenciar o eleitorado contra a Presidenta e, desse modo, subtrair-lhe votos preciosos nas eleições de outubro vindouro. A CPI da Petrobrás, portanto, como ele próprio destacou, será uma importante arma nessa tarefa, independente de qualquer conclusão.

O senador paranaense, que se notabilizou como garoto-propaganda da oposição, talvez por sua voz empostada de locutor de serviço de alto-falante de subúrbio – provável motivo para estar sempre presente nos noticiários – foi bastante explícito mais adiante, quando afirmou: "Há forte tendência de queda de Dilma a cada pesquisa. Essa tendência vai se avolumar com o noticiário negativo. São as más notícias que desgastam e derrubam o governo. Temos um tempo de maturação para que esse noticiário reflita nas intenções de voto". Ou seja, eles estão convencidos de que essa estratégia produzirá frutos no decorrer do tempo, graças à decisiva cobertura da mídia comprometida.

O candidato tucano ao Palácio do Planalto, senador Aécio Neves, principal beneficiário dessa ação coordenada com a Grande Imprensa, tem se mostrado expert na arte de jogar lama no governo, usando frases de efeito que podem impressionar os menos avisados. Por enquanto, porém, ele só tem atacado, sem apresentar propostas e sem receber o troco, situação que certamente mudará quando todas as candidaturas forem definidas e a campanha tiver início de fato. Afinal, quem tem telhado de vidro não lança pedras no telhado alheio. E telhado de vidro é o que não falta entre os políticos de qualquer tonalidade.

Quando carrega na voz para acusar o governo de corrupção, citando a Petrobrás como exemplo, Aécio finge que desconhece o caso escandaloso de propinas e cartel de trens no metrô paulista durante os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin; e se faz de cego e surdo diante das acusações ao seu candidato ao governo mineiro, Pimenta da Veiga, de que teria recebido R$ 300 mil; e ao mensalão tucano, em que o ex-deputado Eduardo Azeredo figura como o principal acusado. Na sua ótica, corrupção só existe no governo do PT, o que, obviamente, retira a credibilidade dos seus discursos.

Nesta terça-feira o senador mineiro foi lançado oficialmente pelo seu partido, em Brasília, como seu candidato à Presidência da República, mas a homologação só acontecerá na convenção nacional marcada para o dia 14 de junho. Na oportunidade, os 27 presidentes dos diretórios regionais do PSDB lançaram a carta intitulada "Um novo tempo para o Brasil. Um novo Brasil para os brasileiros", na qual apontam Aécio como a alternativa para as mudanças no país. No documento, eles dizem: "Queremos o país que merecemos ter, solidário, que não se conforme com a administração diária da pobreza do seu povo, mas busque de forma concreta as condições para a sua superação, que tire das sombras as escolas esquecidas e os hospitais precários e trate com respeito nossos jovens e idosos". Parece que só agora eles querem tudo isso, pois passaram oito anos no poder com FHC e não fizeram nada do que agora desejam.

É surpreendente a sem-cerimônia com que os tucanos falam em democracia, em liberdade, em autonomia dos poderes, em respeito à minoria no Congresso quando requer uma CPI para investigar o governo, como se eles nunca tivessem ocupado o poder. Nada disso foi observado nos oito anos do governo tucano de Fernando Henrique, que sufocou todas as tentativas de instalação de CPIs no Parlamento Nacional. Na época, o povo era mantido à distância dos eventos públicos onde ele comparecia, com medo das vaias, como aconteceu nesta segunda-feira nas comemorações do aniversário da Inconfidência mineira, onde o senador Aécio Neves esteve presente. Se eleito, o que parece difícil, vamos reviver o governo FHC, inclusive com a privatização da Petrobrás. E não é isso o que os brasileiros querem. Ou seja, os brasileiros não querem o mesmo que os tucanos, conforme disseram na carta divulgada hoje em Brasília. Conclui-se, daí, que o Brasil dos tucanos não é o mesmo Brasil dos brasileiros.

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