Quando caem as máscaras

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(Foto: Pixabay | Reprodução)


A aparência, nos homens públicos, constitui uma preocupação primordial. Eles não devem se expor com uma roupa qualquer, despenteados ou possuídos por rictos de contrariedade em rostos contraídos. Ações são importantes, mas, no cômputo total, perdem para esta espécie de faz-de-conta. Têm de emergir fortes, bem apessoados, espertos, ágeis. Ao longo do tempo, na convivência com eles, os homens públicos, nem sempre o modelo inicial prevalece – surgem rugas, curvaturas na espinha, tiques nervosos, etc. A rigidez da figura, quando persiste, como é o caso do nosso primeiro mandatário, montando sua motocicleta, já que não se anda mais a cavalo, choca apenas os que não o conhecem. Os demais buscam, com efeito, no de hoje, o que era ontem, como se nada pudesse mudar de uma hora para outra.

Acontece que os tais modelos de aparência, cristalizados pelo desejo e por técnicas de cosmética, deixam-se às vezes sofrer com as circunstâncias, sobretudo a partir de informações que, bem escondidas, não deveriam vir à mídia. Um exemplo retirado dos dias que correm diz respeito ao conjunto de imóveis dando a cara a tapa como se comprometessem o proprietário, cercando-o de possibilidades escusas e... mau cheiro. Isto porque repórteres do portal UOL, depois de meses de investigação, descobriram que ele e a sua família acumularam capitais impressionantes aplicados, com moeda sonante, em transações imobiliárias. O deputado que veio de baixo, simples capitão, com sucessivos mandatos, matematicamente não possui recursos para realizar aquela imensidão de aquisições.

No entanto, não fiquemos aí. A CPI da Covid-19, ainda que não lhe haja provocado embaraços através da PGR, onde Aras zela por sua segurança, de olho vivo para que os problemas não lhe desabem em cima, a CPI da Covid-19, quando parecia dormir, despertou. Julgados os seus relatórios e pareceres por um conjunto de juristas internacionais de renome, no chamado Tribunal Permanente dos Povos, concluiu-se, sim, que as medidas não tomadas pelo governo provocaram desespero e mortes de centenas de brasileiros. Foram crimes contra a humanidade. Faltam alguns centímetros para não acusar Jair Bolsonaro de genocida, o que, encaminhado o tema ao Tribunal Internacional de Haia, pode perfeitamente ocorrer. Assim, caíram as máscaras.

O incorruptível, o que acusou Lula de presidiário corrupto, pelo visto, andou prevaricando. De uma forma ou de outra, descolou dinheiro para aumentar astronomicamente o seu patrimônio e o da sua família, os 01, 02, 03 e companhia limitada. A preferência pelos filhos já se conhece. Contudo, foi além deles. Adquiriu imóveis para a mãe, a irmã e o cunhado, à maneira de um patriarca de bolsos recheados. 

Dizem que aqui se faz e aqui se paga. Ele devia imaginar que nem sempre, quando se ria da “gripezinha”, comparava vítimas do vírus a jacarés e apostava no que chamavam de contaminação de rebanho. A verdade é que, quando as máscaras caem, é difícil recolocá-las no lugar. Talvez as pesquisas custem um pouco a refletir a gravidade da situação. Mas o povo não é bobo. Se dá a impressão de se iludir, logo abre olhos e volta a agir conscientemente. Se e quando isso se verifica, a velha figura cheia de cosméticos, forte, arrogante, esboroa-se como estátuas de areia. Sem dúvida, com 51 apartamentos, talvez cem, não lhe falta onde morar. Só deve, o mais rápido possível, sair dos palácios do governo.

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