Quando o masoquismo vale a pena

"Já ouvi Sergio Moro ser chamado de juiz manipulador para baixo, passando por canalha e tudo que for imaginável. Mas comunista... acho que nem Jair Messias se atreveria a tanto", escreve o jornalista Eric Nepomuceno

www.brasil247.com - Ricardo Salles e Sergio Moro
Ricardo Salles e Sergio Moro (Foto: Lula Marques | Alessandro Dantas)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Um amigo de cinco décadas diz que primeiro se surpreendeu, depois se espantou e passou a se preocupar, com minha capacidade de ser masoquista. Amigos mais recentes, mas ainda assim de décadas, se espantaram e, discretos, não tornaram a fazer comentários.  

Meu filho, ao constatar até que ponto meu masoquismo chegou, disse que eu devia procurar tratamento com urgência.

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Estou me referindo ao fato de acompanhar todas ou quase todas as aparições e falas de Jair Messias, e às vezes de alguns integrantes do seu bando. A verdade é que de tanto ouvir asneiras repetidas à exaustão, comecei a relaxar com relação a Jair Messias.  

Tenho cá meus motivos para agir assim: é sempre bom acompanhar de perto os movimentos do inimigo. É sempre importante tratar de medir até que ponto seu desequilíbrio avança, porque com ele avança também a destruição tenebrosa do país.

E, devo confessar: às vezes, o patético chega a ser engraçado.

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Pois neste 24 de novembro, e quase por acaso, descobri outra fonte engraçadíssima: Ricardo Salles.

Sim, sim, aquele que foi ministro do Meio Ambiente entre o primeiro dia de 2019 e 23 junho de 2021.  

Nesse período ele demonstrou uma lealdade inabalável às determinações de Jair Messias: sua contribuição para o desastre ambiental que sufoca o Brasil é insuperável.  

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Além de permitir – e incentivar de várias maneiras – a devastação das florestas, de abrir porteiras para que garimpeiros invadissem terras demarcadas e espalhassem a desgraça entre as comunidades indígenas, ele se entusiasmou.

E esse entusiasmo acabou sendo a peça-chave para que acabasse caindo fora da cadeira ministerial: denunciado por autoridades dos Estados Unidos (aqui, nem pensar) por estar pelo menos envolvido – há suspeitas de que, na verdade, seja ele o mentor – em esquemas de exportação ilegal de madeira extraída de maneira igualmente ilegal, pediu demissão.

Claro: agora, as investigações correm na Justiça comum, e podem ser encobertas ou atrasadas pelo tempo que for.

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Pois bem, voltando ao meu masoquismo: perdi preciosos minutos da minha vida, uns dez ou doze, assistindo na internet a um tumulto sem eixo mas com nome de programa de rádio. Ah, sim, claro, na emissora oficial de Jair Messias, a rádio Jovem Pan.

Pois não é que Ricardo Salles assegurou, sem corar e com todas as letras, que Sergio Moro, além de defender o uso de drogas, é comunista?

Até mesmo seus bizarros acompanhantes, que integram o time do programa, estranharam e contestaram. Chegaram à conclusão que Moro é, isso sim, tucano. O que, para eles, não é a mesma coisa mas dá no mesmo ou quase.

A partir de agora, vou tratar de seguir as falas de Ricardo Salles. Claro que ele é um perigo, e é bem provável que, se a Justiça deixar, acabe sendo eleito deputado ou coisa parecida (o que interessa, claro, é o foro privilegiado). Mas, caramba!, essa capacidade de ridículo merece atenção.

Já ouvi Sergio Moro ser chamado de juiz manipulador para baixo, passando por canalha e tudo que for imaginável.

Mas comunista... acho que nem Jair Messias se atreveria a tanto.

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