Quando surge o fascista imponente

Ao associar a imagem do presidente eleito, ao título conquistado pelo clube, a diretoria palmeirense também prestou uma homenagem o mascote do clube. O porco

Quando surge o fascista imponente
Quando surge o fascista imponente (Foto: EFE / Sebastião Moreira)

O Palmeiras sagrou-se campeão brasileiro de 2018, com uma campanha incontestável na reta final do campeonato. Desde que Felipão assumiu o comando da equipe, o time não perdeu. Foram 23 jogos invictos, a melhor campanha de um time num turno, na era dos pontos corridos. Um verdadeiro massacre sobre os adversários.

Mas, infelizmente, nem tudo foi motivo para comemorar no jogo que marcou a entrega da taça, contra o Vitória da Bahia, na Arena Palmeiras. Alguém teve a brilhante ideia de convidar o presidente eleito, Jair Bolsonaro, para erguer a taça e posar na foto junto com os jogadores. Um gol contra aos 45 do segundo tempo, daqueles de enlouquecer o torcedor e execrar para sempre, a carreira do autor do feito.

O gesto foi de um populismo gritante. Bolsonaro, que se diz torcedor do clube, embora já tenha sido flagrado vestindo a camisa de Botafogo, Flamengo , Vasco e outros clubes, aproveitou-se bem do momento e reeditou uma cena que era comum na época da ditadura militar. A presença dos militares nos eventos esportivos, atraindo para si os holofotes de uma conquista que não pertencia-lhes. Assim surgiu a pátria de chuteiras. Ame-a ou vá torcer para Cuba.

Ao associar a imagem do presidente eleito, ao título conquistado pelo clube, a diretoria palmeirense também prestou uma homenagem o mascote do clube. O porco. Chafurdou na lama da falta de bom senso, manchando uma conquista tão brilhante fazendo um aceno político e oportunista. Talvez, a ideia seja competir, também politicamente, com o seu arquirrival Corinthians, que tem no ex-presidente Lula, um de seus torcedores mais ilustres. Se a intenção é essa, a facada, digo, o tiro saiu pela culatra.

Apesar de manifestações favoráveis, Bolsonaro também enfrentou alguns protestos dentro do estádio. Aliás, boa parte da torcida do palestra não aprovou a ideia. Ao meu ver, o presidente do Palmeiras bateu continência para o presidente eleito e sinalizou para que o seu torcedor faça o mesmo. De forma alienada e subserviente. Afinal, o futebol é ópio do povo. Mas o futebol também é democrático e inclusivo. Duas características que não fazem parte da personalidade do novo presidente da república.

Bolsonaro já declarou em sessão na câmara, que a questão demográfica é o grande mal do país. Segundo ele, é preciso esterilizar os pobres das comunidades carentes, para que eles não nasçam mais. Na sua visão, a maioria não terá futuro e tornarão-se, ou marginais ou dependentes do assistencialismo do estado. Se os outros presidentes da república pensassem como ele, o Brasil, talvez, não fosse pentacampeão mundial e nem seria considerado o maior celeiro de craques do futebol mundial. Já que 99% de nossos jogadores são oriundos de favelas e de outras áreas carentes. Tendo, inclusive, passado privações e sendo vítimas de preconceito social.

Com certeza, entre os jogadores do Palmeiras que posaram ao seu lado na foto, tinha algum ex morador de comunidade, outro que já recebeu algum tipo de benefício do governo, um que já passou fome, ou seja, alguém que não deveria sorrir na fotografia, estando ao lado de um senhor que deseja exterminar pessoas que vivem, ou tentam sobreviver, nas mesmas circunstâncias sociais que alguns deles já vivenciaram. Graças ao talento que Deus deu-lhes, o futebol mudou a condição de muitos e ainda pode mudar a de outros tantos. Desde que o presidente eleito não dispare a sua metralhadora demográfica, para fuzilar pobres, possíveis novos craques da bola.

Parafraseando o hino do verdão, eu diria que o fascista surgiu imponente no gramado onde a luta não o aguarda. Sem saber muito bem o que fazer, com o que vem pela frente, na dureza do prélio que não tarda. Bom! Só espero que na eventualidade de o Paulo Guedes cair para série B, uma vez que virou réu por corrupção, o presidente eleito não invente de chamar o Felipão para ser o seu novo posto Ipiranga. Outro 7x1, ninguém merece.

Gol da Alemanha nazista!

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