Que as tragédias nos guiem!

"A chuvas caem, e continuaram a cair enquanto ciclo de chuvas for sustentado pela floresta tropical - o que jå está sob risco iminente. É preciso repensar a cidade, mas, para isso é preciso repensar os mandatários"

Chuvas deixam rastro de destruição em São Paulo
Chuvas deixam rastro de destruição em São Paulo (Foto: Agência Brasil)

Quem não conhece a frase famosa de Tom Jobim: “São as águas de março fechando verão”?

Estamos no verão, e as águas estão caindo, e estão a cair em cidades que não se prepararam para recebe-las.

O interessante é que quando isso acontece, de repente, a gente redescobre que vive na Cidade e no Estado.

Aqui no Brasil a gente vive como se só existisse a União, e se esquece que mora na Cidade e no Estado. 

Porém, com a queda da água, e os consequentes estragos, rapidamente, retomamos a memória de que somos munícipes, principalmente, quando as águas causam tanto estrago, que, mesmo com a desculpa de que é água demais, não dá para não perceber que o prefeito falhou, que o governador falhou.

No Brasil, a mídia, de um modo geral, não importa o tamanho que tenha, trabalha na perspectiva de ser uma rede nacional. Possivelmente, por isso, as notícias locais são preteridas ou pouco aventadas; prefeitos e governadores passam incólumes pelos seus mandatos.

Possivelmente, também, isso explique a permanência por vários mandatos de um mesmo partido, mesmo que sua performance tenha se mantido sofrível por todo o tempo, como é o caso do PSDB no estado de São Paulo.

Pior, a memória do eleitor parece seletiva, porque, logo mais, a tragédia passará, mesmo que tenha sido grande e duradoura. A atenção se voltará, novamente, para o que acontece na União, como se estivéssemos a dar continuidade ao estado de colônia, onde, não importa o lugar, a solução sempre virá da metrópole.

Os governos municipais e estaduais são pouco vigiados. Não se monitora a administração de obras essenciais, mas, não tão visíveis como saneamento, prevenção a catástrofes, desassoreamento dos rios, limpeza de bueiros e demais meios de escoamento da água das chuvas.

E quando há situações com potencial para a fataidade, como enchentes, deslizamentos e soterramentos, que, além de destruição de patrimônio, podem causar mortes ou, no mínimo, feridos graves, aparecem os questionamentos a Deus, como se ninguém pudesse prestar atenção ao fato de que moradores em casas frágeis ou em áreas de risco sofrerão, inexoravelmente, com a chegada das grandes chuvas.

Como se o governador, os deputados, os prefeitos ou os vereadores não tivessem como saber disso, previamente.

A chuvas caem, e continuaram a cair enquanto ciclo de chuvas for sustentado pela floresta tropical - o que jå está sob risco iminente.

É preciso repensar a cidade, mas, para isso é preciso repensar os mandatários. 

Estamos em ano de eleições municipais, que as tragédias nos guiem.

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