Queiroz só vai abrir o bico se sua mulher for presa

"Ela desapareceu antes de a polícia bater à sua porta, ontem cedo, no Rio de Janeiro, na mesma Operação Anjo, que prendeu Queiroz, em Atibaia. Ou seja, de duas, uma: alguém a avisou ou ela 'pressentiu' a visita da polícia. Em todo caso, é muito estranho ela ter conseguido fugir e ele, não. Seu papel nesse enredo é central", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Fabrício Queiroz e Márcia Oliveira de Aguiar
Fabrício Queiroz e Márcia Oliveira de Aguiar (Foto: Reprodução)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Agora que o Brasil já sabe onde está o Queiroz – em Bangu 8 – a pergunta que se fazia diuturnamente há dois anos tem de mudar para “cadê a mulher do Queiroz”?

Ela desapareceu antes de a polícia bater à sua porta, ontem cedo, no Rio de Janeiro, na mesma Operação Anjo, que prendeu Queiroz, em Atibaia.

Ou seja, de duas, uma: alguém a avisou ou ela “pressentiu” a visita da polícia.

Em todo caso, é muito estranho ela ter conseguido fugir e ele, não.

Seu papel nesse enredo é central.

Além de ter sido funcionária fantasma do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, com salário de R$9.200,00 entre agosto de 2017 e outubro de 2018, as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro mostram que Marcia Oliveira de Aguiar recebeu R$174 mil em espécie antes de ter sido quitada a conta do tratamento médico de seu marido no Hospital Alberto Einstein, em São Paulo, também em dinheiro vivo, a 9 de janeiro de 2019.

E o juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que comanda o inquérito das “rachadinhas”, quer saber qual foi a alma boa de Setsuan que lhe ofereceu gentilmente essa dinheirama toda e porquê.

As investigações também vão apontar quem está financiando a vida de Queiroz e de sua família – o casal tem duas filhas, também ex-funcionárias fantasma dos Bolsonaro - desde que ele foi denunciado no caso das “rachadinhas”, no final de 2018, pois é certo que desde então vive escondido, sem condições de obter seu sustento, seja legal ou ilegalmente.

Não há dúvida que a resposta parece muito óbvia – quem o sustenta é o mesmo grupo que o escondia na casa do advogado dos Bolsonaro – mas o que é óbvio para o jornalismo nem sempre é para a Justiça.

Tudo o que Bolsonaro não quer é que a mulher do Queiroz seja encontrada e presa. Enquanto ela estiver livre, não há risco de ele delatar seus chefes. Ficar numa cela não é problema para ele, que já estava preso, há um ano, dentro de uma casa. Só mudou de endereço.

Depois, não vai adiantar nada ele delatar, pois se o fizer será mais seguro para ele ficar na cadeia do que circular na rua.

Agora, se a sua mulher for presa, o perigo será duplo: tanto Queiroz poderá optar pela delação como último recurso para libertá-la quanto ela ceder à pressão para abrir o bico.

Por essa razão, prender a mulher do Queiroz é fundamental para esclarecer o caso das “rachadinhas” do filho do presidente.

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