Quem com Covid fere, com Covid será ferido

"Todos que ficaram a menos de um metro ou pegaram na mão de Bolsonaro devem estar apavorados, com razão. Nos próximos dias vamos saber qual foi o estrago", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

A primeiro coisa que me veio à cabeça quando ouvi Bolsonaro dizer que seu teste de covid-19 tinha dado positivo foi: que bom, ficaremos 14 dias sem ele. Boa notícia.

Embora esteja bem, tanto que foi ele mesmo quem anunciou a novidade, não vai poder sair do Palácio da Alvorada nem cumprir seus compromissos de presidente da República.

Finalmente fará quarentena.

Isso também significa que serão 14 dias sem aglomerações, o que fará desabar as taxas de infectados.

Se o bom senso prevalecer (o que raramente ocorre no Planalto) ele deverá passar a faixa para o vice Mourão. Caso isso aconteça será mais um sinal de que a ala paranoica perde força no governo.

Comecei a acompanhar as redes sociais logo após o anúncio. Além da irônica hashtag “forçacovide”, vi muitas opiniões de que era tudo fake news, ele estaria inventando tudo aquilo para promover a cloroquina.

A essa altura ele só tinha anunciado o resultado, sem mostrar, ainda assim achei meio improvável ele inventar mais essa mentira porque não o favorece, muito ao contrário.

Mostra que ele foi irresponsável ao provocar aglomerações e minimizar a epidemia desde o começo. Caiu sua bravata de que ele não pegaria por ter histórico de atleta. Pegou de alguém e contaminou outros.

Mostra que ele estava errado: quem fizer o que ele fez poderá também ser contaminado. E a contaminação pode ter efeitos leves, como parece ser o caso dele, ou graves.

Não achei que seria vantagem ele inventar que pegou covid. Para que? Para dar munição à imprensa internacional, que está, é claro, o espinafrando de alto a baixo a essa altura?

Logo a seguir foi divulgado o facsimile do exame, feito no laboratório do Hospital das Forças Armadas, com a palavra “detectado”, o que pôs a pá de cal na dúvida. Trata-se de um documento, não acho que alguém se arriscaria a forjá-lo.

Todos que ficaram a menos de um metro ou pegaram na mão de Bolsonaro devem estar apavorados, com razão.

Estão nesse rol, além da família, o embaixador americano e sua mulher, Ernesto Araújo, os ministros do Planalto, os políticos de Santa Catarina com os quais esteve no sábado, funcionários, motoristas, bolsonaristas com quem tirou selfies.

Nos próximos dias vamos saber qual foi o estrago.

Nunca se saberá com certeza o que levou Bolsonaro a agir da forma irresponsável que agia, disseminando o vírus pelo país, mas mais uma vez ficou provado que quem com covid fere, com covid será ferido.

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