Quem mais deve se beneficiar do decreto do porte de armas é o tráfico internacional de armas

Para o colunista Laurez Cerqueira, "o tráfico internacional de armas deve estar muito contente com essas medidas" do atual governo; "A campanha contra o Estatuto do Desarmamento sempre despertou desconfiança de que o tráfico internacional de armas estaria por trás da pregação obsessiva de que todo brasileiro deveria ter uma arma. Depois dos EUA, o Brasil é o maior mercado das Américas", lembra; o jornalista diz ainda que "o melhor dos mundos seria um grande acordo de todas as forças políticas democráticas, representativas de todos os setores da sociedade, para um grande debate e realização de um pacto nacional pela democracia"

Quem mais deve se beneficiar do decreto do porte de armas é o tráfico internacional de armas
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A onda contra Jair Bolsonaro se espalha pelo mundo e encontra aqui a rápida desintegração do governo, com o Congresso tentando assumir a condição de poder moderador, e o "centrão" aglutinando forças políticas para indicar o que fazer com Ele, o pivô da balbúrdia.

Havendo o agravamento da crise econômica, social e política, nos próximos meses, o futuro do presidente será, de duas, uma:renúncia ou impeachment.

Mais de 11 mil acadêmicos das maiores universidades do mundo, entre outras, Harvard, Princeton, Yale, Oxford, Cambridge assinam um manifesto contra o corte das verbas das instituições de ciências e pesquisa, contra Jair Bolsonaro, a flor do mal que brotou das urnas, nas eleições, no Brasil.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse a Jair Bolsonaro, no twitter: "Seu ódio não é bem-vindo aqui". Nem em Nova York nem em nenhum lugar do mundo. E conseguiu apoio de sindicatos e organizações sociais contra a homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos a Bolsonaro, na cidade. Até os patrocinadores, em protesto, retiraram apoio ao evento.

Talvez Dallas o queira. Lá, o chão é encharcado de sangue índio e sangue negro, de muitos outros tombados, vítimas das armas arrancadas dos coldres pelas mãos dos assassinos. Talvez lá ele sinta o cheiro da pólvora dos tiros que vararam a cabeça do ex-presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy.

O mundo está dizendo "Não" ao herdeiro latino-americano de Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Pinochet, Brilhante Ustra, a facínoras que odeiam pobres, negros, indígenas, gays, e deve dizer "Não" a todos os que querem cadáveres e a morte da democracia.

A voz de Lula ecoa mundo a fora e Moro afunda no governo Bolsonaro

A respeitada Associação Americana de Juristas, formada por renomados magistrados dos Estados Unidos, em nota, declarou o ex-presidente Lula preso político. Enquanto o ex-juiz e ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, vê despontar no horizonte o reconhecimento internacional de que, no Brasil, foi montada uma grande farsa e que ele é um dos personagens centrais dessa história. Vê cair por terra a máscara e todas as mentiras pregadas nas palestras que deu em alguns países.

Nas manifestações do 1º de Maio, em todo o mundo, a prisão do ex-presidente Lula foi denunciada e exigida sua libertação, tendo em vista a grandeza da liderança dele nas lutas contra a pobreza, a desigualdade, por democracia e justiça.

A entrevista do ex-presidente Lula a Florestan Fernandes Júnior e Mônica Bergamo, respectivamente, dos jornais El País e Folha de S. Paulo, rompeu fronteiras, deixou a comunidade internacional ainda mais perplexa com o que está acontecendo no Brasil.

Depois de mais de um ano encarcerado na Polícia Federal, em Curitiba, censurado, impedido de ser candidato à presidência da República, porque ganharia as eleições, o ex-presidente Lula bradou sua inocência, fez ecoar pelos quatro cantos do mundo a denúncia da farsa do processo ao qual foi submetido.

Desafiou o ex-juiz e ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol, e seus aliados no Judiciário, a apresentarem um fiapo qualquer de prova, de algum ilícito que tenha praticado, e a julgá-lo com base nos autos do processo. Não por convicções pessoais. Em seguida um manto de silêncio cobriu a banda parcial do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. Nenhuma contestação.

Outra entrevista, dada pelo ex-presidente Lula ao jornalista Kennedy Alencar, impedida de ser mostrada pela Rede TV, que será exibida pela BBC de Londres, certamente irá impactar ainda mais a opinião pública mundial.

O golpe descarrilou o Brasil e as forças políticas não conseguem coloca-lo de volta nos trilhos

Os sinais estão cada vez mais claros, de que a aposta num golpe de Estado e em um governo militar "ungido pelas urnas", como diziam, foi um erro, que só poderá ser corrigido com o afastamento de Bolsonaro e de seus lunáticos aliados, bem como de seu ministro da Fazenda, que demonstrou ser incompetente para deter o agravamento da crise econômica. Essa parece ser a conclusão do apreensivo "mercado", manifestada pelos seus mais atuantes agentes, em recentes artigos na imprensa, e em editoriais dos grandes jornais do país.

Parte das Forças Armadas, envolvida no desastroso governo Bolsonaro, tenta se descolar do núcleo de pessoas mais influentes, dirigido pelo guru Olavo de Carvalho, tendo em vista o desgaste que a instituição tem sofrido.

A mais recente pesquisa do IBOPE, publicada na Revista Piauí, detectou uma queda brutal, em seis meses, de 14 pontos percentuais, no apoio da população a governos militares. Tudo indica que está em curso o isolamento de Bolsonaro, como uma presa, para o ataque final. E pode ser rápido.

O golpe descarrilou o Brasil e as forças políticas no poder não conseguem recolocá-lo novamente nos trilhos. A inflação voltou com força, fechou o primeiro trimestre em quase 5%, com expectativa de alta. O desemprego se alastra de forma assustadora, chegando a 12,4%, com 13,4 milhões de trabalhadores no olho da rua. O dólar girando a R$ 4,00, com economia em recessão e projeção de queda do PIB para menos de 1%, em 2019, depois dos últimos três anos em recessão, com taxas de 1%.

A queda de confiança dos investidores, no Brasil, detectada em pesquisas nos últimos dias, tem causado forte temor de fuga de capitais em nível elevado e de o país mergulhar numa crise sem precedentes.1

A vizinha Argentina, submetida à mesma política econômica de Bolsonaro e Temer, com drásticos cortes de investimentos, pelo governo neoliberal de Macri, levou o país a uma profunda crise econômica, com hiperinflação, desemprego em massa e recessão. A contaminação do Brasil é iminente. Afinal, a Argentina é a maior parceira comercial do Brasil, no Mercosul.

Lá, o povo abandona Macri e quer Cristina Krichner novamente no governo. Ela lidera as pesquisas para as próximas eleições, com 9% dos votos à frente de Macri. Apesar da tentativa da banda parcial do Judiciário, de decretar a prisão dela e impedi-la de concorrer às eleições no dia 27 de outubro, como o ex-juiz Sérgio Moro fez aqui, com o ex-presidente Lula.

Europa e Ásia se arrumam num mega bloco econômico e o governo só pensa em Israel e Venezuela

No plano internacional, a União Europeia se arruma com a China, com um imenso acordo comercial e de investimentos, assinado recentemente. Ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, serão construídos para favorecer o mercado continental eurasiano.

Não se ouve nenhum comentário dos ministros Ernesto Araújo e Paulo Guedes sobre esse projeto, que tem tirado o sono dos Estados Unidos. Venezuela e Israel não saem do pensamento de Ernesto Araújo e de Bolsonaro. E de Paulo Guedes, a Reforma da Previdência, como panaceia para resolver o problema da crise econômica que se agrava no país. Eles estão totalmente alheios ao nevoeiro que se forma no horizonte. Os investidores parecem ter concluído que com esse governo não dá para seguir viagem.

A tentativa de envolvimento do Brasil no conflito interno da Venezuela não deu certo. A estratégia de Jair Bolsonaro, de conquistar apoio entusiasmado do eleitorado dele com essa aventura deu efeito contrário. Foi rejeitada pelos brasileiros, segundo pesquisas de opinião, e por oficiais das forças armadas, entre esses o vice, General Hamilton Mourão, que desautorizou Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo, nas reuniões de Lima e Caracas.

Cortes na educação, porte de armas e envolvimento da família Bolsonaro com o crime organizado

Reforma da Previdência se arrasta na Câmara e desidrata a popularidade do governo, com a maioria da população contra. Não tem votos para aprovar a proposta.

O levante da educação frente aos ataques de Bolsonaro e de seu desqualificado ministro, Abraham Weintraub, com os cortes de recursos das universidades públicas, deve incorporar outras categorias e forças políticas para o enfrentamento, nas ruas, da destruição institucional do país.

Os cortes de recursos da educação são cortes nos mais profundos desejos da população, de mais investimentos na área. As primeiras manifestações indicam forte reação de professores, alunos, familiares, e da população, em geral. O Brasil não quer presídios, quer escolas.

As investigações do envolvimento de familiares de Bolsonaro com a organização criminosa de milicianos, no Rio de Janeiro, crepitam com mais intensidade nos subterrâneos do Ministério Público e da polícia civil, agora com o pedido de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, do senador Flávio Bolsonaro.

Uma medida recente que deve expor a provável rede subterrânea de ligação da família Bolsonaro com a organização criminosa dos milicianos, possivelmente, de alguns milicianos com o presidente da República. As fotos postadas nas redes sociais mostram claramente a intimidade da família com milicianos que já estão presos.

Depois do desabamento de três prédios na cidade do Rio de Janeiro, construídos pela organização criminosa, matando 24 pessoas, os milicianos e os vínculos com a família Bolsonaro tornaram-se um dos maiores escândalos a céu aberto do país.

O ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro, tem obrigação de prestar toda assistência necessária aos órgãos que estão investigando, para que os criminosos e os envolvidos sejam levados aos tribunais. Entre esses crimes, a apresentação à sociedade dos responsáveis e do possível mandante, da execução da vereadora Marielle Franco, aguardada pelo Brasil e pelo mundo. Mas não se percebe o devido empenho de Sérgio Moro.

Aliás, a apreensão de 117 fuzis na casa de um miliciano, vizinho do presidente da República, na Barra da Tijuca, é um indício considerável de que a organização criminosa pode ter ligações com o tráfico internacional de armas.

O ex-juiz Sérgio Moro tem o dever institucional de determinar à Polícia Federal, já que é sua atribuição, a instauração de um processo de investigação, à parte, do tráfico de armas.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro brinca com armas, assina decreto ampliando o porte e instiga a população à violência.

O tráfico internacional de armas deve estar muito contente com essas medidas. A campanha contra o Estatuto do Desarmamento sempre despertou desconfiança de que o tráfico internacional de armas estaria por trás da pregação obsessiva de que todo brasileiro deveria ter uma arma. Depois dos Estados Unidos, o Brasil é o maior mercado das Américas.

Fake news no STF, Caixa 2 no TSE e no "laranjal" do PSL

Sem muito alarde, o Supremo Tribunal Federal avança na investigação das fake news plantadas contra membros da corte. O fio dessa meada pode dar no processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral, sobre o Caixa 2, financiado por um pool de empresas para impulsionar fake news, usadas à exaustão, na eleição de Bolsonaro.

As "candidaturas laranja", do PSL, partido que elegeu Jair Bolsonaro, usadas para subtrair o dinheiro do Fundo Partidário, também estão sendo investigadas. São fortes os indícios de conexões de financiamento de campanhas, por Caixa 2, das candidaturas de deputados, senadores, com a de presidente da República.

A convergência dessas investigações tende a respaldar o ministro Jorge Mussi, relator do processo contra Jair Bolsonaro, no TSE, em possível decisão sobre a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, por crime eleitoral.

O Congresso assume poder moderador e pode descartar Bolsonaro

O melhor dos mundos seria um grande acordo de todas as forças políticas democráticas, representativas de todos os setores da sociedade, para um grande debate e realização de um pacto nacional pela democracia, como foi feito na Campanha das Diretas. Convocar a população para ir às ruas e às urnas em novas eleições. Mas falta um Ulysses Guimarães, um Tancredo Neves.

Rodrigo Maia e David Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, têm essa oportunidade, mas parece que falta a eles estaturas suficientes para fazer o que deve ser feito: aliar-se ao povo e assegurar a democracia. Instalar uma CPI a fim de investigar todos esses indícios de envolvimento de Jair Bolsonaro com o crime organizado e deter o desmonte institucional do país. Há muitos fios desencapados no governo.

Tudo isso vai depender, evidentemente, da situação econômica e política do país nos próximos meses. O conflito entre alas nas forças armadas não deve ser desprezado. Fala-se na limpeza do governo, dos lunáticos "terraplanistas", que recebem comandos do "desocupado e esquizofrênico" Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, filhos e ministros, como o denominou o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.

As antenas do Congresso estão ligadas. As derrotas do governo nas recentes votações são sintomas de que o Congresso pode estar chamando para si a saída política.

Bolsonaro não conseguiu formar sua base parlamentar, a essas alturas, por um motivo simples: há percepção evidente de que o governo está dando errado, e que ele não despertou confiança, nem nele próprio nem no conjunto de despreparados que o apoia.

Os parlamentares sentem que seria imprudente amarrar os mandatos no futuro incerto. O script está muito parecido com o que aconteceu com José Sarney e Fernando Collor, quando o polo de poder foi deslocado do Executivo para o Congresso. A debilidade dos governos deu espaço para isso.

Como dizia o "Senhor das Diretas", Doutor Ulysses Guimarães: "o deputado mais bobo da Câmara se elegeu deputado". Ou seja, eles sabem qual o limite do apoio aos governos. Todos vão se deparar com eleitores nas ruas e nas urnas e terão que dar explicações.

A percepção da sociedade os deixa apreensivos, ainda mais com a queda – bastante acentuada nas últimas pesquisas – da popularidade de Bolsonaro e do prestígio das Forças Armadas. Os próximos meses reservam surpresas.

A mídia oligárquica costuma abandonar o barco quando a opinião pública contra o governo começa a dar sinais evidentes de insatisfação. Depois é a vez do Congresso, que é quem investiga, processa e afasta o presidente da República. Esse tem sido o roteiro dramático do Brasil.

O país está a caminho de um impasse. Vai depender do isolamento de Bolsonaro tramado por forças políticas do Congresso, do Judiciário e da ala de oficiais das forças armadas que tem demonstrado frustração e incômodo com o uso da instituição, por Bolsonaro, como fonte de prestígio perante a população.

Fica cada vez mais evidente que o governo não se sustenta e que o afastamento de Bolsonaro virá. Não se sabe ainda se por meio de impeachment ou renúncia.

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