Quem não quer ser perturbado que vá para casa

A colunista Denise Assis, do Jornalistas Pela Democracia, afirma que Bolsonaro ainda não entendeu que está 'atrapalhando''. Ela diz: "a esta altura ele precisa decidir. Ou quer ser Johnny Bravo, o que ganhou as eleições, 'porra!' Ou quer sossego, e para isto temos uma receita infalível e simples: senhor Jair, desce daí. Desembarca, desempata."

Jair fora de si
Jair fora de si (Foto: Ueslei Marcelino - Reuters)

Por Denise Assis, para o Jornalistas Pela Democracia - Ao participar hoje, da Expo Fenabrave, evento organizado pela Federação Nacional de Distribuidores de Veículos Automotores, em São Paulo, Bolsonaro mais uma vez atacou a imprensa e pediu que a mídia pare de “perturbá-lo”. 

Disse isto no dia seguinte ao que, irritado com os jornalistas, se comparou a Johnny Bravo, um personagem de quadrinhos dos anos 90, que distribui golpes de karatê e vive atrás de arrumar uma namorada, sem sucesso. Em tom exaltado, ainda jogou dois palavrões seguidos, na cara dos repórteres, depois de atropelar o verbo: "Vamos parar com essa bobagem, a campanha acabou para a imprensa. Eu ganhei! A imprensa tem que entender que eu ganhei. Eu, Johnny Bravo, Jair Bolsonaro, ganhou, porra! Ganhou, porra! Vamos entender isso".  

A esta altura ele precisa decidir. Ou quer ser Johnny Bravo, o que ganhou as eleições, “porra!” Ou quer sossego, e para isto temos uma receita infalível e simples: senhor Jair, desce daí. Desembarca, desempata. Certamente no dia seguinte o seu cafezinho será servido frio, até que a sua mudança deixe o palácio, a sua vida transcorrerá com inteira tranquilidade e os repórteres, esses “abelhudos” que vivem em seu encalço estarão atrás do seu sucessor fazendo o trabalho deles: vistoriando a movimentação do governo, tema de interesse de todos nós.

O que não dá, é para bater no peito e se colocar como o vencedor, mas não querer pagar o preço pela sua “conquista”. Johnny não consegue namorar. Jair chegou lá, “graças a Deus”, como costuma dizer. Se é que Deus tem alguma coisa a ver com isto. Ele não faria esta trapaça com um país outrora tão promissor. 

Agora, de posse do cargo, vai, sim, ouvir merecidas críticas – que até estão custando a vir, dado o seu despreparo para o cargo, a sua deselegância. Onde já se viu falar dois “porras” seguidos diante de uma série de moças, cavalheiros e senhoras que fazem a cobertura de seu governo, com respeito e educação? Nem o grosseirão do ditador general João Figueiredo, para quem era um sacrifício o contato com o povo, usou de linguagem tão cantochão e chula para se dirigir aos profissionais da mídia. 

A bem da verdade, se tem alguém perturbando aqui é o senhor, com suas declarações agressivas, os seus tuítes inconvenientes. Seus dedos em riste em posição de “arminhas” estão constantemente voltados para nós, para a nossa cabeça, para o nosso sossego. Os seus “pitis”, dando as costas para os colegas da imprensa quando esperava elogios e condescendência é que são perturbadores. Ou o senhor acha correto considerar “idiota” uma pergunta sobre os seus atos de transgressão para beneficiar parentes?

Bom saber que o senhor não quer ser perturbado. Para não o ser, basta despir-se do personagem de Johnny Bravo, abandonar os golpes de karatê que vem dando na cara dos trabalhadores, na população e no nosso futuro e deixar o cargo, abraçando uma vida comum, sem chateações da mídia. É só sair do foco. Aposto que ninguém sentirá falta das suas ameaças, das suas falar agressivas e da sua falta de decoro. Guarde os seus “porras” para o cachorro da sua casa, quando estiver de pijama e ele atravessar o seu caminho. 

Até lá, enquanto não se decide, saiba que a imprensa vai divulgar os números do desmatamento, porque eles não podem e nem devem ser censurados. O que merece a nossa censura é o seu discurso na contramão do trabalho científico que vem sendo desenvolvido no Inpe. O que não deve ser tolerado é assistirmos o senhor tratar uma repórter dando-lhe o adjetivo de “idiota” porque a pergunta não o agradou. E se alguém está fazendo campanha até hoje é, certamente, a sua família, que não desmontou o sistema de robôs que nos legou o “Johnny Bravo”, o rejeitado.

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