Quem pensa é o comitê central

Em matéria de desmonte estatal, de entrega plena e gratuita das próprias estruturas de produção e reprodução da mitigada economia nacional, de transferência das bases sócioprodutivas do país o que espantosamente, inclui seu solo, seu chão e seus conteúdos o que se passa no Brasil não estabelece precedente com qualquer outro instante da nossa infame história nacional; aliás, vou mais longe, em matéria da implementação de políticas neoliberais, logo, de fragilização e quebra da soberania nacional e, portanto, da capacidade do país gerir-se minimamente no intrincado plano das economias internacionais, o Brasil de Temer é "pole position" na comparação com qualquer país do mundo

Michel Temer 
Michel Temer  (Foto: Ângelo Cavalcante)
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Quem quiser que embarque; que tome essa carona; que vislumbre alguma sorte de saída no que fora feito mas, sinceramente, não sei como a candidatura repentina, não mais que repentina, de Manuela D'ávila (PCdoB) pode ser contributiva para a superação do atual momento em que estamos atolados; é fantástico! Diria o bom e velho Belchior: "tudo é divino, tudo é maravilhoso!".

Quando não é "São Lula", segundo a própria militância petista, para nos redimir dos mastodônticos males da terra de Cabral e que, sobretudo, a contra-revolução peemedebista nos impõe até a última tripa do corpo, pulula na paisagem política e eleitoral as quixotescas vanguardas do PSTU, PSOL, PCB dentre outros, nos propondo redenção e o edênico mundo do socialismo; não fosse pouco, lá vem o PCdoB descendo a ladeira com sua muito inédita e original candidatura presidencial e, é claro, com programa de governo "igualmente original"! Uau...

Aí sua burocracia partidária de tacape na mão brada feroz: "O PCdoB não é um 'puxadinho' do PT; tem todo o direito de lançar candidato ao que quiser". Nesse sentido, sim... Direito tem, sobretudo, se estivéssemos em uma democracia mínima; se o país não estivesse na pior crise política e econômica desde a fundação da República; se não estivéssemos em um inédito estado de exceção de fazer a quartelada de 1964 ser uma ciranda, cirandinha de creche.

Em matéria de desmonte estatal, de entrega plena e gratuita das próprias estruturas de produção e reprodução da mitigada economia nacional, de transferência das bases sócioprodutivas do país o que espantosamente, inclui seu solo, seu chão e seus conteúdos o que se passa no Brasil não estabelece precedente com qualquer outro instante da nossa infame história nacional; aliás, vou mais longe, em matéria da implementação de políticas neoliberais, logo, de fragilização e quebra da soberania nacional e, portanto, da capacidade do país gerir-se minimamente no intrincado plano das economias internacionais, o Brasil de Temer é "pole position" na comparação com qualquer país do mundo.

É loucura! Um desmantelo seguido de outro! Não se privatiza, se entrega empresas públicas, com seus planos, segredos, estrategias e tecnologias apenas para deixar a União "mais leve"; é que tecnocratas do Banco Mundial assim disseram e, desta feita, assim faremos.

Atingimos dezesseis milhões de desempregados diretos; mais de cem milhões de pessoas são diretamente atingidas com essa bomba sub-econômica; a economia brasileira já é majoritariamente uma economia informal, ilegal, desviada; é um "salve-se quem puder" que se realiza nas ruas, praças, praias e avenidas; locais proibidos e arriscados para o exercício dessa perversa neo-economia mas que se dá plena mesmo com a aberta repressão do Estado e das prefeituras nossas de cada dia a confiscar, prender e enquadrar gente pobre e que luta por suas vidas a partir da venda da água de coco, de quinquilharias chinesas ou de contravenções ao menos, risíveis.

A velha máxima do "o povo unido, jamais será vencido" não vale para os ditos partidos de esquerda? Tipo: "partidos de esquerda unidos, jamais serão vencidos!" Não, né!? Claro que não! Só vale para o povo? As cúpulas dirigentes não entendem dessa forma? Como entendem?

Essa esquerda é golpista; autoritária; burguesa e, querem saber... merece Temer na sua pele, no seu juízo, no seu cheiro, nos seus sonhos e nos seus pesadelos; é parte do problema; é burguesa, burocrática, manipuladora e nos momentos em que mais a população, sobretudo, seu oceano de miseráveis e que toma conta de todas as paisagens do cotidiano, lhe carece, ela desponta com ineditismos, com inovações e originalidades que pode ser muito bom para o ego político-partidário do seu grêmio, ao fim, retoma lembranças, feitos épicos e memórias de um tempo já vivido e que, de verdade, faz cócegas na desgraça contemporânea.

Ao fim, o bom mesmo é gozar! Vale o humor do carnaval: "Quem foi que descobriu o Brasil?/ Foi seu Cabral, foi seu Cabral/ No dia 22 de abril/ Dois meses depois do Carnaval!".

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