Quem tem medo de Paulo Freire?

A direita fascista, sabendo que uma educação libertadora é uma ameaça para sua tática opressora, ataca-o de todos os lados, ameaçando até mesmo destituí-lo o título de “Patrono da Educação”



Desde a ascensão do neofascismo, após o golpe parlamentar sofrido pela presidenta Dilma, e favorecido pela prisão política de Luis Inácio Lula da Silva, o Brasil passou a viver tempos sombrios.

Além de atacar instituições progressistas e toda a esquerda brasileira (e até mundial), eis que os fascistas decidiram atacar Paulo Freire e todo seu legado. Paulo Freire é referência internacional de resistência no que diz respeito à educação, à metodologia de ensino e também à luta política através da pedagogia da autonomia. Uma de seus livros mais famosos (“Pedagogia do Oprimido”), é a terceira obra mais citada em trabalhos na área das humanidades em todo o mundo. 

A direita fascista, sabendo que uma educação libertadora é uma ameaça para sua tática opressora, ataca-o de todos os lados, ameaçando até mesmo destituí-lo o título de “Patrono da Educação”.

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Fazendo uma reflexão, é possível entender o motivo desse ataque. Com seus ensinamentos, mostra-nos o caminho da verdadeira e única emancipação via transformação social promovida pelos oprimidos que passam de meros espectadores acomodados com a opressão, para cidadãos participativos, críticos e que contestam os opressores.

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Além disso, Paulo Freire era nordestino, o que causa aversão por parte da elite racista e preconceituosa, em especial ao antro fascista do Sudeste e Sul do país.

Mais do que o ataque à pessoa de Paulo Freire, ataca-se seu brilhantismo. E nesse ataque, sofrem também os educadores, que são acusados de “doutrinação” quando exercem sua profissão: a de educar e formar cidadãs e cidadãos críticos.

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Como não conseguem destruir o espírito de luta e resistência dos educadores, os interesses capitalistas, subsidiados por governos fascistas, ardilosamente atuam no desmonte da educação. Investimentos são cortados, a profissão é desvalorizada, sucateando escolas e universidades públicas, atendendo aos interesses do capital privado que, além de segregar a educação para os mais abastados, manipula e dita as regras do que deve ser abordado nas salas de aulas – incluindo a competitividade, e excluindo o pensamento crítico.

Nós precisamos ter uma educação libertadora, uma educação emancipatória. Somente assim é que se constrói uma nação soberana, livre do espírito do viralatismo e submissão ao imperialismo. Romper com as amarras colonialistas só será possível com o fortalecimento da pluralidade nacional.

E são justamente os ensinamentos e metodologias freirianas que nos permitem entender o que se passa na democracia e como devemos lutar a cada dia para seu fortalecimento. E isso incomoda aqueles que querem manter o povo alienado e marginalizado. Cria-se uma cortina fantasmagórica e falaciosa da educação libertadora. Tenta-se criminalizar o acesso ao conhecimento, pois um povo culto atrapalha as mazelas dos opressores.

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Para além dessa cortina, revela-se que a opressão é necrófila, “nutrindo-se do amor à morte e não do amor à vida”.

Pela pedagogia do oprimido, em um primeiro momento os oprimidos desvelam o mundo da opressão e, através da práxis, colocam em prática para que, posteriormente, passem a transformar a realidade até então opressora, transformando a sociedade em um processo de libertação permanente. É esse o medo: o enfrentamento da cultura de dominação.

É preciso de Paulo Freire para mostrar que o ocorrido em Jacarezinho não foi uma ação policial; foi uma chacina promovida por milicianos de farda a serviço do estado fascista gerido por Bolsonaro e seus capangas. Afinal, quando o alvo é o povo preto e pobre, é fácil dizer que se tratou de uma ação contra o tráfico de drogas e que eram “todos bandidos”. Mas quando se mostra a realidade, começaram a indagar o porquê de não fazerem o mesmo em festas “rave” frequentadas pela elite branca, racista, homofóbica, e até mesmo em helicópteros e aviões de senadores, deputados e políticos “conservadores e cristãos”.

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É preciso de Paulo Freire para romper a cegueira da mídia hegemônica que burla a verdade e propaga informações tendenciosas. Para que seja retirada a visão de que os palestinos são “extremistas” e Israel é o inocente; enquanto que a realidade mostra o oposto: o sionismo de Israel, apoiado pelos interesses dos EUA – que inclusive financiou a execução do escudo chamado “Domo de Ferro” e continua a assinar acordos e ajuda militar – promove há décadas o apartheid e genocídio contra o povo palestino, verdadeiros detentores das terras e que, gradativamente, estão sendo eliminados pelos verdadeiros terroristas.

É preciso de Paulo Freire para revelar o genocídio nas terras palestinas, para que a sociedade apoie os verdadeiros donos do território e denuncie os cortes de energia elétrica, o bombardeamento de hospitais, escolas e redes de distribuição de água, o que caracteriza Israel como criminoso de guerra.

É preciso de Paulo Freire para que se desmonte a falaciosa ideia do (des)governo patriótico de Bolsonaro. Somente com acesso à crítica e à verdade é que se pode mostrar a verdadeira política (necropolítica) lesa-pátria, submissa aos interesses imperialistas, sem que seja priorizado o bem-estar e a saúde do povo brasileiro.

É preciso de Paulo Freire para se erguer contra a farsa do agronegócio, denunciando a cumplicidade do (des)governo perante a matança que ocorre no campo, o extermínio de quilombolas, camponeses e indígenas; mostrando com evidências científicas – a mesma negligenciada pelos milicianos e cia. – que os agrotóxicos estão contaminando o ambiente, a água e os alimentos em nome de commodities e não para a produção de comida. É preciso dele para que se mostre que o avanço do garimpo em terras indígenas, assim como do agronegócio sobre os biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado, são danosos ao equilíbrio e sobrevivência da própria espécie humana.

É preciso de Paulo Freire para que se conscientize o povo do que estão fazendo com as leis de proteção ambiental, permitindo que “a boiada passe” sem qualquer tipo de resistência, tornando o Brasil um pária do clima global.

É preciso de Paulo Freire para se combater o negacionismo, sobretudo científico, mas igualmente do racismo estrutural e todas as formas de preconceitos defendidas pelos opressores.

Paulo Freire, sobretudo, é importante para que a escola seja transformadora e ensine, acima de qualquer coisa, nossos alunos, alunas e alunes a lerem o mundo. E se isso incomoda o sistema opressor, é porque está errado e precisa ser mudado!

É preciso de Paulo Freire para que, tal como esperança gera o verbo esperançar, o luto também se torne verbo!

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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