Racimo não tem desculpa

O papo precisa ser mais reto e o discurso carece de maior otimização. Racismo é crime, e como todo crime, tem que ser punido. Sem mais! A atitude de Seu Jorge, com todo o respeito que o tenho, musicalmente falando, não deve e nem pode servir de exemplo para quem sofre injúria ou crime racial. Lamentei muito o vídeo que vi, no qual, ele pedia para que os seus seguidores parassem de enviar mensagens de protesto contra o jovem racista, porque este, já não aguentava mais ser humilhado. Ora bolas, cara pálida! Você chama alguém de merda (porque preto, Seu Jorge é mesmo.) e espera receber flores? Você diz que o mundo está infestado de pretos e não aguenta ver a sua estupidez sendo combatida?

Data da foto: 2011
Seu Jorge, cantor.
Data da foto: 2011 Seu Jorge, cantor. (Foto: Nêggo Tom)

Dias atrás, Seu Jorge foi vítima de mais um ataque racista nas redes sociais. Durante uma live exibida em seu perfil do Instagram, ele foi chamado de "preto de merda", por um seguidor, que não satisfeito, mesmo após ser repreendido, completou com: "Foda-se! O mundo está infestado de pretos" Até aí, tudo normal sob a ótica comportamental de um racista.

Mas eis que, após ser vítima de milhares de manifestações contrárias a sua atitude preconceituosa e movido por um arrependimento quase madalênico, o jovem criminoso decidiu se desculpar. Diz a nota emitida pelo próprio Seu Jorge: “Acabei de receber várias mensagens do menino que me ofendeu quando eu estava ao vivo aqui no Instagram. Uma delas foi pedindo desculpa — muitas delas –, dizendo que não é racista, que errou, que foi força da emoção. Justificou a atitude dele com problemas que teve no passado com uma pessoa negra, e aí perdeu o controle. Conversamos, ele se mostra arrependido e ficou de publicar um vídeo pedindo desculpas a mim e a toda comunidade negra.”

Deixe-me ver se entendi. O rapaz então praticou o crime de racismo, por força da emoção e por ter se desentendido com algum preto no passado? Quer dizer então, que se eu me desentender com um branco hoje ou ele praticar um ato de racismo contra mim, eu terei o direito - garantido pela força da emoção ou um por um dejavu existencial - de chamar o primeiro branco que passar por mim na rua, de branco racista de merda? Mesmo que o meu alvo escolhido não seja racista? E o branco ofendido por mim, me concederá o perdão, pois entenderá que os pretos, podem sim, ter traumas com relação a qualquer branco que se aproxime deles? WTF!

Não esperem desse texto, um manifesto ativista pelo direito dos pretos, nem um artigo embasado em dados históricos, com referências bibliográficas de grande relevância e cheio de simbolismos. Também não esperem que eu conte aqui uma crônica narrativa, sobre as experiências desumanas vivenciadas pelos pretos, dentro de um navio negreiro qualquer, para tentar sensibilizar quem não tem sensibilidade. Na verdade, o que torna "chata", a abordagem do tema, é justamente todo esse blá blá blá, usado por alguns ditos ativistas da causa, que no fundo, querem apenas ganhar notoriedade, ter reconhecida a sua intelectualidade e estarem em evidência.

O papo precisa ser mais reto e o discurso carece de maior otimização. Racismo é crime, e como todo crime, tem que ser punido. Sem mais! A atitude de Seu Jorge, com todo o respeito que o tenho, musicalmente falando, não deve e nem pode servir de exemplo para quem sofre injúria ou crime racial. Lamentei muito o vídeo que vi, no qual, ele pedia para que os seus seguidores parassem de enviar mensagens de protesto contra o jovem racista, porque este, já não aguentava mais ser humilhado. Ora bolas, cara pálida! Você chama alguém de merda (porque preto, Seu Jorge é mesmo.) e espera receber flores? Você diz que o mundo está infestado de pretos e não aguenta ver a sua estupidez sendo combatida?

Ao contrário do que tenho ouvido por aí, Seu Jorge não foi de uma grandeza ímpar, ao resolver deixar pra lá e perdoar o criminoso racista. Ele foi omisso e de "alma branca", do jeito que os hipócritas gostam. Grandeza ímpar teve o goleiro Aranha, que não se rendeu a hipocrisia e nem a turma do "deixa disso", e nos deu um grande exemplo de defesa da própria dignidade. A honra de ninguém deve ser ultrajada e não é um pedido de desculpa, fajuto e conveniente, que irá restitui-la. Muitos dos que defendem o perdão ao crime de racismo, são os mesmos que apoiam que um delinquente seja amarrado a um poste e surrado, para "aprender". Aí não pode haver perdão. Principalmente se ele for preto. Crime é crime. Não importa quem o praticou. É para ser punido de acordo com a lei.

Logo Seu Jorge, que vivenciou uma experiência sórdida de racismo na Itália, quando o dono de uma loja não queria permitir a sua entrada em seu estabelecimento e imaginou que o carrinho onde estava a sua filha, era um carrinho de lixo e pediu para que o deixasse do lado de fora. Confesso que esperava mais de uma personalidade tão notória e que poderia usar a sua representatividade de uma maneira um pouco mais engajada, nesse país onde as oportunidades não são iguais e o respeito muito menos. Não adianta recitar "Negro Drama", dos Racionais e ignorar o drama vivido.

Mulheres que foram assassinadas por seus maridos ou parceiros violentos, também perdoavam as suas agressões, porque eles só as agrediam, quando estavam nervosos, bêbados, estressados, sob forte emoção, ou porque tiveram uma experiência ruim com outras mulheres no passado. Homofóbicos que atacam os gays, reacionários que ateiam fogo ou lançam jato de água em mendigos na calçada, intolerantes religiosos que depredam o templo de outra denominação ou radicais ideológicos que não aceitam o contraditório político e chamam de petralhas de merda quem discorda de suas opiniões, também o fazem pelos mesmos motivos, e quando não matam (física ou moralmente) o alvo de seu ódio, se desculpam.

Perdoar é divino, mas enquadrar um racista é libertador. Racismo não tem desculpa. NÃO TEM!

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