Rapsódia em outubro

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(Foto: Divulgação)


Começar de novo é um moto-continuo que todo brasileiro conhece muito bem. Em meio ao que alguns acharam ser construção, mas que já era ruína anunciada, seguimos enfrentando as enchentes, as secas, a necropolítica, os preconceitos e a intolerância. Como se fôssemos a antológica personagem de Sachiko Murase, do filme Rapsódia em agosto, de Akira Kurosawa, munidos com nossos pequenos guarda-chuvas metafóricos tentamos, diuturnamente, nos proteger, enquanto caminhamos sob as recorrentes tempestades de humilhação e descaso político que assolam o Brasil.

É neste contexto de cansaço e desilusão, que abrimos nossas casas e nossos corações para a chegada do ano de 2022. Ficamos alegres, tendo em vista tudo de bom que a vinda de um novo ano simboliza. Por outro lado, é premente a vontade que se tem de que o ano que chega não tome assento nas nossas vidas, ou seja, que passe logo, pois ainda há muita dor e tristeza para onde quer que se olhe. Neste contexto de desalento, não se pode mais aceitar que este país, “comandado” por descerebrados, continue à deriva. 

É chegado o momento da sociedade civil organizada reagir aos desmandos das hienas da elite financeira, que garfam as riquezas da nação. É imprescindível que se revertam, como já fez a Argentina, as malditas reformas que jogaram a vida do trabalhador brasileiro no lixo e destruíram a economia nacional, servindo apenas para o aumento dos ganhos de uns poucos privilegiados, a saber, os de sempre.  É necessário implodir a ganância desses poucos e reconstruir pontes para que o Brasil volte a ter algum vislumbre de normalidade social e dignidade humana.

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Sobre “reconstruir pontes”, no último dia 03 de janeiro, o jornal britânico The Guardian, em matéria do jornalista Tom Phillips, https://www.theguardian.com/world/2022/jan/03/luiz-inacio-lula-da-silva-brazilian-former-president-mission-to-defeat-bolsonaro, destacou que reconstruir pontes é a missão do ex-presidente Lula, para derrotar Bolsonaro. A arte de (re)construir pontes em um país que prefere construir muros não se mostra como tarefa fácil. Contudo, sobra ao ex-presidente Lula reconhecida habilidade no diálogo político, o que faz enorme diferença na hora de derrubar muros e abrir conversações. É claro que o ex-presidente caminha em campo minado, tendo em vista que os tentáculos do fascismo estão por toda parte, e a escumalha política que está no poder não abrirá mão das benesses proporcionadas por ele.

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Assim, caberá ao ex-presidente ser como Janus, o deus romano das mudanças, decisões, transições e escolhas. Lula não é, e obviamente não deseja ser um deus, pois é feito de povo; mas deverá agir como se, tal qual Janus, fosse um ser bifronte, ou seja, possuidor de duas faces que representam o passado e o futuro. Neste sentido, enquanto uma face olha para trás, a outra fita o horizonte. A face que olha para o passado exige que não desconsidere o que fizeram a ele e à democracia brasileira no verão passado. Sua face dianteira, por sua vez, precisa estar atenta ao fogo fátuo que ameaça irromper dos monturos da política nacional. 

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Não há tempo, é bom que se diga, para fogo amigo. É preciso focar no futuro, nas coligações, nos nomes, nas pontes a serem (re)construídas. É estupidez, por exemplo, atacar companheiras de partido. Lula precisa ter a certeza de quem, na guerra que se avizinha, estará ao seu lado na trincheira. E isso importa? A resposta, lê-se em Hemingway: “mais do que a própria guerra”. O ano começa. Nada será fácil. Como Kane, a personagem de Sachiko Murase, Lula enfrenta a tempestade. Ao seu lado, um país inteiro.

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