Ratos, ratinhos e ratões no Brasil como invenção dominada

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Ratinho (Foto: Reprodução)


“Estamos experienciando a febre do planeta. ” É o que Ailton Krenak afirma e que, aparentemente, uma parcela significativa da humanidade não está percebendo – ou, então, está negando. O aumento da temperatura do planeta vem como uma reação; mostra que o organismo Terra está reagindo às ações predatórias e destrutivas dos seres humanos, mas estamos tão centrados em nós mesmos que somos incapazes de ouvir esse descompasso. “Nos descolamos do corpo da Terra”, diz Krenak.

 Fizemos um divórcio, acreditando que poderíamos viver por nós mesmos. Com uma condição: extrair, dominar, explorar tudo o que vem de Gaia. Nos divorciamos desse organismo que nos abriga, mas estamos a todo instante a usurpá-lo. (Ailton Krenak) centrados em nós mesmos, sim há muitos séculos, vivemos sob a égide do chicote, físico e simbólico, já que há coerção para transformar signos em símbolos. Sim, o sistema capitalista que foi a mola propulsora da modernidade, como modus operandi, de enriquecimento por parte de facções bem estruturadas para funcionar e também ocupar o papel de DOMINADORES.

 E claro, que o mercantilismo (estratégica forma de capitalismo) invadiu terras e fincou suas simbólicas cruzes religiosas nestas terras, e aqui no Brasil não foi diferente. À época da invasão, em 1500, o Brasil possuía, segundo dados da FUNAI, três milhões de índios. Hoje, temos em torno de um milhão; a História do Brasil iniciou dentro da lógica de acumulação primitiva de capital, onde a economia brasileira era apenas uma extensão portuguesa na América. A ocupação portuguesa se deu através da exploração de matéria prima tropical, num primeiro momento com a exploração e retirada do pau-brasil, depois com a economia açucareira.

 Até o século XVIII a forma de capital que dominava a economia mundial era o capital comercial, somente na virada para o século XIX o capital industrial se desenvolverá hegemonicamente; e tal hegemonia já fora do povo originário da grande Pindorama. Com uma base de relações que levava em consideração o parentesco e as alianças, os integrantes culturais de este escopo traziam em seu âmago secular: o bem comum. Infelizmente, extrair, dominar e cooptar passou a ser o lema de uma subjugação castradora e executória pós-invasão, veja o fragmento extraído do texto em análise, sob forma de resenha: “Estima-se que quando Cristóvão Colombo chegou pela primeira vez ao continente americano, em 1492, ele era habitado pelo menos por 250 milhões de pessoas, que passaram a ser denominados de índios, distribuídos e organizados por milhares de grupos étnicos ou povos autóctones. Apenas na região do atual México, estima-se que ali habitavam naquela época mais de 30 milhões de índios, segundo relatos de cronistas e historiadores de então.  

 

 

 Apesar do grande massacre implementado pelos invasores europeus, os povos indígenas ainda somam atualmente mais de 50 milhões de pessoas espalhadas por todos os países da América do Norte, da América Central e da América do Sul”; a partir de estas informações/fato, se faz mister que você leitor, que porventura ainda não conheceu tal historicismo: entre em estado de perplexidade com esta “provocação histórica” e se assenhoreie dela como subsídio de entendimento do quanto a herança da colonialidade é forte, e mantém (ainda sob rédea firme) a mente dos descendentes de esta imensa nação indígena, que viveu e morreu no passado livre de um tempo invadido pelo desrespeito. Um milhão de guaranis, nos idos de 1500; isso é fabuloso, somos diversos, e graças a existência de estes seres antigos e donos da terra brasileira. Que foram "civilizados" a ferro, eles que entregaram tudo? Não. Os povos originários foram dizimados. Aí, eles começaram a trocar espelhos por terras.

 A partir da década de 1970, os índios começaram a se movimentar no sentido das reivindicações, no entanto, bem antes personagens como os Irmãos Villas Boas nos mostram o quanto é paradoxal a questão dos índios, observe a frase: “ Foram os índios que nos deram um continente para que o tornássemos uma Nação. Temos para com os índios uma dívida que não está sendo paga”. No mínimo pretensiosa tal afirmativa, do conhecido indigenista Orlando Villas Boas. A família Villas Boas, originária do Minho e Douro, de fidalgos. O Brasil é uma invenção, começou inicialmente com Portugal, depois veio Holanda, França ... e mesmo agora estamos sendo invadidos...sim, espoliados por ditaduras democráticas ou não, com uma representatividade democrática à lá Max Weber. Os índios guaranis tinham 4.000 anos de cultura, e lutavam por territorialidade. E através de uma cosmovisão guarani, ainda; como eles: procuramos uma terra "sem males”. A heterogeneidade estava presente na “nação” que aqui viveu "livre e organizada" nos séculos antes do "estupro invasor", meu caro Orlando Villas Boas! A má intenção dos invasores significa roubo. E até hoje, o povo brasileiro é roubado, espoliado e a corrupção impera. Que caia o mito! Junto com sua missa no Monte Pascoal, e com a catequização dos contrarreformistas jesuítas: “A implantação das primeiras escolas nas comunidades indígenas no Brasil é contemporânea à consolidação do próprio empreendimento colonial. A dominação política dos povos nativos, a invasão de suas terras, a destruição de suas riquezas e a extinção de suas culturas têm sido desde o século XVI o resultado de práticas que sempre souberam aliar métodos de controle político a algum tipo de atividade escolar civilizatória. A educação indígena no Brasil Colônia foi promovida por missionários” O nosso Arariboia, foi cooptado, e depois de ter nadado léguas, ganhou através de falsa meritocracia, (típico elemento da divisão de classes), seu melhor prêmio: as terras de Niterói.

 E assim estamos vivendo sob o chicote da colonialidade, como disse Quijano. Escravizados por mentes diabólicas e nada progressistas. Que sejamos “cobra feroz” como foi Martim Afonso de Souza, o índio Araribóia, que apesar de receber a sesmaria de Niterói, por auxiliar lealmente Portugal contra a Invasão francesa: foi um guerreiro que queria liberdade. Como disse o antropólogo João Pacheco de Oliveira: esta guerra entre governos e índios é contínua, não parou no século XVI. Afinal, massacres como o do Paralelo 11, em 1960, em pleno século XX, não podem jamais ser esquecidos. Deixo como ilustração o conto premiado pelo projeto APPARERE da EDITORA PERSE, na forma de podcast: O NATAL DE INIGUAÇU, também publicado de forma textual e escrita, em Antologia premiada. Escrevi tal obra em homenagem à sofrida nação indígena brasileira: https://anchor.fm/valu00c9ria-guerra-reiter/episodes/Conto-Premiado-do-projeto-Apparere-e 

 A etimologia das palavras rato e seus cognatos: ratões, ratazanas, ratinhos vem de “rattu” que significa o “som do roer”. E realmente o povo brasileiro está sendo roído, corroído e mastigado por Ratos, Ratinhos e Ratões, e por vezes ao som de metralhadoras ou som de estômago que ronca de fome. A política da desigualdade está instaurada e tentando de todas as maneiras continuar roendo os brasileiros. Os golpistas querem permanecer no poder, e divulgam pesquisas em algumas regiões do Brasil, como por exemplo, a realizada em Santa Catarina, como indica o anexo abaixo:

Brasmarket


Ainda bem que o presidenciável LULA DA SILVA sobrepuja qualquer pesquisa minoritária ou factoide que tente minorar a amplitude de seu favoritismo.

 #LEIABRAZILEVIEREBRASIL

 #VALREITERJORNALISMOHISTÓRICO
 

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