Recolha as suas fileiras, general. A resposta virá das urnas!

"Palavras são como flechas, general. Depois de disparadas, não há como segurá-las", escreve a jornalista Denise Assis em referência às ameaças do ministro Braga Netto às eleições de 2022. "Guarde os seus fuzis. Onde desfilariam as suas fileiras, vai passar o cordão dos que acreditam que podem fazer um país melhor do que o que nos oferece o governo que o senhor serve"

Ministro da Defesa, Walter Braga Netto
Ministro da Defesa, Walter Braga Netto (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia

Em casa que falta pão, todos gritam e ninguém tem razão. Desde o retorno à democracia, oficializada com a promulgação da Constituição de 1988, houve um acordo tácito entre as fileiras militares e o poder, de que o cargo criado de ministro da Defesa deveria ser ocupado por um civil. Isto, para limpar o horizonte, engavetar o medo, a paranóia do retorno à barbárie da tutela militar. Sim, barbárie. Acostumem-se, de uma vez por todas a ouvir isto. Foi isto o que vocês praticaram no poder. Tivessem respeitado a revisão histórica e já teria, o Exército de hoje, se divorciado da imagem daquele Exército que matou, queimou e desapareceu com os “inimigos” - no dizer de vocês -, apenas porque pensavam diferente e prezavam a liberdade surrupiada do país.

Coube a Michel, o golpista, conspirador, joguete dos interesses americanos e síndico da massa falida e frustrada do PSDB, destampar o caldeirão do oficialato, para lá de dentro pescar um militar para o cargo de ministro da Defesa e reabrir essa ferida que não cicatriza, porque nela não foi feita a devida assepsia. Vesgos, os generais comandantes insistem em que o lixo deve permanecer embaixo do tapete. Preferem que os esqueletos caiam do armário em suas cabeças a cada turbulência política, a reconhecer – mesmo que os culpados não sejam punidos, este não era o propósito da Comissão da Verdade – os erros do passado. Insistem, ainda hoje, na fake news de que havia uma ameaça “comunista”, o que quer que entendam sobre isto.

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Sim, Michel. Você não merece figurar na galeria de ex-presidentes, porque não foi um. Você foi um “OB”, um tampão – parodiando o príncipe Charles -, que nos trouxe a este estado de coisas. Devemos a você esta distorção trazida à cena novamente. Esse ir e vir de ondas de ansiedade em torno de uma ameaça constante de coturnos que tiram e colocam o pé no nosso pescoço.

Desta vez, porém, com a sociedade ligada em redes sociais, houve uma politização além do que vocês queriam. Todos sabem e acompanham alertas a chantagem vinda de lá. É chantagem apenas. Não acreditamos nas ameaças do general Braga Neto, simplesmente porque confiamos nas instituições e no poder delas e nosso de impedir tal aventura. Ainda que tenhamos um presidente da Câmara titubeante, que ouve, teme, treme, e depois desmente. 

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Pouco importa que desminta. Ele desmente, mas há data, há detalhes, há repórteres que, se acredita, confiáveis, na descrição desta ameaça. Há uma conversa reportada entre ele, (Arthur Lira) e Bolsonaro, que nos leva a acreditar que, sim, a frase foi dita. Repito: dita. É uma frase, apenas, general. Uma frase. Uma ameaça que se quer vã. O país não comporta mais um golpe à república bananeira. Suas notas são como tiques de caixa, que se joga na bolsa e dali, amarfanhadas, vão para o lixo.  De preferência, o lixo da história.

Não é medo o que nos move a acreditar que a ameaça foi feita. Ela não é factível no Brasil de agora. É a riqueza da descrição. Não estamos convencidos da retirada da revelação do presidente da Câmara, que em vez de ir para a tribuna esbravejar contra a sua prepotência, se encolhe, se esconde sob ela, de onde deveria liderar uma repulsa nacional a tanta chantagem. Palavras são como flechas, general. Depois de disparadas, não há como segurá-las. O que foi dito foi dito, mas o dito não está feito. Recolha os seus canhões. Guarde os seus fuzis. Onde desfilariam as suas fileiras, vai passar o cordão dos que acreditam que podem fazer um país melhor do que o que nos oferece o governo que o senhor serve. O futuro saberá delinear a sua biografia. Digitais ou coisa que o valha, as urnas lhe devolverão o desaforo de nos manter sob ameaça.

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