Reforma da Previdência: mais uma cilada midiática

O jornalista Florestan Fernandes Jr., do Jornalistas pela Democracia, diz que a reforma da Previdência é mais uma cilada midiática, que repete as faze news. Ao fazer o contraponto às pregações da mídia corporativa, destaca o fracasso de políticas que esta apoiou, prejudicando o país; " O congelamento dos gastos públicos, privatizações e a reforma trabalhista, tão apoiadas pelo mercado para recuperar o crescimento econômico, resultaram em mais recessão e desemprego"

Reforma da Previdência: mais uma cilada midiática
Reforma da Previdência: mais uma cilada midiática (Foto: Foto: Divulgação/RBA)
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Por Florestan Fernandes Jr, para Jornalistas pela Democracia Faz bem reler alguns textos que a gente escreveu tempos atrás e que se perderam no oceano de escritos da web. Faço isso com uma certa frequência, como um exercício de autocrítica. Constatar os erros e os acertos das nossas avaliações sobre política, economia, cultura e educação.

Neste domingo, o Facebook me deu a oportunidade de reler um texto que escrevi faz exatos seis anos. Na época, criticava as previsões pessimistas para a economia feitas diariamente pelos grandes órgãos de comunicação. As manchetes eram aterrorizantes e demonstravam uma clara manipulação política-midiática.

No fim do primeiro mandato de Dilma, as manchetes e escaladas dos telejornais davam como certo um apagão elétrico em todo o país. Eu e um pingado de blogueiros éramos vozes dissonantes da previsão catastrófica reverberada em rádios, revistas, jornais e emissoras de televisão, o tal pensamento único midiático tão criticado por Lula em sua recente entrevista dada ao El País e a Folha de São Paulo.

Os anos trataram de apagar da lembrança. O apagão que não veio. Por isso é importante relembrar. Ainda naquele ano de 2013, comentaristas e seus entrevistados do tal "mercado" afirmavam que haveria uma queda iminente nas vendas da indústria automobilística. Mais um chute fora. Em junho de 2013, a produção de veículos batia novo recorde com 21,8% de crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os mesmos veículos de comunicação deixaram muitos trabalhadores à beira de um ataque de nervos ao afirmarem categoricamente que o desemprego iria aumentar. Mas como o tempo é o senhor da razão, o Brasil fechou o ano de 2014 com a menor taxa de desemprego já registrado pelo IBGE, 4,8%.

Na sequência veio o mantra da volta da inflação por conta da quebra da safra do tomate, batata, cebola e outros legumes. Como esperado, a produção se normalizou e os preços dos legumes caíram. A inflação fechou o ano em 6,41%, índice abaixo do teto da meta do governo.

Como já dizia Gobbels: "uma mentira repetida mil vezes se torna verdade." Não deu outra, as previsões venceram a realidade aprofundando uma crise externa que chegou em 2015 e que poderia ter sido controlada se o pessimismo não tivesse disseminado por todo o país.

Apoie o projeto Jornalistas pela Democracia Finalmente o objetivo por trás da campanha de "fakes" se realiza. Em 2016, a presidenta eleita é afastada sem crime de responsabilidade e emerge para o seu lugar o mais temeroso de todos os presidentes. Foram dois anos de um governo que não apresentou nada de bom para o país. Temer não conseguiu reduzir o pessimismo incutido na cabeça dos brasileiros nem conter os escândalos envolvendo Geddel, Aécio, Jucá e ele próprio.

O congelamento dos gastos públicos, privatizações e a reforma trabalhista, tão apoiadas pelo mercado para recuperar o crescimento econômico, resultaram em mais recessão e desemprego.

Agora, o que vai redimir nossa economia é a reforma da previdência. Você acredita? A impressão que eu tenho é que nossa mídia corporativa pegou a arminha do Bolsonaro e atirou no próprio pé durante seis anos. A crise que tanto previam tardou, mas chegou. Comprometendo com ela não só a nossa economia, mas também inúmeras empresas de comunicação.

Pelo jeito elas não aprenderam nada com a lição. Continuam desprezando a boa informação. Não fazer o contraditório e defender de olhos vendados a reforma da previdência é um desrespeito aos milhões de trabalhadores que serão afetados pelas mudanças em curso no Congresso Nacional.

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