Reforma trabalhista e nova economia

Daqui a pouco vai ter gente reivindicando o luddismo. Ou, pior, volvendo aos fisiocratas. O nó da reforma é outro, é a perda de direitos e garantias dentro de um jogo de forças desigual, agravado pela deterioração dos indicadores econômicos e sociais

Daqui a pouco vai ter gente reivindicando o luddismo. Ou, pior, volvendo aos fisiocratas. O nó da reforma é outro, é a perda de direitos e garantias dentro de um jogo de forças desigual, agravado pela deterioração dos indicadores econômicos e sociais
Daqui a pouco vai ter gente reivindicando o luddismo. Ou, pior, volvendo aos fisiocratas. O nó da reforma é outro, é a perda de direitos e garantias dentro de um jogo de forças desigual, agravado pela deterioração dos indicadores econômicos e sociais (Foto: Leopoldo Vieira)

O portal Diário do Centro do Mundo publicou uma postagem na qual anunciou ter viralizado uma proposta de emprego de uma cafeteria cujo salário seria café e comida.

A crítica desorganizada ou baseada em uma visão anacrônica da economia dá nisso.

Já ensinava Darwin, vitoriosos são o que são capazes de se adaptar. Se for o caso de pôr uma lente "vermelha" sobre a questão, mire-se a China.

O que o rapaz, Rodrigo Ballaminut, ofereceu no Facebook é um sistema de permuta de habilidades, que acontece há tempos no Brasil e no mundo. Tipo: dou aula de violão em troca de aula de inglês etc.

Uma lista deste tipo de serviço pode ser encontrada aqui.

Para tempos de crise, nada melhor, sobretudo para os mais pobres.

Ontem, Paulo Henrique Amorim publicou vídeo criticando a reforma trabalhista a partir de conceitos como coworking, homeworking, networking. Há quem misture na crítica Uber, Youtuber, Startup. Coisas que, inclusive, podem e devem estar numa agenda pública para benefício da cidadania de baixa renda.

Estes modelos de negócios podem proliferar comunicadores comunitários de grande alcance e rentabilidade, empreendimentos como marmitas ou cabeleireiros nos bairros com compartilhamento de dividendos, e impulsionamento de outros inovadores produtos oriundos da criatividade das classes C, D e E. Universidades cheias ainda de prounistas e cotistas podem ajudar a incubar tais empresas.

Daqui a pouco vai ter gente reivindicando o luddismo. Ou, pior, volvendo aos fisiocratas.

O nó da reforma é outro, é a perda de direitos e garantias dentro de um jogo de forças desigual, agravado pela deterioração dos indicadores econômicos e sociais.

E, também, da dramática falta de imaginação, que só sabe solver crises fiscais e da margem de lucro com propostas dos séculos passados, enquanto tanto benchmarking pode ser feito sobre maneiras de aumentar a produtividade e conciliar prazer e trabalho, com proteção, bem-estar social e competitividade.

No documentário sobre o êxito eleitoral de Emmanuel Macron, da Netflix, esta provável demônia da nova economia, a equipe do presidente francês, por exemplo, discutia uma reforma da Previdência casada com a trabalhista, pela qual se revertia a jornada de 36 horas semanais para 40, mas até somente os 50 e poucos anos.

O impasse era a pressão empresarial para aumentar a lucratividade.

Mais imaginação para todos e soluções impactantemente positivas, menos cacoetes ideológicos.

Mais empreendedorismo das pessoas comuns, livres daquelas cartilhas burocráticas horrendas que broxam qualquer iniciativa, e menos odes ao "setor produtivo nacional", que boicotou o Plano Collor, Plano Cruzado, o Plano Real e a política anticíclica de Dilma Rousseff para levar o país ao labirinto do Impeachment. E, após reclamar sacalmente por livre mercado, não larga a chantagem por Refis e subsídios baseados nos impostos que sonega.

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