Reforma Trabalhista – o trabalhador quem vai pagar a conta

Flexibilizar a CLT é atentar contra o equilíbrio entre a força do trabalho e o capital, as garantias implícitas e conquistas adquiridas ao longo da história, é humanizar uma relação desarmônica por sua natureza

São Paulo - Ato "#Fora Temer! Não queremos nenhuma chibata! Queremos decidir nosso futuro!", organizado por mulheres negras, defende direitos sociais e trabalhistas. Largo da Batata, Pinheiros, região oeste.
São Paulo - Ato "#Fora Temer! Não queremos nenhuma chibata! Queremos decidir nosso futuro!", organizado por mulheres negras, defende direitos sociais e trabalhistas. Largo da Batata, Pinheiros, região oeste. (Foto: Manoel Dias)

A proposta de Reforma Trabalhista, encaminhada pelo governo ilegítimo e em discussão no Congresso Nacional, tem como único desígnio suprimir direitos dos trabalhadores. Um anseio perseguido há tempos pelos donos do capital.

Este processo perverso aprofunda dois valores essenciais na relação capital e trabalho. Um é a força do trabalho que é conceituado como "mercadoria" que agrega o tempo que o trabalhador necessita para produzir, o que valorativa o seu salário. Outro é o valor desse tempo, que imutavelmente é menor do que a quantidade da força de trabalho total, o que gera lucro, e que Marx classificou como mais valia.

Sabedor que esse tema caro a sociedade brasileira jamais ganharia uma eleição, ele é proposto por meio de um governo usurpador que se utiliza de aleivosias e demagogia para ludibriar o trabalhador.

A sanha desmedida da ganância do capital nunca perdoou as conquistas trabalhistas adquiridas desde a era Vargas. Desconsideram desonestamente que os custos dos direitos trabalhistas estão embutidos no valor final, somando-se ao lucro.

Flexibilizar a CLT é atentar contra o equilíbrio entre a força do trabalho e o capital, as garantias implícitas e conquistas adquiridas ao longo da história, é humanizar uma relação desarmônica por sua natureza.

Em nome da pseudomodernidade desconstrói a Justiça do Trabalho substituindo-a por acordos coletivos, que em geral, não têm poder de garantir direitos e avanços para a classe trabalhadora, como também faltam legitimidade de alguns sindicatos para tal. Altera-se a jornada de trabalho que pode levar aos tempos da escravatura. Terceirizam-se as atividades fins precarizando substancialmente as condições de trabalho, visando inclusive o serviço público e tirando a responsabilidade constitucional do Estado.

Falácia enganosa que a "reforma trabalhista" geraria mais empregos e modernizaria o Brasil. O que gera emprego e produção econômica, projeto de desenvolvimento nacional, é defender as empresas brasileiras e não se comportar como subserviente aos interesses internacionais.

Modernidade é agregar direitos dando dignidade à classe trabalhadora e salários decentes fortalecendo o mercado interno, é respeitar e reconhecer o labor dos que realmente produzem riquezas neste país.

É necessária a unidade das forças progressistas deste país para resistir a esse ataque contra a classe trabalhadora. Um dos tentáculos do golpe é tirar direitos dos trabalhadores de forma sorrateira, sob chantagens cínicas.

O Trabalhismo, como corrente política que emancipou o trabalhador brasileiro, que teve na figura emblemática de Getúlio Vargas um dos patronos do trabalhador, não se furtará de lutar e denunciar esse verdadeiro atentado contra o trabalhador.

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