Regina Duarte só tem a perder

Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, afirma que, se a atriz Regina Duarte aceitar oficialmente a participação no governo Jair Bolsonaro, "vai fatalmente sofrer pressão do clã e dos aliados para continuar implementando políticas retrógradas do governo nazi-evangélico, o que vai colocá-la em confronto com a classe artística"

Jair Bolsonaro e Regina Duarte
Jair Bolsonaro e Regina Duarte (Foto: Reprodução)

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

A atriz Regina Duarte só tem a perder se aceitar o convite para ser ministra da Cultura do governo Bolsonaro. E ele só tem a ganhar.

É óbvio que ela passará a ser a estrela do governo, vai aumentar a popularidade dele, mas ao participar de um governo comandando por uma pessoa paranoica e psicótica vai fatalmente sofrer pressão do clã e dos aliados para continuar implementando políticas retrógradas do governo nazi-evangélico, o que vai colocá-la em confronto com a classe artística.

Ser a ministra mais popular – vai tirar, com certeza, o ministro Sérgio Moro do topo do pódio – não lhe trará a glória, mas dissabores.

A julgar pelos antecedentes, Bolsonaro detesta qualquer um que tenha mais prestígio que ele e, além disso, seu filho 02 fulmina rapidamente todos os que se aproximam de seu pai, como já fez com aliados de campanha fieis e até amigos de 40 anos.

Sua nomeação também vai fazer mal à Globo e ao PSDB.

Ainda que ela se afaste da emissora - claro    que não poderá ser ministra e contratada da Globo ao mesmo tempo – tudo o que ela fizer ou disser será entendido como recado da principal emissora do país, para o bem e para o mal.

O mesmo pode ser dito em relação ao partido tucano. Ela ficou marcada como garota-propaganda do PSDB naquele comercial em que disse ter medo do PT e será inevitável enxergá-la como uma tucana que aderiu ao goebolsonarismo.

Bolsonaro precisa mais dela que ela dele.

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