Renda Brasil implode projeto liberal-populista de Bolsonaro

Para Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia, após anunciar que não irá insistir na criação do Renda Brasil, Jair Bolsonaro "poderá se sentir tentado a amputar a perna liberal do governo – Paulo Guedes e equipe -, ficando só com a populista"

www.brasil247.com - Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)


Por Helena Chagas, para o Jornalistas pela Democracia

A cada dia fica mais difícil arrastar para qualquer lugar o corpinho liberal populista desse governo, em que uma perna insiste em andar para um lado, enquanto a outra já saiu correndo na direção oposta. O que terá levado a equipe econômica a propor o congelamento das aposentadorias dos velhinhos e a redução do alcance do auxílio para deficientes e idosos, a fim de financiar o Renda Brasil, depois de Jair Bolsonaro ter vetado a alternativa mais lógica de reduzir o abono salarial de quem está empregado? 

Se a intenção era acabar com o Renda Brasil, um estorvo para esse pessoal que mexe com as contas públicas, conseguiu. Se era irritar o chefe, também. Bolsonaro acaba de ter um surto e dizer que está proibido falar em Renda Brasil até o fim de seu governo e que congelar aposentadorias e cortar auxílio de idosos e deficientes é “um devaneio de alguém que está desconectado com a realidade”. Mais ainda, disse que vai continuar com velho e bom Bolsa Família  — aquele programa criado pelo PT que ele tanto queria chamar de seu com outro nome…

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O presidente ameaçou com “cartão vermelho” quem, dentro do governo vier lhe trazer mais sugestões desse tipo, pois “é gente que não tem o mínimo de coração, o mínimo de entendimento de como vivem os aposentado no Brasil”. E ponto final. A quem se dirige Bolsonaro? É bom prestar atenção: o ministro Paulo Guedes não abriu a boca para defender tais propostas publicamente e ficou quieto no seu canto. Integrantes da equipe, como o secretário de Fazenda, Waldery Rodrigues, é que as anunciaram à imprensa. Podem ter virado bolas da vez — ou então arrumaram uma boa desculpa para debandar do governo diante da inviabilidade da agenda liberal, o que já estariam tramando ao esticar a corda. Esse, porém, não é o ponto mais importante.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

 A indagação que fica, neste momento, é o que fará Bolsonaro, que, com razão, não quer tirar do pobre para dar ao paupérrimo? Vai suspender os pagamentos do auxílio emergencial, já em R$ 300 reais, no fim do ano e não terá nada para botar no lugar sem o Renda Brasil ou outro programa similar que represente uma ampliação substancial do Bolsa Família. O programa traz ao imaginário da população os anos do PT, que o criou, e não tem a marca Bolsonaro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mais: ainda que seja ampliado para atender mais seis ou oito milhões de pessoas, além das 14 milhões de famílias beneficiadas hoje, não vai incluir a maior fatia dos 38 milhões de “invisíveis”, os trabalhadores informais que receberam o auxílio emergencial na pandemia.  Em seu novo figurino populista, o presidente precisa encontrar uma solução urgente antes que sua popularidade comece a cair, o que se espera lá na virada do ano.

No desespero, dizem alguns, poderá se sentir tentado a amputar a perna liberal do governo – Paulo Guedes e equipe -, ficando só com a populista. Uma jogada para lá de arriscada, que o fará cair sentado, sem o apoio que ainda lhe resta no mercado e no PIB. O Centrão, nessas horas, não ajuda ninguém a se levantar.   

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email