Restaurante mineiro confirma que golpe liberou selvageria das elites

"Cena vergonhosa de restaurante mineiro mostra que o golpe de 2016 deu voz ao ressentimento dos bem nascidos contra a liberdade o progresso dos mais pobres", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247; "Estamos falando de pessoas que não se conformam com o progresso das trabalhadoras domésticas, com o alunos pobres que ingressam nas universidades e mesmo com a liberdade de expressão assegurada na Constituição"; para PML, "são herdeiros legítimos do 'mórbido deleite' de meninos de engenho que torturavam escravos, como relata Gilberto Freyre em Casa Grande & Senzala"

Restaurante mineiro confirma que golpe liberou selvageria das elites
Restaurante mineiro confirma que golpe liberou selvageria das elites

Ao "desautorizar" o confeiteiro que decidiu homenagear Dilma Rousseff com uma sobremesa, o empresário Fernando Areco Motta, de Belo Horizonte, garantiu um lugar de honra na galeria dos tipos execráveis do Brasil nascido após o golpe de 2016.

Sabemos que Dilma Rousseff foi derrubada para interesses estratégicos do império norte-americanos e seus bilionários sócios locais.  

Mas o ataque a uma democracia construída com tanto sacrifício só foi possível pelo apoio de milhões cidadãos de classe média e alta, ressentidos com o progresso -- mesmo pequeno -- obtido pelos de baixo. Não são donos da Ambev nem do Itaú mas detestam trabalhadores -- em especial empregadas domésticas --  que resolveram erguer a cabeça e assumir seus direitos. Têm medo da concorrência que alunos pobres capazes de entrar nas universidades podem representar para seus filhos.

Acima de tudo, não se conformam com o fim da submissão política que permitiu ao povo escolher governantes de acordo com seu gosto e suas prioridades -- e assim eleger, por quatro vezes seguidas, aqueles governantes que sempre detestaram.  

Em escala caseira, a cena de Belo Horizonte guarda parentesco direto com a circular de João Roberto Marinho, um dos proprietários da TV Globo, que proíbe funcionários a dar  opinião em suas redes sociais, confrontando a liberdade de expressão garantida pela Constituição.

Nos dois casos, o que se manifesta é o espírito senhor de engenho no tratamento dispensado às camadas de baixo -- cujo primeiro dever é o silêncio, e o direito a palavra só é válido quando previamente autorizado.

Estamos falando da desembargadora  Marília Castro Neves, que divulgou uma mensagem ofensiva na internet contra Marielle Franco, a corajosa vereadora executada no Rio de Janeiro. Da estudante Mayra Petruso, que escreveu no twitter, logo após a vitória de Dilma em 2010: "Faça um favor ao Brasil.  Mate um nordestino afogado".

Para mencionar um autor que estudou nossa elite como poucos. São herdeiros legítimos dos meninos de engenho que possuíam um "mórbido deleite" em torturar escravos, nas palavras sempre oportunas de Gilberto Freyre em Casa Grande & Senzala.

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