Rezai por nós, Vavá!

Vavá, aí do alto onde você está, há tempo e razão para uma prece em favor dos que perderam a capacidade de se condoerem pelo próximo. Talvez o teu passamento tenha legado este contraponto. Então Vavá, como bom Corinthiano que teu irmão afamado é, enquanto virtual vencedor do Prêmio Nobel da Paz que será, encareço-vos; rezai por nós, Vavá!

Rezai por nós, Vavá!
Rezai por nós, Vavá!

Caro Vavá, não o conheci em vida – apesar de termos alguns bons amigos comuns –, mas a angústia gerada pela tua morte, no seio da alcateia fascista que elegeu teu irmão afamado em inimigo número um do pensamento totalitário, me dá um certo conforto – sei que isso é nada para a família enlutada, mas não posso deixar de considerar meu conforto.

Vavá, olha só. A lei de execução penal prevê, expressamente, sem qualquer ressalva relativista, o direito de luto aos irmãos – assim, feito você e teu irmão afamado, que está prestes a se tornar vencedor do Nobel da Paz – contemplando o nojo, até a hipótese da visita do preso ao velório/enterro, em tempo de se despedir, vivenciando o luto.

Esse direito escrito atende o ideário humanista, ínsito à noite dos tempos, onde o homem contratou um convívio sadio e respeitoso. Três séculos de liberte, igualitee, fraternitee não resistiram à bactéria fascista, assim passou porquanto as pessoas adoecem, como diria o poeta do início do século XXI, Crioulo...

Adoecidas, as pessoas enraivecem e a raiva mata muito mais do que nós outros poderíamos imaginar, Vavá. A raiva empobrece o espírito, captura a alma e, por fim, desnatura a condição humana, tornando aquele que julga, que decide o destino alheio, um pequeno déspota, nem um pouco esclarecido, suposto que teme o plural, o coletivo – e, no ponto, ninguém mais plural do que teu irmão afamado, cuja só hipótese de receber um prêmio Nobel, só por si faz os não esclarecidos terem pavor; pura  ignorância Vavá, pura ignorância...

Foi assim que chegamos ao fim – pela condução de santa Mãe ignorância que, nos moldes de sua irmã santa Inquisição, então bem alimentada por seu tio Tomás, hoje se alimenta de si própria, para capturar a razão do seio da sociedade, estatuindo um ideário de medo que escraviza em lugar de libertar.

Caro Vavá, não passou, por suposto, a onda ideária fascista – que nós outros criamos na tutela ilegal de um ministério público ativista, político, dissociado da realidade social, fortemente arraigado no próprio interesse, quando equiparamos a então Nobre instituição à polícia judiciária, fomentando a relativização do poder investigativo das polícias – mas teu passamento a feriu, Vavá...

Feriu na medida em que potencializou exponencialmente o tamanho de teu irmão afamado, hoje reconhecido e reverenciado no mundo todo, não só como maior Presidente de nossa história, ou maior líder político do século XXI, mas sim como aquele a quem o judiciário brasileiro negou a maior hipótese humanitária prevista em lei; despedir-se do irmão morto...

Vavá, não vou sequer apontar as variantes argumentativas de que lançaram mão, em ordem a impedir teu irmão afamado de se lhe despedir, por respeito a teu desterro, suposto que você, Vavá, não merece que te lembrem que usaram até uma tragédia sem igual (Brumadinho) para justificar o que não se justifica.

Ademais, passou da hora de estabelecermos uma verdade; teu irmão afamado não é apenas um preso político; é o preso político, Vavá...

E o fato de teu irmão afamado ser o Cara (lembre-se sempre disso Obama), pesa demais no inconsciente dos não esclarecidos que entregam esta jurisdição de ódio.

Vavá, aí do alto onde você está, há tempo e razão para uma prece em favor dos que perderam a capacidade de se condoerem pelo próximo. Talvez o teu passamento tenha legado este contraponto. Então Vavá, como bom Corinthiano que teu irmão afamado é, enquanto virtual vencedor do Prêmio Nobel da Paz que será, encareço-vos; rezai por nós, Vavá!

Faça uma prece pelo retorno da luz sobre as trevas, pelo iluminar das ações e dos desidérios, em ordem a restabelecer nos corações não esclarecidos que negaram o direito ao nojo, uma estrela dogmática que lhes sirva não de guia, mas sim de limite de vergonha, parâmetro de decência, arquétipo da condição humana que se perdeu com a decisão de ontem.

Rezai por nós, Vavá!

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