Rondônia suporta o dito e feito pelo governo Bolsonaro contra o meio ambiente

Peçamos socorro, porque muitos que queimam nossas florestas nem nascidos no Norte são. Enriquecem destruindo e depois vão morar ou morrer em outro lugar

Para entender como Rondônia chegou ao quarto lugar no ranking de estados com maior aumento de queimadas, é preciso lembrar quem ‘botou fogo’ com palavras e ações.

Não é por acaso o aumento de 198% nos focos, de janeiro a agosto deste ano.

Houve uma verdadeira campanha contra o meio ambiente para desenvolver irresponsavelmente o setor produtivo, mola propulsora da economia do estado.

Um áudio do deputado federal Lúcio Mosquini (MDB) que circulou no aplicativo de WhatsApp, levou a madeireiros o compromisso do governo Bolsonaro com a flexibilização da legislação ambiental.

O deputado divulgou balanço de uma reunião da bancada de Rondônia com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ocorrida em Brasília.

A pauta, segundo ele, era “a defesa dos empresários do setor madeireiro em Rondônia”.

Em seu perfil no Facebook, reclama com frequência da crise “provocada pela fiscalização do IBAMA onde madeireiros denunciam abusos nas operações ambientais”.

O deputado se refere a ações de combate ao desmatamento ilegal que estariam prejudicando todo o setor madeireiro na região de Espigão Do Oeste.

Em abril uma operação do Ibama resultou na queima de caminhões e tratores que faziam retirada ilegal de madeira na Floresta Nacional do Jamari (Flona). A inutilização do maquinário dos criminosos é prevista no decreto 6.514 de 2008.

Na ocasião, foi com os criminosos que o presidente Jair Bolsonaro se solidarizou em vídeo gravado com o senador Marcos Rogério (DEM).

Em julho, empoderados pelo recado de Bolsonaro, criminosos incendiaram um caminhão-tanque que prestava serviço para o IBAMA na região.

Como resultado da reunião de bancada, o deputado Lúcio Mosquini divulgou as medidas com as quais o ministro se comprometeu.

Uma delas é chocante, pois revela punição aos fiscais que cumpriram seu dever de impedir atividade ilegal.

“Primeiro, hoje está sendo substituído lá em Espigão Do Oeste, os fiscais do Ibama. Quem já estava trabalhando na operação será substituído por outros fiscais, até mesmo para evitar qualquer tipo de descontentamento”, disse.

O ministro veio a Espigão e confirmou que “recebeu o pleito”, não citou as medidas que iria tomar, mas falou em “aproximar o mundo real do mundo ideal, a parte legal, daquilo que acontece no dia a dia” dos madeireiros.

Para bom entendedor, significa perseguir a flexibilização da legislação ambiental que segundo o ministro, precisa “respeitar” a realidade do setor.

O que o ministro chamou de “pleito oficial” de muito tempo do setor produtivo é lobby que a classe política faz para afrouxar o que regula a atividade.

Muitos políticos têm negócios no setor produtivo e a única preocupação é o lucro.

A Folha De São Paulo, nesta quinta-feira (22), trouxe depoimento de pesquisadores da Nasa que monitoram focos de queimada no planeta e que “afirmam que seus dados sobre o Brasil estão consistentes com o aumento abrupto que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais) vem reportando nas últimas semanas” e que estão relacionados com o desmatamento.

O chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas do Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa, em Maryland, nos Estados Unidos, Douglas Morton, disse “é possível correlacionar os principais focos de calor detectados pelos satélites Terra e Aqua da Nasa ao corte raso de floresta na região, e não a outros tipos de atividade que implicam queimadas sem desmatamento, como limpeza de pastos, preparo de plantios ou queima de bagaços.”

Sem poder negar culpa, Bolsonaro levianamente acusa ONGs e governadores do Norte, por ação e omissão.

O ministro Ricardo Salles, fez pior: “As pessoas do Norte têm o hábito de por fogo nas coisas, atear lixo, queimar coisas. É uma cultura que vem de muito tempo e precisa ser combatida”, disse.

É um governo que tenta apagar fogo com gasolina ao criminalizar o trabalho das OGNs e desprezar a reação de líderes de nações com a Amazônia em chamas.

A cada declaração incendiária do presidente, do ministro ou de parlamentares que o apoiam, os criminosos se encorajam a aumentar o fogo.

Não é com a ajuda do líder da bancada de Rondônia que o fogo vai baixar.

Peçamos socorro, porque muitos que queimam nossas florestas nem nascidos no Norte são.

Enriquecem destruindo e depois vão morar ou morrer em outro lugar.

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