São Paulo é o 'ponto de virada' da eleição; Haddad vai pra cima

O jornalista Mauro Lopes, editor do 247, escreve sobre o que qualifica de grande "fato novo" que chacoalha a eleição, "a bomba que pode mudar tudo rapidamente", o "ponto de ruptura"; o fato de Haddad assumir a liderança nas pesquisas na capital paulista; 51% a 49%; em menos de uma semana, Haddad ganhou 4 pontos e Bolsonaro perdeu 4; leia mais dados sobre a grandeza da virada que está acontecendo; "Romper com a hegemonia da direita em São Paulo muda o equilíbrio da disputa em todo o país"

São Paulo é o 'ponto de virada' da eleição; Haddad vai pra cima
São Paulo é o 'ponto de virada' da eleição; Haddad vai pra cima

Os dados da pesquisa Ibope sobre a capital paulista são aquele "fato novo" que chacoalha uma eleição; a bomba que pode mudar tudo rapidamente, o "ponto de ruptura". Como elemento estratégico, simbólico e psicológico é muito potente. Haddad assumiu a liderança, com 51% a 49%. Posso garantir a você, amigo e amiga, que a diferença nesta quarta (24) é ainda maior -o Ibope ouviu eleitores em São Paulo entre sábado e terça (20 a 23). Nesta quarta, Haddad continuou crescendo e Bolsonaro caindo.

É um salto grande em menos de uma semana. Na rodada anterior do Ibope, entre segunda-feira e quarta-feira da semana passada (15 a 17), Haddad perdia para Bolsonaro na capital paulista por 47% a 53%. Haddad ganhou quatro pontos e Bolsonaro perdeu quatro -em menos de uma semana. Você pode ver os relatórios das pesquisas da semana passada (aqui) e desta semana (aqui). O que está acontecendo em São Paulo é um terremoto eleitoral. No primeiro turno, Haddad perdeu para Bolsonaro na capital paulista por 44% a 19%. 

Recuemos no tempo. Em 2014, Dilma perdeu para Aécio por 63% a 36%. E Haddad pedeu a Prefeitura em 2016 no primeiro turno para Doria, que teve 53% dos votos, enquanto o então prefeito obteve apenas 16%.

Sim, é disso que se trata: a São Paulo conservadora, a São Paulo da derrota fragorosa de Haddad em 2016, a São Paulo bastião das elites, a São Paulo dos coxinhas e das camisas amarelas na Paulista está se tingindo de vermelho (ou vermelho, verde, amarelo e azul, as cores da campanha no segundo turno).

É como a queda do mais importante bastião de um exército numa guerra. Algo como a vitória do povo do Vietnam contra o exército de ocupação francês em na batalha de Dien Bien Phu, em 1954.

Romper com a hegemonia da direita em São Paulo muda o equilíbrio da disputa em todo o país. São Paulo é a maior capital nordestina do Brasil -o que reforça muito a vantagem de Haddad no Nordeste. São Paulo é a referência de metrópole, é a "meca" capitalista, é onde está mais arraigada a arrogância de uma elite escravocrata e voraz. Virar em São Paulo é quebrar a arrogância contra a pedra da resiliência dos mais pobres. 

E, sobretudo, é derrotar duas vezes os fascistas. O fascista militar e o fascista playboy. 

Haddad vai pra cima.

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