São Paulo poderia ser uma Stalingrado eleitoral

Uma derrota em segundo turno de Boulos ou a Manu, continua sendo uma vitória em tempos de estigmatização do campo popular, em tempos em que intelectuais e políticos de esquerda tiveram que fugir do país por causa das ameaças de morte

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A batalha de Stalingrado foi decisiva para definir o percurso da segunda guerra mundial e foi a primeira grande vitória sobre o nazifascismo, colocando a Rússia Soviética como um país vitorioso e poderoso, pela primeira vez, aos olhos do mundo inteiro. Da mesma forma, em São Paulo, uma vitória de Guilherme Boulos no segundo turno significaria um enorme avanço para o progressismo, dando à esquerda um protagonismo transcendental na cidade com  o maior PIB do país. O mesmo acontece com a Manuela D´avila em Porto Alegre, um dos alvos preferidos da extrema direita para desprestigiar através de fake news.  Se você realmente quer a vitória de ambos, e mora em alguma dessas cidades, fale com qualquer familiar ou amigo que esteja na dúvida de quem votar. Peça seu voto, como presente de natal, explique a necessidade de uma mudança. Você nem precisa sair de casa para isso. Se cada um de nós virar um voto a nosso favor, a história será feita e o Brasil terá uma chance muito grande de se despedir do fascismo de forma definitiva em 2022.  

Um dos tantos consensos históricos que existem sobre a segunda guerra mundial é que a batalha de Stalingrado foi decisiva para definir o percurso final do conflito. Simbolicamente, esse conflito foi de extrema importância, e a derrota do implacavel exercito nazista nas mãos dos russos ascendeu exponencialmente a esperança dos aliados em que era possivel vencer a guerra em um futuro próximo. A vitória dos russos foi a vitória do trabalho coletivo sobre a prepotência tecnológica. Foi a vitória de um povo pobre, porém, bravo e indômito, por sobre o ímpeto de dominação fascista. Foi talvez a primeira grande e plena  vitória da humanidade sobre fascismo. Stalingrado colocou a potência do povo soviético pela primeira vez, frente aos olhos do mundo todo. Seria uma das tantas incursões que fariam da Rússia Soviética, uma grande protagonista da geopolítica do Século XX.

E, mesmo quando ainda a analogia possa resultar exagerada para alguns, a disputa eleitoral entre Boulos e Bruno Covas pela prefeitura de São Paulo é de uma transcendência simbólica que, atrevo-me a afirmar, roça o paralelismo com a antes citada batalha em campo soviético.  Em tempos de bolsofascismo, Boulos representa em questão de políticas institucionais, tudo o contrário do que representa o discurso oficial do Governo Federal. Boulos é tudo o que o pensamento conservador do cidadão médio detesta, e também representa o que uma grande porção da esquerda tem medo de ser. Boulos, saído de uma família de classe média alta, decidiu morar nas periferias e se misturar com o povo sem teto. E, me fale uma coisa, quem gosta dos sem teto, dos moradores de rua, em um país que venera pastores homofóbicos, misóginos, armamentistas e milionários? Boulos, sem hesitar um segundo, ainda defendeu o ex-presidente Lula na cadeia. Sim, o Lula, o grande vilão que a mídia conservadora construiu. No mesmo momento em que muitos militantes e candidatos do PT tiveram que esconder a estrela, o vermelho e o 13 nas camisas e nas pancartas, Bulos se abraçava, tirava fotos e ainda invadia o polémico triplex para mostrar o viés falso e ideológico das acusações contra o líder do PT. Boulos é a política do risco, da generosidade, Boulos é o político que tudo aquele que for votar sabe que irá até o fundo, que fará as mudanças substanciais que ninguém poderá ignorar. Boulos vai colocar a periferia (toda periferia) no centro da política institucional da prefeitura de São Paulo.

Bem pelo contrário, Bruno Covas é a direita tradicional que, todos sabemos, se alguma vez tomasse uma atitude radical, seria sempre para o lado do fascismo neoliberal. Bruno Covas, se for um extremista, só poderia ser um extremista de direita. Ele representa os poderosos tradicionais de São Paulo, a grande mídia, a corporação empresarial e o capital financeiro.  Bruno Covas é aquele político tradicional capaz de prometer qualquer coisa e usar qualquer disfarce com tal de chegar no centro da tomada de decisões. Ele não é simplesmente Bruno Covas, ele é a classe social mais privilegiada de São Paulo, condensada por trás da sua figura e imagem, a típica imagem do empresário terno, amável, sucedido, religioso. Chegou à prefeitura de São Paulo da mão de nada menos que João Doria. Neste segundo turno, Bruno Covas terá com certeza o apoio de toda a corporação de imprensa, a religiosa, a empresarial e a financeira. É contra isso que se enfrenta Guilherme Boulos,  com apenas um celta, uma extraordinária equipe de campanha e a fé e o apoio de toda a juventude progressista da cidade.

O caso da Manuela D´avila em Porto Alegre não é muito diferente. A disputa de Manuela também é de uma enorme relevância simbólica, ainda que a cidade de Porto Alegre não seja a capital financeira do país. A Manu, alvo de uma infinidade de fake news e ataques misóginos, representa o empoderamento feminino que vem crescendo de forma exponencial no país e no mundo. A Manu sempre será lembrada por ter sido a convidada mais interrompida no Roda Viva. Com inteligência e charme, ela e Boulos já deram a maior alegria para o campo progressista em 2020, agora é a hora de toda a esquerda unida fazer seu aporte. Se você é militante do campo progressista e mora em alguma dessas duas cidades, não perca seu tempo, converse com seus familiares e amigos, peça o voto deles com um presente de natal, um presente de natal que eles estariam fazendo para si mesmo. Você pode começar falando “Pai,mãe, eu nunca pedi nada a vocês… bom, chegou a hora de lhes fazer um pedido muito especial, que teria um valor enorme para mim…” 

E se você não for morador de lá, ligue para aquele tio chato, aquele amigo que se mudou para estudar ou trabalhar, pergunte se realmente eles querem mais do mesmo, se não gostariam de pelo menos tentar uma coisa diferente, que a vida é curta e vivê-la plenamente é tentar todas as alternativas em todas as áreas. Você e eu sabemos que essas duas prefeituras significam muito para eles, significam muito para nós, e, o melhor de tudo, não temos nada a perder. 

Uma derrota em segundo turno de Boulos ou a Manu, continua sendo uma vitória em tempos de estigmatização do campo popular, em tempos em que intelectuais e políticos de esquerda tiveram que fugir do país por causa das ameaças de morte. O progressismo tem muito para celebrar ainda com esses dois quadros tendo se tornado protagonistas nessas eleições municipais. Agora é a hora de ir para cima deles, e mostrar que o povo não é burro e eles não vão o alimentar por sempre com fake news, mentiras e terror midiático.

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