São tempos realmente difíceis para os sonhadores

Nada me doeu mais do que ler o Relatório da ONU “O estado da segurança alimentar e nutrição no mundo 2020”, no dia de hoje

(Foto: Agência Brasil)
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Quando tinha 7 anos eu li meu primeiro livro literário: Pai Herói de Janete Clair. 95 páginas de uma trama sem grandes marcas para minha vida. Entretanto, depois disso, pelo que me lembro, não parei mais de ler. Li de tudo um pouco, literatura brasileira, latino-americana, livros técnicos, alguns grandes clássicos da literatura mundial (alguns, porque a lista é grande demais para uma vida apenas), revistas em quadrinhos, revistas científicas, etc. 

Mas porque estou falando sobre isso?

Porque de tudo que já li, em quase 28 anos de leituras, nada me doeu mais do que ler o Relatório da ONU “O estado da segurança alimentar e nutrição no mundo 2020”, no dia de hoje. 

Segundo o Relatório, a fome atinge mais de 821,6 milhões de pessoas no mundo. Isso significa que aproximadamente uma em cada 9 pessoas passa fome no planeta. 

A cada 4 segundos uma pessoa morre de fome no mundo. 

Mais de 10 milhões de pessoas começaram a passar fome só em 2019. 

2 bilhões de pessoas vivem em insegurança alimentar moderada ou grave, ou seja, vivem sem a certeza da próxima refeição. 

149 milhões de crianças no mundo têm o crescimento atrofiado por conta da desnutrição.

Em 2020, mais de 10 milhões de pessoas passaram fome no Brasil. 

Em contrapartida, 40% da produção alimentar do país foi jogada fora, o que seria suficiente para alimentar todas as pessoas que passam fome no país, 3 vezes ao dia. 

Novo documento da OXFAM Brasil, calcula que mais pessoas morrerão de fome do que de Covid durante o período da pandemia; segundo os dados, mais de 12 mil pessoas podem morrer de fome por dia no mundo (O Vírus da Fome: como o coronavírus está potencializando a fome em um mundo faminto, disponível no site da oxfam.org). 

Em contrapartida... 

Em 2019, os Estados Unidos gastaram 732 bilhões de dólares, o correspondente a 38% dos gastos globais, com armas. 

Na América do Sul, o Brasil lidera o ranking de importações de armas, com 37% das compras. 

Ao longo de 20 anos de conflitos bélicos, os Estados Unidos gastaram 6 trilhões de dólares, valor que seria suficiente para acabar com a fome no mundo ou reverter o aquecimento global.

E me vem à cabeça uma canção de Léon Gieco que diz: “2 mil comeriam por um ano com o que custa um minuto militar; quantos deixariam de ser escravos pelo preço de uma bomba ao mar?”

E o presidente Bolsonaro afirma que “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira, é um discurso populista” e libera a posse de 6 armas por pessoa no país. Prioridades... 

Tirem suas próprias conclusões!

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