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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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Saudade do Senado de ACM

"O bolsonarismo levou à mais alta casa do Congresso não mais os sábios misturados aos medianos estaduais, com alguma história na política, mas os medíocres paroquiais", lamenta Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Pedro França/Agência Senado | Pr)
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Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia - O caso do dinheiro na cueca aciona frustrações e saudosismos. Eduardo Suplicy tentou voltar a ser senador por São Paulo. Não conseguiu.

Chico Alencar deixou de ser deputado para disputar uma vaga do Senado pelo Rio. Também não deu certo.

A historiadora Aspásia Camargo candidatou-se a senadora também pelo Rio. Fracassou. Dilma Rousseff concorreu ao Senado, depois de golpeada. Negaram a ela um mandato por Minas.

Roberto Requião tentou e não conseguiu permanecer no Senado pelo Paraná. Ideli Salvatti também pretendeu retornar ao Senado por Santa Catarina. Nada.

Mas o Senado tem Chico Rodrigues, o senador amigo íntimo de Bolsonaro, um dos seus líderes, o homem do dinheiro na bunda.
E ainda tem Flávio Bolsonaro. E mais Romário. E o Irajá, o Jorginho, o Telmário, o Confúcio. E tem o Styvenson.

Alguns podem ter surgido antes, mas todos foram consagrados como senadores da era bolsonarista. Muitos podem não ser, mas têm a cara do bolsonarismo.

Não há nem o consolo de que assim caminha a democracia. Não há mais consolo algum. Foi-se o tempo em que o líder da direita no Senado era Antônio Carlos Magalhães. ACM assombrava e extasiava as esquerdas com seus ilusionismos.

Hoje, a voz forte da direita, e agora antibolsonarista, é a do Major Olímpio. E tem o Jorge Cajuru. A grande liderança de centro e chefe de todos eles, a caminho de um arranjo para a reeleição, chama-se Davi Alcolumbre.

O bolsonarismo levou à mais alta casa do Congresso não mais os sábios misturados aos medianos estaduais, com alguma história na política, mas os medíocres paroquiais.

Que saudade dos coronéis do Nordeste e sua vitalidade mitológica e literária. Trocaram os coronéis falantes e os tipos folclóricos por majores, delegados, escrivães, pastores, amigos de grileiros.

Saudade do tempo em que Paulo Paim (que ainda está lá) convivia com Benedita da Silva, a primeira senadora negra do Brasil, e os dois  enfrentavam Jorge Bornhausen. Dá saudade até de Jorge Konder Bornhausen. Saudade imensa de José Sarney.

A direita perdeu glamour e se bolsonarizou. A classe média antiPT elegeu a chinelagem da extrema direita que carrega dinheiro em cueca e que odeia tudo que eles acham que não presta, se forem negros, gays, índios e pobres. O Rio Grande do Sul elegeu um desses racistas.

A direita dos coronéis comprava eleitores por afagos, ranchos e garrafas de cachaça. Agora, a extrema direita compra com exorcismos e com a promessa de que vai matar bandidos e invadir a Venezuela.

Perguntaram ao vice-presidente Hamilton Mourão o que ele achava do flagrante no corrupto da cueca amigo de Bolsonaro, que era até agora vice-líder do governo no Senado.

Mourão respondeu categoricamente, sem vacilar, com a determinação militar de quem impõe uma solução óbvia:
“Seria bom sair”.

Seria bom sair. Uma frase assertiva, irrevogável. Seria bom sair... Seria.

O bolsonarismo degradou a política e depreciou até os generais.

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