Se Bolsonaro não atrapalhar, tem reforma da Previdência

A jornalista Helena Chagas afirma que "a falta de noção do presidente da República – que encerrou a semana passada defendendo mudanças em plenário para dar regras de aposentadoria mais brandas aos policiais", pode atrapalhar o esforço de Rodrigo Maia em aprovar a reforma da Previdência

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Por Helena Chagas , para o Divergentes e Jornalistas pela Democracia  -  O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, passou o fim de semana reunido com líderes e representantes do governo e criando um clima favorável à aprovação da reforma da Previdência na Casa antes do recesso. Realisticamente, é  missão quase impossível votar em dois turnos, em menos de dez dias, uma emenda constitucional tão polêmica e que mexe com a vida de tanta gente.

Por isso, já terá sido uma grande vitória a aprovação do texto base da Nova Previdência antes do recesso, deixando para agosto os destaques e o segundo turno. Afinal, quem conhece  as manhas do parlamento sabe que haverá obstrução da oposição, destaques da base governista e, ao que tudo indica, falta de noção do presidente da República – que encerrou a semana passada defendendo mudanças em plenário para dar regras de aposentadoria mais brandas aos policiais.

Bolsonaro, aliás, é quem mais pode atrapalhar a negociação da reforma, da qual só tem participado para defender os interesses corporativos dos policiais e outros profissionais ligados à segurança – esquecido, talvez, de que pode inviabilizar a reforma com a abertura do precedente para outras. Sua “atuação” dará, porém, uma boa desculpa a Maia e aos líderes da Câmara se não conseguirem votar esta semana a Nova Previdência. A culpa vai ser de Bolsonaro.

Não há garantias também de que o impacto financeiro da reforma não será menor do que os R$ 1 trilhão almejados pela equipe econômica. Só na etapa da Comissão Especial da Câmara, com a volta da isenção a produtores rurais exportadores, essa cifra já desceu para algo em torno de R$ 900 bilhões. Se forem feitas concessões aos policiais e, num efeito dominó, a outras categorias, esse número cai.

Não vai ser um passeio, e não deve ser. Nenhuma reforma que mexa tanto com o futuro das pessoas deveria ser aprovada a toque de caixa. É preciso discutir e refletir muito antes de tirar direitos dos outros.Os políticos alimentaram expectativas exageradas do mercado quanto à rapidez das mudanças, e agora vão responder por isso. Quem mandou? Não há nada demais em que essa votação fique para ser concluída em agosto.

De qualquer jeito, tudo indica que a página será virada e haverá reforma da Previdência até outubro ou novembro, quando se completa o ciclo no Senado. O principal agora passa a ser o que vem depois, quando todo mundo vai descobrir que a Nova Previdência não é uma panacéia.

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